Comércio Exterior

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Exportações do AM têm primeira alta do ano graças à reação argentina

Por Marco Dassori

08 Jun 2019, 09h57

Crédito: Pixabay

As exportações do Amazonas reagiram em maio e registraram sua primeira alta do ano. No mesmo período, o Estado contabilizou seu segundo mês seguido de incremento nas importações. Os dados foram extraídos da base do Mdic (Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços), disponível no portal Comex Stat.

Alavancadas pela reação argentina, as vendas externas subiram pela primeira vez em 2019, embora por uma margem pequena. O montante aumentou 1,63%, ao passar de US$ 50.84 milhões (2018) para US$ 51.67 milhões (2019). Não foi suficiente para evitar que o acumulado (US$ 273.65 milhões) ficasse 9,18% aquém da marca do mesmo período do ano anterior (US$ 301.31 milhões).

Melhor resultado veio das importações, que registraram acréscimo de 26,30%, com US$ 902.09 milhões (2019) contra US$ 714.22 milhões (2018). O que não impediu que as aquisições do Amazonas no estrangeiro no acumulado de 2019 (US$ 4.33 bilhões) seguissem no vermelho em relação ao registrado no mesmo período de 2018 (US$ 4.35 bilhões), com retração de 0,46%.

O incremento das exportações do Amazonas em maio se deveu principalmente à retomada das compras da Argentina. O país recuperou sua primeira posição no ranking, ao passar de US$ 9.78 milhões (2018) para US$ 11.40 milhões e avançar 16,56%. Encostada no segundo lugar veio a Colômbia (R$ 11.06 milhões), sendo seguida de longe pela Bolívia (US$ 3.45 milhões). Ambos os países aumentaram sua participação na lista, de um ano para outro.

Os produtos mais vendidos pelo Estado no exterior foram “preparações alimentícias não especificadas” (concentrados), que totalizaram US$ 11.24 milhões, com expansão de 60,34% sobre o mesmo período de 2018 (US$ 7.01 milhões). Motocicletas (US$ 10.23 milhões) despontaram na segunda posição, embora tenham reduzido as vendas em relação a maio do ano passado (US$ 12.17 milhões). Aparelhos de barbear ficaram em terceiro, com US$ 3.36 milhões.

Do lado das importações, os maiores fornecedores vieram da China (US$ 322.72 milhões), Estados Unidos (US$ 119.74 milhões), Vietnã (US$ 82.18 milhões) e Coreia do Sul (US$ 81.49 milhões). Os quatro países aumentaram seu volume de vendas para o Amazonas em relação a maio de 2018.

Os produtos mais adquiridos pelo Estado no mercado estrangeiro foram insumos industriais para o PIM e até mesmo manufaturados. A lista foi liderada por partes e peças para televisores e decodificadores (US$ 133.42 milhões), circuitos integrados (US$ 123.31 milhões) e celulares (US$ 71.10 milhões) – os valores deste último caíram em relação a 2018 (US$ 74.77 milhões).   

Reabastecimento ou colapso

Na análise do gerente executivo do CIN (Centro Internacional de Negócios) da Fieam, Marcelo Lima, os números de maio refletem o fortalecimento do comércio exterior do Amazonas com os países vizinhos, com a diversificação de destinos. Outro motivo apontado para a alta seria a retomada argentina para reposição de estoques em vias de finalização.

“A Argentina se recuperou porque os importadores de lá devem ter percebido que o abastecimento estava abaixo do normal e fomentaram a compra para evitar colapso. Colômbia e Bolívia pontuaram bem, mas o Equador deve subir de posições muito em breve e chegar perto do pódio, pois fechou hoje uma compra de US$ 2 milhões em concentrados”, adiantou.

Lima vê boas perspectivas comerciais a partir da reaproximação do Brasil com a Argentina, materializada pela visita do presidente da República àquele país, nesta semana. Outro motivo de otimismo citado pelo gerente executivo do CIN/Fieam, é a perspectiva de fortalecimento do Mercosul a partir de um acordo com a União Europeia.

Corredor de exportação

Marcelo Lima atribui o novo incremento das importações a um aquecimento das atividades do PIM para os próximos meses e observa que o Vietnã – que também adquire peixes do Amazonas – vem ganhando preferência entre os fornecedores preferenciais do Polo, ao mesmo tempo em que o Japão perde posições. Mas, o gerente executivo do CIN/Fieam não soube explicar o destaque dos celulares prontos na terceira posição da pauta de importados.

“Mesmo as empresas instaladas no Japão vêm comprando seus insumos da Coreia e não do próprio país. E a Zona Franca conta com mais de 30 fabricantes de componentes de origem nipônica. No caso dos celulares, acredito que pode ter ocorrido uma compra pelo corredor de importação, por motivos que não sei explicar. O volume é muito grande para ter sido uma aquisição do comércio de Manaus”, encerrou.

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