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IBGE mostra desvantagens para mulheres trabalhadoras no AM

Embora existam 1.524 mil mulheres, só 42% (781.000) estão trabalhando ou procurando trabalho. Em contrapartida, 58% (1.080.000) dos 1.499.000 homens estava na mesma situação.

Por Marco Dassori

09 Mar 2019, 00h31

Crédito: Divulgação

Embora sejam maioria, as mulheres do Amazonas têm mais dificuldade para conseguir emprego, além de ganhar menos do que os homens, em média. Os dados foram extraídos da mais recente edição da PNAD Contínua, levantamento trimestral do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) sobre o mercado de trabalho.

De acordo com a sondagem, que ouviu pessoas de 14 anos ou mais, durante o último trimestre de 2018, a diferença de rendimento entre amazonenses do sexo feminino e masculino é de 10,9% em favor destes. Homens ganham R$1.691, e mulheres recebem R$1.509, em média. O Estado ocupa a 22ª posição nesse ranking.

Mas, é na taxa de desocupação que as desvantagens se concentram. O Amazonas está em quarto lugar nesse quesito, atrás apenas do Amapá (24,1%), da Bahia (21,1%) e de Alagoas (18,7%). O percentual de homens fora do trabalho é de 11,7%, contra 18,1% das mulheres. No Estado, a diferença de empregabilidade entre os gêneros é superior a 6,4 pontos percentuais.

As mulheres são 50,4% da população amazonense, contra 49,6%, conforme a pesquisa do IBGE. Mas, embora existam 1.524 mil mulheres, só 42% (781.000) estão trabalhando ou procurando trabalho. Em contrapartida, 58% (1.080.000) dos 1.499.000 homens estava na mesma situação.

No Amazonas, o número de mulheres fora da força de trabalho é de 742 mil, contra 419 mil homens. O percentual de mulheres amazonenses que trabalham ou estão procurando alguma ocupação, é o sexto maior do Brasil. Atrás do Pará (40,5%), Rondônia (40,6%), Tocantins (41,7%), Alagoas (41,9%) e empatado com Mato Grosso (42%).

As mulheres ocupam apenas 640 mil postos de trabalho no Amazonas, contra 954 mil dos homens. Representam apenas 40,2% dos ocupados, contra 59,8% dos homens – uma diferença de praticamente 20 pontos percentuais. No grupo das pessoas desocupadas, as mulheres somam 141 mil (52,8%), contra 126 mil homens (47,2%).

“É justamente nesse tema que as amazonenses levam grandes desvantagens em relação aos homens. (...) Causas como tradição, falta de qualificação, estudos ou cuidados da família, estão entre as principais razões para o desnível”, assinalou o supervisor de informações do IBGE/AM, Adjalma Nogueira Jacques, no texto distribuído à imprensa.

Secretária Neila Azrak aponta fatores culturais

Questão cultural

O Sine-AM (Sistema Nacional de Emprego – Amazonas) atende, diariamente, entre 300 e 500 pessoas em busca de uma colocação no mercado local. De acordo com a titular da Setrab (Secretaria de Estado do Trabalho), Neila Azrak, a maioria do público é masculina.

Para a executiva, a diferença decorre de fatores culturais e se dá mais em função da menor procura feminina do que por alguma suposta preferência das empresas pelos trabalhadores do sexo masculino. E essa dinâmica, prossegue ela, se dá mais em colocações associadas tipicamente a um sexo, em detrimento do outro.

“Às vezes, a mulher acha que não tem o diferencial para aquela função. Vagas para agente de portaria ou para eletricista costumam ser muito mais procuradas pelos homens, apesar de as empresas não colocarem nenhum empecilho para a entrada de mulheres, e de existir oferta de cursos para ambos os gêneros”, exemplificou.

Neila conta que conheceu uma ex-aluna na área de cerâmica que se formou, se mudou para Brasília (DF), e atualmente é uma referência na área – tida como tipicamente masculina. “Antes, ela estava desempregada. Hoje, a clientela só quer saber dela. Isso prova que temos que ter a mente mais aberta”, reforçou.

Nichos e meritocracia

A diretora do Impram – Impressora Amazonense Ltda, Régia Moreira Leite, concorda que, de uma forma geral, há diferenças de oportunidades e de salários para mulheres. Isso, a despeito dos diferenciais competitivos femininos de versatilidade, intuição e dinamismo. “É comum que um CEO masculino tenha um gerente para cada área. Já as mulheres têm capacidade de exercer várias atividades”, comparou.

Mas, baseada em sua experiência, a executiva defende que cabe a cada trabalhador superar as adversidades para construir o seu próprio caminho. “Demora para conseguir chegar lá. O profissional tem que ter maturidade e estar atento às mudanças de mercado para mostrar seu trabalho e mérito”, defendeu.

A estudante de Psicologia, Rosemary Alves, que teve recentemente de trocar o antigo emprego por um estágio profissional, concorda que persistem diferenças salariais e nichos específicos para a atuação das mulheres no mercado de trabalho do Amazonas

“Estava trabalhando há pouco tempo em RH, que costuma ser tipicamente associada às mulheres, assim como a de TI geralmente é vinculada aos homens. Mesmo assim, é uma área associada à administração, onde a concorrência masculina é mais forte”, concluiu.  





 

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