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Endividamento e inadimplência crescem em Manaus, aponta CNC

Por Marco Dassori

09 Out 2019, 07h06

Crédito: Divulgação

O percentual de famílias de Manaus que se dizem endividadas subiu pelo segundo mês consecutivo em setembro, superando com folga a média brasileira. A inadimplência local também bateu o número nacional, mas seguiu trajetória inversa e encolheu no período. 

A informação está na Peic (Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor), realizada pela CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo). A sondagem levou em conta a quantidade de famílias com dívidas contraídas com cheques pré-datados, cartões de crédito, carnês de lojas, empréstimo pessoal, compra de imóvel e prestações de carro e de seguros.

Na sondagem, 78,8% das famílias ouvidas se dizem endividadas, percentual acima dos de agosto de 2019 (77%) e de setembro de 2018 (64,7%). Foi o maior número desde abril deste ano (79,8%), quando a taxa começou uma trajetória descendente, até julho (75,3%). Em âmbito nacional, o indicador avançou pela nona vez seguida e pontuou 65,1% – contra 64,8% em agosto e 60,7% em setembro de 2018 –, no maior resultado desde julho de 2013.

O índice de inadimplência em Manaus, por outro lado, recuou um pouco entre agosto (38,6%) e setembro (36,3%), embora esteja significativamente superior ao de 12 meses antes (32,3%). O problema é muito mais frequente nas famílias que ganham até dez salários mínimos mensais (52%) do que entre aquelas que recebem remuneração superior a essa (12,7%).

Em contraste, a faixa das famílias brasileiras com contas ou dívidas em atraso subiu de 24,3% para 24,5% na variação mensal e também foi maior do que o de setembro de 2018 (23,8%). Na faixa de menor renda, o percentual cresceu de 27,4% em agosto para 27,6% em setembro. Em contrapartida, no grupo com renda superior a dez salários mínimos, o número de inadimplentes caiu em setembro (10,8%) em relação a agosto (10,9%).

Em Manaus, 19,4% das famílias declararam não ter condições de pagar suas contas ou dívidas em atraso no mês passado, número menor do que o de agosto de 2019 (20,1%) e maior do que o de setembro de 2018 (16,6%). Em nível nacional, essa fatia aumentou na comparação mensal – de 9,5% para 9,6% –, mas recuou na comparação com setembro do ano anterior (9,9%).

A boa notícia é que, entre as famílias manauenses ‘penduradas’ por compromissos financeiros, a maioria (32,3%) se diz “pouco endividada”, mas 25,4% se assumem como “muito endividados”. Na média brasileira, o percentual dos “muito endividados” ficou estável em relação a 2018, assim como a parcela média da renda comprometida com dívidas. O grupo dos “pouco endividados” saltou de 23,5% para 28%, na mesma comparação.

Cartão de crédito

Em Manaus, assim como na média nacional, o maior vilão do endividamento e da inadimplência segue sendo o cartão de crédito. Em nível local, 61,7% das famílias apontaram esse meio de pagamento como responsável pela situação, principalmente aquelas que contam com remuneração acima de dez salários mínimos (87,3%) – contra as 59,2% das que ganham menos. No Brasil, o índice de famílias ‘penduradas’ no cartão de crédito é de 79,5%, mas o problema é maior entre os que ganham menos (80%).

Carnês (42,5%) comparecem na segunda posição entre os meios de pagamento responsáveis pelo endividamento em Manaus, em especial nas famílias que ganham até dez mínimos (45,1%) em detrimento das que recebem mais (15,5%). No Brasil, a modalidade respondeu por 15,5% dos compromissos, em média.

Crédito pessoal (7,1%), “outras dívidas” (4,6%), crédito consignado (4,5%), financiamento de carro (4,4%), financiamento de casa (2,8%) e cheque especial (0,4%) ficaram nas posições seguintes. No Brasil, financiamento de carro (9,7%) foi o terceiro maior motivo para o endividamento das famílias.

Juros e FGTS

O presidente em exercício da Fecomercio-AM, Aderson Frota, lamentou os números da pesquisa e salientou que, enquanto o número de pessoas negativadas continuar elevado e crescendo, não será possível ao varejo em particular e à economia em geral retomar a trajetória de alta. Boa parte desse problema, conforme o dirigente, se deve à relutância dos bancos reduzirem juros e negociarem com a clientela.

“Infelizmente, as quedas seguidas na taxa básica de juros da Selic não estão chegando ao consumidor. Na próxima reunião da diretoria da CNC, vou fazer um pleito para que a entidade interceda junto à Febraban [Federação Brasileiras de Bancos], ao Banco Central e ao Ministério da Economia nesse sentido. As instituições financeiras têm que ser parceiras nesse processo e não um obstáculo ao crescimento da economia”, arrematou Aderson Frota.

Já o presidente da CNC, José Roberto Tadros, destaca, no texto divulgado pela assessoria de imprensa da entidade, que a despeito de o aumento nos atrasos, as famílias brasileiras se mostraram, na comparação anual, mais otimistas em relação à capacidade de pagamento: “A perspectiva de renda extra com os recursos do FGTS ajuda a explicar esse resultado”, concluiu.


 

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