Agronegócios

COMPARTILHE

Feiras ganham fôlego em áreas ociosas de shoppings

Espaços ganham vida com a comercialização de produtos regionais

Por Evaldo Ferreira

14 Mai 2019, 18h15

Crédito: Divulgação

As Feiras de Produtos Regionais organizadas pela ADS (Agência de Desenvolvimento Sustentável do Amazonas), hoje um grande sucesso de público e de vendas, em Manaus, surgiram há quase onze anos, em 2008, com apenas uma, numa quadra no Cigs (Centro de Instrução de Guerra na Selva, com mais ou menos 80 feirantes. Atualmente a ADS tem cadastrados mais de 400 produtores, principalmente da Região Metropolitana de Manaus, e organiza dez feiras em locais diferentes, entre terça-feira e sábado.

Depois do Cigs a feira passou a acontecer no Cassam, clube militar da Aeronáutica e, em seguida, no Frigorífico Vitello, da Cidade Nova, onde parou em 2011 e retornou no ano passado.

Mas o que tem chamado a atenção pelo inusitado são as feiras que, desde 2017, acontecem nos estacionamentos de três grandes shoppings da cidade: Sumaúma, Ponta Negra e Manaus Plaza.

“Com as vendas on line em crescimento, os shoppings procuram se reinventar para atrair clientes presenciais. Uma das formas de atração foi abrir os espaços ociosos de seus estacionamentos para a realização das Feiras de Produtos Regionais”, contou Heitor Liberato Júnior, diretor técnico da ADS.

O primeiro shopping a aderir à idéia foi o Sumaúma, até hoje mantendo a feira com maior faturamento entre as demais.

“A feira do Sumaúma reúne 50 feirantes com uma média de R$ 50 mil de faturamento por edição, ou seja, mil reais por feirante”, revelou. “Já as que concentram uma movimentação maior são as do Cassam e a do Ponta Negra, por sinal esta possui uma ala somente com produtos orgânicos”, disse.

Além da Região Metropolitana

Ainda que o Amazonas seja rico de frutas regionais, verduras e temperos, com muita dificuldade esses produtos chegavam à capital, oriundos, principalmente, de regiões próximas. Até hoje as distâncias dificultam esse abastecimento da capital pelo interior, mas o apoio de prefeituras e de órgãos do Estado tem facilitado fazendo com que ao menos os produtores dos municípios da Região Metropolitana consigam trazer seus produtos até Manaus e vendê-los sem o atravessador.

“Podemos até fazer uma segmentação do que vem, e de onde. Do Iranduba chegam as hortaliças (chicória, pimentão, couve, pepino, cheiro verde, maxixe), do Rio Preto da Eva e Presidente Figueiredo, as frutas (limão, cupuaçu, ingá, tucumã, laranja, pupunha, mamão, coco, banana, abacate), do Careiro da Várzea e de Autazes, queijos e laticínios. De Novo Airão são os dois, hortaliças e frutas. De Itacoatiara vêm os abacaxis, produzidos em grande escala em duas grandes comunidades, Novo Remanso e Vila do Engenho”, listou.

Itacoatiara e Careiro da Várzea, por sinal, transformaram o Amazonas num dos maiores produtores de abacaxis do país. Ano passado a safra chegou a 93,8 milhões de frutos, praticamente vendidos todos em Manaus, nas feiras, mercados e supermercados.

“No Careiro da Várzea, no ramal do Cobra, tem um produtor que está investindo na plantação de abacaxis orgânicos já pensando em exportá-los. Uma característica do abacaxi do Amazonas é que ele é pouco ácido e bastante doce”, revelou.

Além da Região Metropolitana, produtores de outros municípios mais distantes estão participando com produtos não perecíveis rapidamente. Maués, com peixe processado (aracu e tambaqui); Lábrea e Tefé, com castanha, e Anori, com açaí.

Feiras também no interior

Atualmente a ADS realiza dez Feiras de Produtos Regionais, em Manaus: duas no shopping Ponta Negra, duas no Manaus Plaza, uma no Sumaúma, no Cassam, no Comando da PM, no Vitello, no estacionamento da Sepror, e a mais recente, na sede da Afeam (Agência de Fomento do Estado do Amazonas), iniciada na sexta-feira passada, dia 10.

“O projeto do Governo do Estado é instalar, ainda este ano, Feiras de Produtos Regionais em outros municípios. Nas próximas semanas o governador Wilson Lima irá inaugurar as de Parintins, Nhamundá e Anori. O projeto visa facilitar que o produtor das comunidades daquele município consiga trazer seus produtos para vender na sede. Existem comunidades distantes horas da sede. O objetivo é viabilizar esse transporte”, adiantou.

Para quem quiser mesmo viver um ambiente com clima de feira de bairro, ainda que num shopping, não faltam as tapiocas e os pés-de-moleque feitos na hora, acompanhados de sucos de frutas regionais, e pães caseiros com os mais diversos sabores.    

Veja Também

Negócios

É dia de feira em área nobre de Manaus

23 May 2019, 18h07
Economia

Produtos regionais não sentem crise

25 Nov 2016, 00h00