Comércio

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Fôlego para o comércio varejista com liberação de recursos do FGTS

Por Andréia Leite

08 Ago 2019, 10h56

Crédito: Andréia Leite

Embora represente um valor baixo e com a possibilidade de não produzir o efeito positivo que o comércio esperava, a proposta do governo em liberar saques das contas do FGTS, corresponde a uma adição de dose de entusiasmo ao setor. Fatores que podem se juntar a este argumento, seriam as quedas de juros no parcelamento de vendas, aliado ao emprego que tem dado, embora lento, sinais de recuperação. 

A avaliação é do presidente em exercício da Fecomércio-AM (Federação do Comércio do Estado do Amazonas), Aderson Frota, que projeta para o segundo semestre um crescimento acima de 5% sobre o mesmo período de 2018.  

“Evidências disso é que o governo está liberando recursos desses benefícios, como o PIS/PASEP e vem trabalhando na diminuição de juros que sempre foi uma entrave para o varejo que indica ainda mais essa facilidade”. 

Apesar do plano de liberação ainda sofrer ajustes, no Ministério da Economia, Aderson sustenta que o setor tem observado um clima de confiança, ressaltando que os investimentos estão crescendo gradativamente. “Os empregos estão surgindo. Se mantivermos essa política e confiabilidade vamos ter um impulso de crescimento para economia”. 

Apesar de não conseguir aferir com precisão o montante que o saque vai injetar na economia local, Frota considera que o governo acabou sucubindo uma maeira vantajosa de ajudar frear o endividamento. No  Amazonas 1.327 consumidores estão na lista de inadimplentes, segundo o último levantamento do Serasa Experian. Nesta mesma direção a região Norte detém 8,8% do número de endividados que correspondem a 2,1 % do Brasil. Aderson reitera que os custos altos dos serviços, como juros do cartão de crédito, por exemplo, impossibilita o ritmo de crescimento .

O presidente da FCDL-AM (Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Amazonas), Ezra Benzion, reafirma que o setor previa um valor maior no número de saques, mas ele entende que 80% das pessoas que tem FGTS, possuem menos de R$1 mil disponíveis, então, esses trabalhadores, vão conseguir receber e ajudar nas despesas imediatas  como contas atrasadas de luz, água. “Isso vai fazer a economia girar. Não acreditamos que essas pessoas vão gastar mais. Mas sim saldar realmente débitos”. 

Sobre o montante que deva estar circulando na economia do Estado nos próximos doze meses, o presidente da deduz algo em torno de R$ 50 milhões, ou seja, R$ 4 milhões por mês vindo deste dinheiro.  

Opinião

O economista, Vitor Nunes, confirma que a quantia de R$ 500, tem um efeito multiplicador muito grande para a economia, tanto pelo volume financeiro, que vai ser liberado pelas contas, como pelo próprio consumo em si. “Vai ter um impacto positivo sim. É um recurso que tava travado que vai ser recolocado na economia. Quando a gente olha no micro, pensa que é um valor baixo, mas quando observa no macro as pessoas consumindo, indo em determinados locais, isso tende a impulsionar o varejo. Mas para baixo valor de consumo de bens agregados. Podemos falar de linha branca e vestuário, são os setores que mais vão ser beneficiados com essa liberação do FGTS”. 

Luiz Bacellar, também economista, concorda que a medida  traz reforço para o bolso do consumidor, ele explica que a medida é um “empurrão” para a economia. “Como os valores não são relevantes isso vai refletir no consumo direto”. Ele avalia que apesar das críticas em torno no valor da quantia, o dinheiro que está parado vai girar e melhorar o consumo no comércio e na indústria. A tendência é um efeito imediato a curto prazo. “O aumento do consumo estimula a economia, as pessoas ficam mais confiantes. Será um reflexo positivo para os próximos meses”.  

Números

A estimativa do governo com a liberação do FGTS é injetar na economia cerca de R$ 30 bilhões. Com o pagamento do PIS/Pasep, esse incremento deve chegar a R$ 20 bilhões. 

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