Opinião

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Festa linda, mas o povo pobre e sem emprego na Ilha!

O município tem um bom secretário de produção rural, mas sem apoio

Por Thomaz Meirelles

11 Jul 2019, 10h58

Crédito: Divulgação

Não fez sentido o esforço do atual prefeito de Parintins em viabilizar R$ 500.000,00 para bancar um show na festa dos visitantes. Estou falando em pagar meio milhão para o bom rebolado da cantora Anitta, e não demonstrar qualquer interesse em usar parte desse recurso para colocar em funcionamento o abandonado restaurante popular que está, há anos, no meio da lama. Esse equipamento público de segurança alimentar e nutricional era pra servir refeição à população carente da Ilha Tupinambarana.

Em vez de viabilizar meio milhão para pagar a Anitta, deveria ter se esforçado para comprar semente de malva no Pará para ajudar os juticultores da região e, com isso, movimentar a estagnada economia do município. Com esse recurso também poderia recuperar o parque de exposição agropecuária. Enfim, deveria investir no setor primário parintinense, e não em show, mas, apesar das promessas iniciais desse atual mandato (confesso que até me animei), optou por continuar comprando alimentos básicos de produtores do vizinho município de Santarém.

O show certamente fez parte da estratégia da reeleição, mas continuar deixando o povo pobre, sem emprego, sem esperança de dias melhores, é inaceitável. O município tem um bom secretário de produção rural, mas sem apoio, sem estrutura, é impossível avançar no volume desejado e necessário de ações que possam gerar emprego no setor que mais cresce no Brasil, o agronegócio. 

Em 17/04 do ano passado, o site do Hudson Lima (www.parintinsamazonas.com.br) registrava a seguinte frase do vereador Marcos da Luz: "O povo de Parintins sofre com a dor da fome, o povo de Parintins amarga o gosto do desemprego”. A matéria fazia referência aos dados do IBGE que apontava a pobreza no município. Apenas 5,9% da população está ocupada. Tem 107.296 parintinenses sem emprego. Mesmo com esses vergonhosos números a opção foi trabalhar para viabilizar meio milhão para o show da cantora, enquanto mais da metade da população não tem o que comer diariamente.

Observei que em alguns supermercados e mercadinhos tem frango congelado cortado ao meio pra facilitar a compra diante do baixo poder aquisitivo da população. Carvão sendo vendido fracionado em pequenos sacos  plásticos. Problemas na qualidade da água, esgoto a céu aberto e por aí vai. Voltando ao setor primário, tomei água de coco plantado em Santarém. O que me espanta no atraso parintinense no setor agropecuário é o fato do município contar com a presença do Banco do Brasil, Banco da Amazônia e CAIXA, e de ter uma sede da Embrapa no próprio município com técnicos de primeira qualidade, portanto, acesso ao crédito e tecnologia facilitados, mas, repito, nem o ex-ministro e o papa do agronegócio brasileiro, Roberto Rodrigues, faria alguma coisa na condição de secretário com essa "prioridade" do Palácio Cordovil. Essa falta de visão do gestor de que é o setor primário que vai tirar Parintins da estagnação econômica não é privilégio da atual gestão, vem de décadas.

Fábio Porchat definiu a FESTA

No próximo dia 17 de julho, o governador Wilson e o secretário Petrucio lançam o Plano Safra 2019/2020 com várias ações para desenvolver o interior, entre elas a mecanização e o calcário. Espero que a unidade local do IDAM de Parintins priorize os pequenos produtores rurais na seleção, pois, segundo informações, não foi o que aconteceu no passado. São programas subsidiados, então, vamos priorizar os menos favorecidos, os que enfrentam maior dificuldade no acesso ao crédito rural, em produzir.

Os empresários e políticos transitam fácil nos agentes financeiros, portanto, tem gente antes nessa fila para receber os subsídios do estado que variam de 50% a 80%. Eu vou acompanhar este assunto de perto, e vou divulgar o nome dos beneficiados. Quanto aos três dias de Garantido e Caprichoso, o vídeo do Fábio Porchat traduz a grandiosidade da festa. Eu só acabaria com aqueles poucos fogos na arena, que ainda causam incêncio, e, também, com as longas filas de espera para assistir gratuitamente o espetáculo.

Os ingressos são vendidos antecipadamente, as credenciais elaborados com antecedência, então, qual a razão de não criar um critério para o acesso das torcidas?  As duas galeras seguram a alegria do Bumbódromo na voz, no braço e na paixão. Enfim, passou a festa, agora não é a Anitta que vai rebolar, é a expressiva maioria do povo parintinense que vai ter que rebolar para conseguir emprego e comer bem todos os dias. Comer bem significa saúde e melhores condições de aprendizado. Não vai ser tarefa fácil, mas ainda acredito em dias melhores. Até 2020, com o BI do meu Garantido.

*Thomaz Antonio Perez da Silva Meirelles é servidor público federal aposentado, administrador, especialização na gestão da informação ao agronegócio. E-mail: thomaz.meirelles@hotmail.com 

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