Varejo

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Expectativa de alta no consumo para o varejo no fim do ano

Por Marco Dassori

28 Ago 2019, 12h05

Crédito: Divulgação

As perspectivas de aumento no consumo detectadas pelo indicador de ICF (Intenção do Consumo das Famílias), apurado pela CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo) e divulgado nesta terça (27), animaram o comércio varejista do Amazonas.

O indicador apresentou recuperação em agosto ao subir 1,8% diante de julho. Com a alta, a intenção de compras atingiu 91,4 pontos, revertendo tendência de queda iniciada em março deste ano. A propensão de gastos praticamente se estabilizou em comparação com dezembro do ano passado (91,2 pontos) e subiu 6,8% em relação ao mesmo período de 2018 (85,6 pontos).

Na análise da entidade, a alta de agosto se relacionou principalmente com as variações positivas nos subíndices Perspectiva de Consumo (+4%) e Momento para Aquisição de Bens Duráveis (+2,4%), bem como com o subindicador de Renda Atual (+1,9%).

“O maior otimismo das famílias na programação de seus gastos reflete o cenário de mudanças na economia, com medidas que apontam um período de crescimento sustentável gradual do país. Uma possível melhora no nível de endividamento e a possibilidade dos saques nas contas do FGTS e do PIS/Pasep estão estimulando decisões de compra a prazo”, avaliou o presidente da CNC, José Roberto Tadros, no texto postado no site da entidade. 

Os indicadores Renda Atual e Emprego Atual (+0,8% em relação a julho) apresentaram-se como os mais altos do ICF de agosto: 108,8 e 116,1 pontos, respectivamente. O economista da CNC Antonio Everton Junior observa que o aumento do otimismo em relação às compras ocorreu em todas as faixas de renda e regiões do Brasil, graças à “estabilidade relativa dos preços e uma melhora gradual no mercado de trabalho”.

Apesar do ensaio de retomada, o ICF tem permanecido abaixo de 100 pontos, zona considerada de insatisfação, desde abril de 2015, quando chegou aos 102,9 pontos. Em agosto, a insatisfação das famílias manifestou-se em quatro itens do ICF, como Compra a Prazo (85,7 pontos), Nível de Consumo Atual (71,9 pontos), Perspectiva de Consumo (91,0 pontos) e Momento para Duráveis (62,6 pontos).

“Medidas paliativas”

“A primeira parcela do 13º, o FGTS e o PIS/Pasep são boas iniciativas para estimular o consumo no curto prazo e permitir que o consumidor inadimplente tire o nome do Serasa e do SPC. Mas, ainda são medidas paliativas”, avaliou o presidente da ACA (Associação Comercial do Amazonas), Ataliba David Antônio Filho.

Para o dirigente, medidas anticíclicas como as citadas são bem vindas e devem contribuir para que o setor feche no azul em 2019. O presidente da ACA salienta, contudo, que as iniciativas devem correr em paralelo com as reformas no Congresso, que devem contribuir para reduzir os entraves estruturais da economia, sendo vitais para que o crescimento se sustente a partir do próximo ano.

“O comércio ainda depende muito de datas comemorativas para respirar. E temos que lembrar que, independentemente disso, vamos enfrentar os efeitos de uma crise global que está se avizinhando em decorrência das guerras tarifárias entre os Estados Unidos e a China. Temos que estar preparados para reduzir nossas perdas nesse cenário”, alertou o presidente da Aca, Ataliba David Antônio Filho.  

“Relativa calmaria”

Na mesma linha, o presidente em exercício da Fecomercio-AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas), Aderson Frota, diz que o setor já vem percebendo uma relativa melhora ambiente de negócios e na percepção do consumidor em virtude do encaminhamento das reformas e de uma maior sintonia do governo federal com o Congresso, mas avalia que o Dia dos Pais pode ter ajudado na melhora do ICF.

“As pressões do BC junto aos bancos para redução do custo do dinheiro são positivas para reduzir a inadimplência, que ainda está alta, e dar um alento ao varejo. A confiança está sendo retomada e, se tivermos uma certa calmaria nos próximos três meses e o consumidor continuar respondendo, podemos ter um resultado positivo. Mas dificilmente chegaremos aos 5% projetados antes”, encerrou.


 

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