Opinião

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Governo Bolsonaro está reprovado em Educação

Relatório mundial de talentos mede a capacidade do país em desenvolver

Por Jonas Gomes

12 Mai 2019, 18h20

Crédito: Divulgação

O artigo apresenta o desempenho global do Brasil, os desafios e o caos do governo Bolsonaro nos primeiros 127 dias de gestão da pasta da Educação.

O Brasil tem muitos desafios e nos últimos anos vem passando vergonha internacional em vários indicadores:

1o) péssima posição global em talento e competitividade

Na sua 30a edição (2018), o IMD World Competitiveness Center publicou relatórios que colocam o Brasil: a) na 60a posição em termos de competitividade global; b) na 58a posição no ranking de talentos; c) na 57a posição em competitividade digital. Eles são anualmente publicados por uma organização Suíça com apoio de 57 institutos que compilam, compartilham e analisam dados de 63 países, cujos detalhes da metodologia estão em .

O relatório da competitividade global é um amplo estudo feito com 340 critérios de avaliação, dos quais 2/3 são obtidos de estatísticas advindas de fontes nacionais e internacionais, enquanto que outros 1/3 advém de pesquisa feita junto aos executivos. Eles avaliam e classificam os critérios nos seguintes fatores: desempenho econômico, eficiência governamental, eficiência dos negócios e infraestrutura. Enquanto o Brasil amargou a 58a posição, os mais competitivos foram os EUA (1o), Hong Kong (2o) e Cingapura (3o).

O relatório mundial de talentos mede a capacidade do país em desenvolver, atrair e reter profissionais altamente qualificados. São 30 critérios classificados em três fatores: a) o investimento e desenvolvimento, os quais medem os recursos comprometidos para cultivar o capital humano; b) o apelo, fator que avalia a capacidade do país em atrair talentos locais e internacionais; c) preparação, fator que avalia a qualidade das habilidades e competências que estão disponíveis em um país. Neste ranking o Brasil levou peia ficando na 58a posição, apanhamos em produtividade, na dificuldade para contratar, na diversidade com oportunidade de desenvolver lideranças femininas (basta checar que temos apenas duas ministras dentre 22), etc. Enquanto isso, os melhores foram os EUA (1o), Cingapura (2o) e Suíça (3o).

O relatório de competitividade digital tem o objetivo de avaliar o quanto um país adota e explora tecnologias digitais para transformar práticas governamentais, modelos de negócios e a sociedade em geral. Este ranking analisa 50 critérios organizados em três fatores: conhecimento, tecnologia e preparação futura. Ressalta-se que o treinamento e a educação pesam mais que a integração das Tecnologias da Informação. Como resultado, o Brasil ficou na 57a posição, se classificando no penúltimo lugar em conhecimento (62a), na 55a posição em tecnologia e na 47a posição em preparação futura. Por outro lado, os três melhores países foram: EUA, Cingapura e Suécia.

2o) péssima colocação no PISA

O relatório da INSPER (2018) publicado com o título “Por que o Brasil vai Mal no PISA?”, aponta que:

a) a qualidade da educação no Brasil em comparações internacionais é ruim. Em 2015, o Brasil ficou na posição 59 a 66, dependendo da disciplina, de 73 regiões e países no PISA, com médias de notas em matemática (401 pontos), leitura (407 pontos) e ciências (377 pontos) abaixo das médias dos alunos da OCDE (de respectivamente 493, 493 e 490 pontos). Essas médias não representaram melhora em relação aos últimos anos. A média brasileira de ciências tem se mantido estável desde 2006, e a de leitura, desde 2000. A média de matemática apresentou crescimento significativo de 21 pontos desde 2003, porém diminuiu 11 pontos entre 2012 e 2015.

b) o mal desempenho do Brasil se deve ao fato de que grande parte dos respondentes não consegue chegar ao fim da prova, o que pode estar relacionado à demora para entender o enunciado da questão e para desenvolver o raciocínio sobre a resposta.

