Trabalho

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Expectativa de emprego tem desaceleração, diz Ibre/FGV

Por Marco Dassori

10 Set 2019, 17h10

Crédito: Divulgação

O desempenho morno da economia faz com que as perspectivas de curto prazo para o mercado de trabalho brasileiro sejam de desaceleração na geração de empregos. O diagnóstico é do Ibre (Instituto Brasileiro de Economia) da FGV (Fundação Getúlio Vargas), em pesquisa divulgada nesta segunda (9), e que dividiu a indústria e o comércio do Amazonas.

Em junho, o IAEmp (Indicador Antecedente de Emprego) recuou 5,6 pontos e chegou a 95,5 pontos, retornando a patamar próximo ao de janeiro de 2017 (95,6). Foi a quarta queda consecutiva do IAEmp, que acumulou perda de 11,5 pontos no primeiro semestre, sinalizando continuidade da fase de desaceleração do ritmo de alta no saldo de pessoal ocupado no Brasil.

Por outro lado, o ICD (Indicador Coincidente de Desemprego), que tem sinal semelhante ao da taxa de desemprego, aumentou pelo segundo mês consecutivo. A variação foi positiva em 0,6 ponto, levando o índice a 97,1 pontos, mesmo nível de fevereiro deste ano. Ressalte-se que, neste tipo de mensuração, quanto maior o número, pior o resultado.

As classes que mais contribuíram para a alta do ICD foram as dos grupos de consumidores que auferem renda familiar mensal até R$ 2.100.00 e que estão acima de R$ 9.600,00, cujos indicadores de emprego (invertido) recuaram 3,6 e 1,4 pontos, respectivamente.

Todos os componentes do IAEmp registraram variação negativa entre maio e junho. Os indicadores que mais contribuíram para a queda foram os que medem a situação atual dos negócios nos setores da indústria de transformação e de serviços, com variações negativas de 9,7 e 9,4 pontos na margem, respectivamente.

Capacidade ociosa

O vice-presidente da Fiam e presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Manaus, Nelson Azevedo, concorda com o diagnóstico e ressalta que a capacidade ociosa das grandes indústrias do PIM ainda é estatisticamente levada para gerar o número de contratações que o Amazonas espera e precisa, em um momento de aparente recuperação das empresas.

“As perspectivas não são de queda ou de estagnação, mas de um crescimento mais lento. Há problemas, como a valorização do dólar, que encarece os insumos importados e tira competitividade da indústria. E ainda há incertezas e insegurança jurídica gerados por problemas políticos. Mas, a gente espera que as coisas aconteçam e o segundo semestre deve ser melhor”, ponderou.

Calendário de eventos

Já o presidente em exercício da Fecomercio-AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas), Aderson Frota, discorda e destaca que o varejo vai contar com um calendário de eventos com força suficiente para incrementar as contratações nos próximos meses, principalmente após a demanda ganhar o reforço dos adiantamentos de FGTS e 13º salário.

“Teremos a Black Friday, que já vem se institucionalizando por aqui nos últimos anos, além do Dia das Crianças, que movimenta os segmentos de brinquedos, confecções e eletrônicos. Na sequência, teremos o Natal, que é o pico da nossa atividade. E a Semana do Brasil já traz bons resultados para o setor. Além disso, o governo está pressionando os bancos a negociar e reduzir as taxas de inadimplência”, afiançou.

Baixa renda

Na análise do economista da FGV/Ibre, Fernando de Holanda Barbosa Filho, os números da pesquisa mostram perda de confiança do mercado, já que a atividade econômica mais fraca observada pelos indicadores de desempenho no primeiro semestre refletiriam uma situação atual e futura dos negócios mais difícil para as empresas, com reflexos nas expectativas de contratações. 

“A taxa de desemprego ainda elevada e a recuperação mais lenta da atividade econômica se refletem nos indicadores. (...) A situação atual do mercado de trabalho continua difícil, principalmente para as classes de baixa renda”, encerrou.

 

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