Agronegócios

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Governo quer multiplicar produção de café em mais de 50 vezes no AM

Meta é investir na atividade e aumentar a produção de 7 mil para 360 mil sacas/ano

Por Antonio Parente

09 Fev 2019, 13h56

Crédito: Djalma Júnior

O governo do Estado do Amazonas, apresentou um plano de ação com a finalidade de alavancar a produção de café no Estado até 2020. A meta é investir na atividade e aumentar a produção de 7 mil para 360 mil sacas/ano. A medida foi anunciada na manhã da última sexta-feira (8), pelo titular da Sepror (Secretaria de Estado de Produção Rural e Sustentabilidade) Petrucio Magalhães Júnior, em visita à sede da Indústria de Café 3 Corações, no Km 12 da Rodovia AM - 010.

Na ocasião, o secretário apresentou as metas que serão atingidas e conheceu as instalações da indústria, que passará a adquirir matéria prima dos produtores locais. Um dos planos para o fortalecimento da atividade é, firmar parcerias com institutos de pesquisa, órgãos de crédito e de financiamento; realizar a construção de 20 armazéns municipais e comunitários e recuperar 500 hectares de ramais.

"O café entra com muita potencial econômico dentro das cadeias produtivas do setor primário para gerar  desenvolvimento. Tivemos alguns experimentos no município de Silves que mostrou um alto índice de produtividade, ganhando o produtor e ganhando a indústria. Estamos aqui com a Indústria 3 corações, que se houver produção garante comprar. Com essa segurança, ela sem dúvida vai aderir e vai produzir cultivo de café no estado do Amazonas”, disse.

Petrúcio destacou, a importância de disponibilizar apoio e acompanhamento técnico aos pequenos produtores, com o objetivo de desenvolver e garantir a aplicação correta da atividade. E reforçou, que para isso, será necessário ter mais profissionais capacitados prontos a atender os cafeicultores.

"Nós temos ditos que não dá para pensar em assistência técnica de qualidade com um ou dois técnicos no município. Temos que encontrar um outro mecanismo. Um ou dois técnicos do Idam, não conseguem receber e nem elaborar projeto. Não dar, não tem condições. O Estado está no limite, estourou o teto de gastos com o pessoal, que é a LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal),  que estabelece. Vamos ter que encontrar um mecanismos para garantir a aplicação adequada e correta das atividade”, disse.

Ele falou ainda, da importância de reaproximar os órgãos responsáveis aocafeicultor, com a finalidade de formar um trabalho em conjunto, para desenvolver  um sistema de produção mais eficaz, aos moldes de outros estados modelos, como o estado de Rondônia.

“Esse é o grande desafio. Para que de fato possamos chegar na ponta, como a assistência que é dada em Rondônia com técnicos qualificados- estamos buscando a aproximação e integração com os secretários e a Embrapa. Já estamos ensaiando uma atrativa de termo de cooperação com a Fapeam. Estaremos na Universidade Federal do Amazonas nesta terça-feira. Temos buscado essa reaproximação do diálogo, porque sem essa combinação com o produtor, não vamos ter avanço”, frisou.

Secretário Petrúcio Magalhães apresentou plano em visita à fábrica da indústria 3 Corações

Segundo o secretário, a ideia é fazer uma parceira junto com o Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural), para a qualificação de vinte técnicos e 200 produtores. Além de firmar parceria com o Funcafé (Fundo de Defesa da Economia Cafeeira) - instituição que repassa recursos aos agentes da cadeia produtiva do café, tendo uma instituição financeira como intermediadora-, Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), Universidades, Fapeam (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas) e as prefeituras.  

“O sistema Sepror está trabalhando de forma integrada juntamente com as instituições responsáveis, para sensibilizarnovos produtores e novos municípios a aderirem ao cultivo do café Conilon, que é ideal para as nossas condições climáticas e florestais. A gente percebe o otimismo e a vontade dos cafeicultores de investir, porque eles já sentem os resultados. Silves atingiu 900 sacas por hectares, muito acima da média nacional. Isso demonstra o potencial dessa atividade aqui no Estado. Por não ter patógenos de doenças e pragas o produto tem se desenvolvido aqui”, afirmou.

O gerente da Indústria de Cafés 3 corações, Joseliton Lopes, informou que a matéria prima da fábrica vinha toda de fora, mas que a partir de agora passará a importar menos e começará a comprar mais dos cafeicultores locais, fomentando a produção regional.

“Existe uma grande expectativa nossa de a médio e longo prazo estarmos comprando toda a linha de café robusta, tipo conilon, aqui do estado do Amazonas. Isso também vai fazer com que a gente ajude a fomentar a produção local e a prospectar não só a produção, mas também a comercialização”, disse Joseliton.

O produtor rural e membro da Associação Solidariedade Amazonas (ASA), Roque Lins, acredita no apoio oferecido pela Fábrica 3 Corações e no plano de ação do governo do Amazonas para fortalecimento do segmento.

“A gente espera que a partir de agora o Governo do Estado invista pesado em projetos, nos ajude com investimentos, com tecnologia e técnicos capacitados para acompanhar o projeto”, pediu Roque.

Por dentro

Dados de 2018 da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), indicam que todo café cultivado no Estado é do tipo Conilon, por conta da sua maior rusticidade e maior adaptação às condições de floresta tropical. A quase totalidade do plantio está concentrada na região sul do estado, principalmente no município de Apuí.

O Brasil é o maior produtor e exportador de café e o segundo maior consumidor do produto no mundo. O consumo interno de café no Brasil em 2017 foi estimado em 21,5 milhões de sacas, que correspondem a aproximadamente 1,07 milhão de toneladas. Com esse volume, o nosso País se destaca como segundo maior consumidor de café em nível mundial, sendo precedido pelos Estados Unidos, que consomem em torno de 25,8 milhões de sacas de café.

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