Combustíveis

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Gasolina no Amazonas tem o menor preço da Região Norte, diz pesquisa

Preço mais baixo decorrer de uma estratégia dos postos para aumentar a demanda em um período em que a cidade esvazia

29 Mar 2019, 09h22

Crédito: Divulgação

As bombas de combustíveis do Amazonas apresentaram o menor preço médio da gasolina (R$ 3,99) e o segundo valor mais alto para o etanol (R$ 3,298) em toda a região Norte, em janeiro. Os números foram extraídos da sondagem do IPTL (Índice de Preços Ticket Log), divulgada nesta quinta (28).

A sondagem mostra ainda que a região Norte registrou queda no preço médio dos combustíveis pelo quarto mês consecutivo. Gasolina, etanol, diesel comum e diesel S-10, sofreram decréscimos respectivos de 1,39%, 1,63%, 0,10% e 0,41%, no comparativo com janeiro de 2018.

Acre (R$ 4,69) e Rondônia (R$ 4,10) registraram os valores mais ‘salgados’ em gasolina e etanol, respectivamente, conforme o levantamento mensal, realizado com base nos abastecimentos realizados nos 18 mil postos credenciados da Ticket Log.

O Norte é a região brasileira onde os motoristas ainda pagam mais pelos combustíveis em todo território nacional. Boa parte da discrepância é atribuída aos preços do frete e diferenças tributárias. Isso ocorre, apesar de o Amazonas contar com refinaria de combustível e o segmento de combustíveis (+11,6%) ter sido um dos poucos a registrar alta na produção industrial no mesmo mês, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

De acordo com o vice-presidente do Sindicombustíveis/AM (Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo, Lubrificantes, Alcoóis e Gás Natural do Estado do Amazonas), Geraldo Dantas, a gasolina mais barata do Amazonas, em termos comparativos para a região, se deve a uma estratégia dos postos para aumentar a demanda em um período em que a cidade esvazia.

“Começou na segunda quinzena de novembro. Como o Amazonas praticamente não tem ligação com outros Estados por estradas, Manaus esvazia no tempo de férias, e tem menos carros circulando. Para compensar a queda do volume, os postos começaram a baixar os preços, em um movimento que deveria ir até o Carnaval. Vejo isso como uma ‘promoção estendida’ para o consumidor”, explicou.

Pelo mesmo motivo, prossegue o dirigente, o preço do etanol permaneceu elevado no mesmo período: o aumento da demanda pela gasolina foi compensado por um corte na procura pelo álcool, no caso dos veículos bicombustíveis.

Dantas avalia, no entanto, que a temporada de preços reduzidos para a gasolina está próxima do fim, já que o Carnaval já passou, as férias acabaram e o ano efetivamente começou.

“A redução não pode ser permanente, porque a Petrobras não acompanha. Em algum momento, vamos ter que repor os preços para que a defasagem entre custos e preços não fique tão grande. Mas, o aumento será feito aos poucos, para não comprometer as vendas. O poder aquisitivo de Manaus é mais baixo e o consumidor não comporta uma alta muito súbita”, ponderou.

“Momento de baixa”

Em relação ao diesel comum e ao S-10, a pesquisa do IPTL registrou os menores valores médios no Tocantins, R$ 3,439 e R$ 3,499, respectivamente. Cenário diferente do Acre e do Amapá, que concentram os maiores preços, com médias de R$ 4,349 e R$ 4,490, respectivamente. O Pará se destaca pela redução no preço médio da gasolina, com baixa de 2,11%. No Estado, o litro passou de R$ 4,699 para R$ 4,60 em fevereiro.

No contexto nacional, o preço dos combustíveis mantém o cenário de baixa registrado nos últimos meses. A gasolina, com o preço médio de R$ 4,330, e o etanol, a R$ 3,417, apresentaram baixa de 1,16% e 1,01%, respectivamente. O preço médio do gás veicular natural (GNV) aumentou em 2,12%, comercializado a R$ 3,184. Na contramão da redução, o diesel e o diesel S-10 registraram aumento de 0,29% e 0,09%, respectivamente, nos postos de todo o país.

“Mesmo em um momento de baixa, a região Norte ainda conta com o maior preço médio do país. O etanol, que é o combustível mais barato da região, é 22% mais caro que o do Sudeste, que apresenta a menor média nacional”, encerrou o diretor geral de Frota e Soluções de Mobilidade da Edenred Brasil, Jean-Urbain Hubau (Jurb), no texto distribuído pela assessoria da Ticket Log.

 

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