Polo Industrial de Manaus

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Faturamento do PIM no ano passado foi o melhor da série história

Do lado da mão de obra, os resultados foram piores. O PIM encerrou 2018 com 86.047 trabalhadores empregados, entre efetivos, temporários e terceirizados

Por Marco Dassori

10 Abr 2019, 23h58

Crédito: Divulgação

O Polo Industrial de Manaus fechou 2018 com seu faturamento em dólares no vermelho. Na comparação com o acumulado dos 12 meses de 2017, as vendas caíram de US$ 25.68 bilhões (2017) para US$ 25.35 bilhões (2018), uma diferença de 1,28%.

Convertido em moeda nacional – e submetido às distorções cambiais do período –, o desempenho da indústria incentivada da Zona Franca de Manaus foi muito melhor. O faturamento avançou 12,91%, ao totalizar R$ 92,67 bilhões de janeiro a dezembro de 2018, contra R$ 82,07 bilhões no mesmo período do ano passado.

Contabilizado em dólares, o montante ficou acima dos obtidos em 2015 (US$ 24.08 bilhões) e 2016 (US$ 21.94 bilhões) e bem abaixo do de 2014 (US$ 37.13 bilhões). Em reais, foi o melhor resultado na série histórica iniciada em 2013 (R$ 83.30 bilhões). Os números foram extraídos dos Indicadores de Desempenho do Polo Industrial de Manaus, divulgados na quarta (10), pela Suframa.  

Apenas nove dos 23 segmentos listados pela autarquia fecharam o ano com as vendas em dólares no azul: bens de informática (+3,78%), duas rodas (4,07%), termoplástico (+6,90%), bebidas (+3,01%), metalúrgico (+3,61%), papel e papelão (+4,69%), produtos alimentícios (+15,83%), mobiliário (+7,96%) e ‘diversos’ (+77,23%).

O maior crescimento percentual (+77,23%) veio do subsetor de ‘diversos’ (conjunto de subsetores representados por uma única empresa de pequeno porte), que escalou de US$ 20.47 milhões (2017) para US$ 36.28 milhões (2018). Em números absolutos, o melhor resultado (US$ 5.42 bilhões) ficou com a indústria de bens de informática, que avançou 3,83% em relação a 2017 (US$ 5.22 bilhões), e respondeu por 21,08% do faturamento total do PIM em 2018.

Entre as 14 divisões industriais que fecharam no vermelho, o maior tombo (-40,27%) veio do polo naval, que fechou 2018 com US$ 52,82 milhões, contra os US$ 88.43 milhões de 2017. Responsável pela maior fatia (27,85%) das vendas globais do PIM, o polo eletroeletrônico amargou queda de 3,63% entre 2017 (US$ 7.44 bilhões) e 2018 (US$ 7.17 bilhões), embora tenha conseguido faturar mais em reais (+9,09%).

Mão de obra

Do lado da mão de obra, os resultados foram piores. O PIM encerrou 2018 com 86.047 trabalhadores empregados, entre efetivos, temporários e terceirizados. O resultado indica uma queda de 2,82% em relação a dezembro de 2017 (88.553). Ainda assim, a média mensal de empregos diretos do PIM em 2018 ficou estabelecida em 87.732 trabalhadores – a melhor dos últimos três anos, segundo a Suframa.

Dez segmentos aumentaram sua taxa empregos na comparação entre um ano e outro: relojoeiro, bebidas, metalúrgico, papel e papelão, editorial e gráfico, têxtil, mobiliário, ótico, brinquedos e ‘diversos’. Em contrapartida, o polo madeireiro foi o único a ficar estagnado no saldo de postos de trabalho. Majoritário também na mão de obra, o polo eletroeletrônico está entre os subsetores que perderam empregos (-0,78%) entre 2017 (36.198) e 2018 (35.916).

Crise e recuperação

“O ano de 2018 foi péssimo para a indústria: turbulento e marcado demais pela influência da política na economia. Esperamos uma recuperação em 2019, e já começamos a sentir alguma melhora em fevereiro. O crescimento deve vir mesmo em agosto, mas a base de comparação ainda é muito ruim”, ponderou o vice-presidente do Sinaees (Sindicato da Indústria de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares de Manaus), Celso Piacentini.

O dirigente questionou, contudo, a divisão entre eletroeletrônicos (divisões de vídeo e áudio e linha marrom em geral, além de poucos itens da linha branca) e bens de informática (celulares, tablets e computadores) e considera que a metodologia não espelha a realidade do segmento: “É tudo eletroeletrônico. Se somarmos os dois, teremos uma média mais próxima do real e veremos que os números foram menos piores do que parecem”, opinou.

O vice-presidente do Sindicato das Indústrias de Alimentação de Manaus, Pedro Monteiro, não soube estimar o motivo do crescimento das vendas do polo de produtos alimentícios, uma vez que nem todas as seis empresas listadas pela Suframa estão entre os 20 associados da entidade patronal.

“Atribuo os números ao aquecimento da economia, principalmente no final do ano. Mas, creio que 2019 será melhor ainda, devido ao crescimento potencial a partir da aprovação das reformas propostas pelo governo no Congresso. E, quando o consumo aumenta, nosso setor é um dos primeiros a reagir”, afiançou.

Na avaliação do superintendente da Suframa, Alfredo Menezes, os resultados devem ser comemorados, principalmente diante do novo momento do Brasil, focado na recuperação da competitividade do setor produtivo, na geração de empregos e na atração e ampliação de investimentos.

“O ano de 2018 registrou um novo marco em nossa série histórica de faturamento, que deixou para trás a sombra de uma terrível crise que se iniciou em 2014. Isso nos dá otimismo para 2019. Acreditamos que, no campo econômico, haverá espaço para um novo ciclo para os empreendimentos regionais”, concluiu.

 

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