Opinião

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Eu indiscreto

Quanto à anistia de militares da PM do Espírito Santo, os "rebeldes" não são bandidos

Por João Suzano

25 Fev 2019, 16h34

Crédito: Divulgação

Rio de Janeiro. Cidade Maravilhosa. Não cansarei de cantar minha Terra Natal. Há muito não te via. Saudades. Vivendo e aprendendo. Abro a primeira folha do jornal que ainda julgo reunir as maiores condições técnicas para ser o melhor do Estado. De pronto, me deparo com quatro editoriais, com abordagens diferentes, mas de mesmo cunho: a política e suas nuances.

No primeiro deles, do próprio editor, assim entendi, dois assuntos chamaram minha atenção: a dita mudança da Embaixada do Brasil para Jerusalém e a anistia aos policiais Militares (PM), por greve deflagrada em passado recente no Estado do Espírito Santo.

Sobre a mudança da Embaixada, afirmou que a declaração do Presidente do Brasil causa prejuízo à exportação de frangos para os países em confronto com Israel. Perdoe a discordância quase total deste inculto aos argumentos apresentados pelo honrado editor.

A castração econômica decorrente de um posicionamento político, em contraposição aos ditames da soberania das decisões de um país, reconhecido mundialmente como tal, seria radicalismo puro, ao qual também estaríamos sujeitos a qualquer época, quaisquer que fossem as decisões por nós tomadas. Até bem pouco tempo estávamos em situação diametralmente oposta e os negócios com o mundo capitalista somente não vingou melhor por escolha nossa, reconheçamos, bastante unilateral.

Importa é tecer acordos econômicos bilaterais, sem viés político-partidário, deixando em aberto a seguinte dúvida: caso a afirmação se torne verdadeira, eles terão condições de fechar o mercado de frangos para o Brasil e buscar o produto em outro país? E mais: existe demanda nesse outro local, suficiente para o atendimento? O jogo político deve ser jogado por profissionais competentes e o fato de ser politicamente amigo de uns, necessariamente não implica colocar-se como inimigo de outros.

Quanto à anistia de militares da PM do Espírito Santo, os “rebeldes” não são bandidos, mas cidadãos cujas vidas encontram-se em permanente risco para defender a integridade do cidadão e o seu bem-estar. Considerar tal decisão como “risco de precedentes” é ser, no mínimo, inocente, incoerente, ou, talvez, tendencioso. Os Policiais Militares não interditaram estradas importantes; não atearam fogo em pneus a fim de paralisar o trânsito nas ruas da cidade nem fizeram uso da violência sem limites.

Por acaso há que se preferir a calamidade que nos foi deixada em todos os setores, incluindo, principalmente, segurança pública, onde o nosso protetor legalmente constituído vivia algemado, inseguro e sem garantias? Óbvio que os abusos devem ser reprimidos, mas a acusação simplória de culpabilidade da autoridade policial coloca em dúvida a nossa inteligência e a nossa paciência, afetadas por um odor de parcialidade indesejável.

Na mesma página do editorial, vejo Fernando Gabeira, possuidor de um vasto histórico de militância política, apascentada pelo tempo, pela experiência e pelas pancadas da vida, que lhe trouxeram a brandura da reflexão e lhe permitiu crescer verdadeiramente. Ele fala de uma afirmação que atribui ao Chanceler Ernesto Araújo, de que, em seu entender, “Aquecimento Global é invenção do Marxismo Global” e do Decreto do Presidente em exercício, General Mourão, que permite ao segundo escalão do governo a definição do grau de sigilo das mensagens oficiais, o que, a seu ver, prejudica a transparência necessária a qualquer governo.

Com todo o respeito, caro Gabeira, entendo que a afirmação atribuída ao Chanceler, e aí me atenho aos termos da afirmação, não a quem a fez, peca somente pela imputação ao Marxismo Global, a não ser que o primeiro dos dois termos seja um aforismo para representar um globalismo instituído sem fronteiras éticas, em benefício de um grupo ideologicamente definido. “Aquecimento Global”, segundo um editorial que li há algum tempo, tem a chancela de alguns cientistas que desenvolviam um projeto, ficaram sem recursos para prosseguir e resolveram “criar”, para manter o patrocínio. Percebemos, assim, pelo menos um contraponto.

Do pouco que entendo do assunto, por ser Meteorologista e ter estudado um mínimo, o que temos de verdadeiro no “Sistema Universo” é um mistério para todos nós, cientistas ou não. Tudo deve ser cuidadosa e criteriosamente avaliado. A título de exemplo, na década de 1970, cientistas do mundo evoluído fizeram alarde do que chamaram congelamento total das calotas polares, com tendências, esta sua visão de momento, a alastrar-se por toda a Terra. Hoje, o foco atinge o Aquecimento Global.

Se observarmos ao nosso redor com a devida atenção, e isto digo eu, veremos que todo o processo existencial obedece, criteriosa e matematicamente, a uma evolução senoidal, com picos de máxima e de mínima. Em 1970, resfriamento das calotas polares. Hoje, aquecimento global. Óbvio está que não devemos maltratar a natureza, mas, certamente, algumas das nossas missões na Terra são aprender, pesquisar e progredir, caso contrário ainda estaríamos de tanga, ou mesmo sem elas.

