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Gás de Urucu potencializa polo cerâmico de Manacapuru e Iranduba

Projeto propõe como matriz enérgica o uso de gás natural para alavancar a produção de pelo menos 36 indústrias nos dois municípios da Região Metropolitana

13 Abr 2019, 09h32

Crédito: Divulgação

Uma nova matriz econômica começa a se desenhar nos municípios de Manacapuru e Iranduba com potencial para dinamizar a economia, criar novas  oportunidades de renda e ainda a possibilidade da geração de milhares de empregos. Ainda em estudo, o projeto pretende criar um polo cerâmico formado por pelo menos 36 indústrias localizadas nos dois municípios da Região Metropolitana de Manaus. Com matéria-prima abundante (a argila), a produção poderá ter como opção energética o gás natural da bacia de Urucu, em Coari, no Alto Rio Solimões.                                                                 

A proposta da Arsam (Agência Reguladora dos Serviços Públicos Concedidos do Amazonas) é aproveitar o gasoduto Coari-Manaus para atender a essas indústrias. O projeto de criação do polo  não é novo, mas só agora começa a ganhar força. E hoje  tem sido alvo de intensas discussões entre empresários do setor, especialistas da Arsam e de um grupo de trabalho formado pela Comissão de Geodiversidade, Recursos Hídricos, Minas, Gás, Energia e Saneamento da Aleam (Assembleia Legislativa do Amazonas).                                                                          

A Arsam mostrou um estudo técnico ao Sindicer-Am (Sindicato das Indústrias de Cerâmica do Estado do Amazonas) e à Cigás (Companhia de Gás do Amazonas) sobre a viabilidade da utilização do gás natural nas atividades de cerâmica. A ideia é criar o Distrito de Desenvolvimento Regional de Manacapuru e Iranduba,  uma forma de alavancar a economia dos dois municípios, reféns  praticamente dos repasses de recursos estaduais e federais para sobreviver – aliás, uma prática comum também de receita de outras cidades ribeirinhas do Amazonas.                                                                

A discussão é antiga, mas  esbarra nas restrições das licenças ambientais. Segundo o presidente do Sindicer-Am, Sandro Santos, o Amazonas tem grande potencial para liderar esse setor produtivo. “Temos a maior bacia geológica de argila do Brasil e estamos perto de países com grande interesse na exportação de cerâmica”, argumenta o empresário.            

A direção da Arsam informa que seus engenheiros realizaram várias visitas técnicas à área onde será implantado o distrito cerâmico e comprovaram o potencial econômico da região.                                                                                          

O projeto também propõe que o gasoduto poderá ser estendido para a  produção dos  setores madeireiro e frigorífico. De acordo com o engenheiro Rodrigo Simões, dos quadros da Arsam, dois conjuntos de instalações para entrega de gás natural (denominados  city gates) podem atender a essas indústrias. “Desde que haja possibilidade de expansão da rede de gás por parte da Cigás (Companhia de Gás do Amzonas)”, explica ele.                                                                                                              

Segundo empresários do setor, o segmento oleiro cerâmico gera hoje 4 mil empregos diretos e tem uma grande participação  na formação do PIB (Produto Interno Bruto) da Região Amazônica. E pelo menos 80% da produção têm relação com o valor agregado bruto – fabricação de utensílios domésticos e produtos de arte com temática da Amazônia. O grupo de trabalho que apoia o projeto dividiu as ações em três eixos – econômico, regulador e de licenciamento fundiário. Várias entidades estão envolvidas nos estudos, como o Ipaam (Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas), CPRM (Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais), Crea-AM (Conselho Regional de Engenharia do Amazonas), entre outras.                                                                                              

No próximo dia 22, a Arsam apresentará em audiência pública na Aleam a conclusão dos estudos técnicos e econômicos sobre a viabilidade da criação do polo cerâmico de Manacapuru e Iranduba tendo como matriz enérgica o gás natural. Segundo o diretor-presidente da Arsam, Acram Isper Jr., o uso do  combustível canalizado nas indústrias terá menos impacto no ambiente, permitindo uma atividade econômica auto-sustentável. “Haverá menos queima de madeira na produção, sem desmatamento e preservando as florestas”, justifica ele. “Estamos agora indo atrás de Iranduba e Manacapuru para fomentar o polo oleiro dessas cidades”, acrescenta o dirigente.                 

De acordo com Isper Jr, o contrato com a Cigás consiste em indicar (observando-se todas as normas de segurança) áreas de expansão com a implementação do processo de distribuição de gás  combustível canalizado. “O objetivo é fomentar o desenvolvimento industrial e o benefício social da região”, acrescenta ele.

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