3o) última posição na valorização dos professores

Segundo o índice global de status de professores  dilvulgado em 2018 pela Varkey Foundation, o Brasil ficou em último lugar na valorização dos professores, dentre 35 países investigados.   

4o) Universidades perdem ranking internacional

Vários sistemas de medição global de desempenho das universidades apontam que as nossas instituições têm perdido espaço internacional. Por exemplo, ano passado, o ranking da Revista Britânica Times Higher Education apontou que o Brasil tinha seis universidades a menos classificadas entre as mil melhores do mundo. Foi o segundo ano consecutivo que perdemos espaço mundial.

Bem, seja qual for o ranking internacional, há uma área que é comum entre todos eles, a EDUCAÇÃO, é a mola mestra das demais áreas. Neste sentido, do ponto de vista nacional, temos dezenas de desafios educacionais que a maioria dos governos tem se  negado a enfrentar, tais como: a valorização dos professores, o contínuo treinamento e educação dos docentes e gestores educacionais, a atualização nos métodos de gestão e ensino, a evasão dos alunos, o alto índice de analfabetismo funcional, são 38 milhões de brasileiros (29%), entre 15 a 64 anos de idade, com muita dificuldade de entender e se expressar por meio de letras e números (INAF, 2018). Além disso, há laboratórios precários nas escolas técnicas e universidades, quantidade insuficiente de bibliotecas públicas para a grandeza da nação, apenas uma para cada 30 mil habitantes, enquanto nos EUA há uma para cada 19 mil habitantes, e na República Tcheca, que tem o melhor índice do mundo, a proporção é de 1 para cada 1970 habitantes, o que explica o baixo índice de hábito de leitura no país, pois apenas 44% dos brasileiros não tem o hábito de ler e 30% nunca compraram um livro, conforme relatório “Retratos da Leitura” publicado em 2014 pelo Instituto Pró-Livro. Também há baixo acesso das crianças em creches, sem contar que há centenas de obras de construção de creches abandonadas no país, com fortes sinais de superfaturamentos e de desvio de recursos, etc.

O Brasil não pode mais perder tempo e um governo competente exporia tais informações para os brasileiros e traçaria objetivos e metas claros para enfrentar os desafios supra citados. No entanto, o que temos visto nos 125 dias do Governo Bolsonaro é caos no MEC, com ministros despreparados, muita ideologia ultrapassada distraindo bestas com assuntos irrelevantes tais como ameaça marxista, kit gay, doutrinação, ataque ao legado de Paulo Freire, ataque aos cursos de filosofia e sociologia das universidades, etc. Além disso, há muita briga entre os militares e evangélicos seguidores do louco Olavo de Carvalho, com diversos recuos e demissões, não há se quer ações inteligentes para discutir com a sociedade como alcançar as metas do Plano Nacional da Educação (PNE), aprovado em 2014. Para lascar, o MEC sofreu contingenciamento de R$ 5,8 bilhões, tudo isso afetando em cheio diversos programas educacionais e também as combalidas universidades. Se não bastasse, o novo Ministro Abraham Weintraub mal entrou, já andou mentindo e por questões ideológicas tentou sem critérios técnicos retaliar 3 universidades, ameaçando cortar 30% dos recursos da UnB, UFF e  da Ufba. A repercussão foi tão forte que ele ampliou o corte para todas as universidades no segundo semestre de 2019.

Finalmente, enquanto países avançados em momentos de crise apostam ainda mais na educação, C&T&I, ao longos dos anos, o Brasil tem ido na direção contrária, no lugar da boa gestão, assumem ideologias ultrapassadas, tanto da esquerda quanto da direita, que anestesiam e distraem a população, enquanto cortes bilionários são dados sem piedade nestas pastas. Nem precisa ser especialista em avaliação de desempenho para perceber que foram reprovados os 125 dias de governo Bolsonaro no MEC, resta saber até quando a população vai suportar tanta distração, trapalhada e descaso com o futuro da nação.

*Jonas Gomes da Silva – Vice Chefe do Departamento de Engenharia de Produção da FT-UFAM – jgsilva@ufam.edu.br






 

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