Quanto aos documentos sigilosos, não se preocupe, caro jornalista, eles existiram, existem, existirão, e é fundamental que assim seja. Quanto à definição do seu grau, entenda: se o Presidente avocar para si o problema, será concentração de poder e ato ditatorial; quando delegar, ferirá a transparência. Sinuca de bico? Xeque-mate? Em absoluto: é coisa milenar, funciona assim e precisa funcionar assim.  É a conhecida descentralização dopoder.

EU INDISCRETO – Parte 2

Nos quartéis existe o termo “bizu”. Na internet, temos o assemelhado “fake”. Ambos podem ou não constituir verdade. O assunto sigiloso, sem sigilo, seria transformado em “bizu ou fake”, em mãos inescrupulosas. Quanto aos eleitores do Presidente, preocupe-se menos ainda, eles respeitam o Fernando Gabeira ponderado de agora, que se fez respeitado, e não ficarão zangados com os seus comentários. Simplesmente concordarão ou discordarão deles, pois o respeito por ele desfrutado assim subsiste por conquista pessoal, não por imposição.

Cristóvão Buarque. Senador não reeleito. Respeitado. Ficha limpa. Nosso caro Senador, assim o conheço, falou sobre armar o cidadão, em raciocínio comparativo com a ilusão milenar de um Planeta Terra PLANO, desmoronada pela constatação científica do arredondamento da nossa Nave Mãe.

Seus argumentos, bem colocados, representaram o famoso “tiro no pé”. Ter arma em casa induzirá o bandido ao assalto para tomá-la? Todos sabemos que ocorre o contrário: a porta aberta permite a invasão indiscriminada. O marginal que assalta residências não usa arma pesada. O cidadão treinado saberá defender-se. A sua afirmação tende à inocência primária não admissível em quem se fez importante no âmbito do poder até bem pouco tempo instituído.

Quanto à Maioridade Penal, vossa senhoria apela para soluções pacíficas, educação com qualidade, sem armas e sem rancores. Essa é a FILOSOFIA cantada pelos que pensam da mesma forma que Vossa Excelência e que, durante quase trinta anos de poder, deixaram o país na situação em que se encontra. Paz e amor, AGORA? SIM E SEMPRE. Mas não da forma maldosamente imposta ou, “sejamos complacentes” e perversamente equivocada, que os seus parceiros instituíram.

O que está posto para ser cobrado são as responsabilidades de TODOS, com amor e paz, sim, mas nos limites e ditames de uma nova imagem da lei: a verdadeira face. O homem de bem se viu massacrado e os que a transgrediam eram protegidos por subterfúgios estapafúrdios. Os filosoficamente alinhados a Vossa Senhoria entregaram ao povo um país falido, moral e economicamente, justamente por terem a visão PLANA e radical de um planeta arredondado.

Vossa Excelência diz preferir soluções SIMPLISTAS para as agruras pelas quais passa o Brasil, um país que, a um só tempo, paradoxalmente, chama de COMPLEXO? Suas preferências e de seus paresbeiram ao obtuso e ao maledicente, e prefiro entender que, simplesmente, por partidarismo corporativista, defenda os interesses dos seus assemelhados. Poupe-nos, caríssimo Senador.

Finalmente, deparo com a para mim desconhecida Fernanda Young, perdoem a imensa ignorância deste carioca que há vinte e dois anos desfruta das belezas amazônicas. Trata ela como inconcebível, em visão particularíssima, um Brasil sem furacões, terremotos, um país do carnaval e do funk, da depilação total e glúteos à mostra, da irreverência, das “frangas soltas” e da liberdade, ceder lugar a valores tradicionais e conservadoristas, limitadores de ideias novas.

Perdoe-me, cara senhora. Opta pelo que estava posto? Prefere o Brasil de pouco tempo atrás, sem fenômenos naturais violentos, imerso num mar desses “atributos culturais” a que se referiu, transformado em chacota, piada mundial relegada aos últimos lugares na classificação em pesquisas sobre algo positivo e elevada ao topo nos atributos negativos?

Duas ou três gerações perderam-se no sem fim da ignorância e da má formação. A corrupção assenhorou-se da vida pública e bom número de nossos políticos e homens do poder transformaram-se em mola propulsora desse verdadeiro descalabro. O país afundou no atoleiro de areia movediça, ouso repetir.

Perdoe por uma vez mais, dileta senhora. Por acaso, julga que integridade, honestidade, valores éticos e morais são inibidores de ideias novas? Se assim pensa, veementemente desejo discordar, movido por toda a minha ignorância e insensatez. Os países mais desenvolvidos do mundo conquistaram tal condição possuírem valores éticos e morais arraigados.

Precisamos, com urgência, resgatar nossos valores tradicionais para reconduzir o país aos trilhos de onde jamais deveria ter sido tirado. Indispensável se faz proteger o cidadão de bem, encaminhar nossos jovens nas estradas do conhecimento, da cultura e dos valores de maior relevância.

Iniciamos um recomeço de resgate do orgulho pela nossa NAÇÃO, pela nossa PÁTRIA, para ombreá-la às grandes Nações do mundo, sem descuidar dos direitos e obrigações, como também da cobrança àqueles que delegarmos competência, pelo VOTO, para nos representar. 

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