Opinião

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Emprego em pleno desemprego

O sistema da educação pública do Brasil já teve modelos não apenas adequados como altamente eficientes

Por Orígenes Martins

16 Mai 2019, 11h50

Crédito: Divulgação

A análise econômica, assim como a própria atividade econômica é algo que necessita ser realizado com bastante atenção, profissionalismo e abrangência que esta área exige. Os três contextos que envolvem a Atividade Econômica, Atividade Política e o Processo Social, não podem nem devem jamais acontecer de forma isolada ou conflitante como está acontecendo no atual cenário brasileiro. É uma pena que em nosso país, após a promulgação da Constituição de 1988, quando se propagou tanto a mudança do Brasil para um patamar de modernidade, de crescimento em todos os níveis entre outras coisas, o que se viu foi exatamente o inverso.

Entre esses inversos mais negativos, o nosso processo político que sempre teve esta característica presidencialista, chegou a ter uma proposta de mudança pelos Constituintes para um processo parlamentar. No entanto pelo menos a nível jurídico, a mudança de sistema não foi aceita e o presidencialismo foi mantido na constituição. O que pergunto no entanto para qualquer defensor desta carta que a mim jamais convenceu, é como classificar um sistema político composto de quarenta partidos, onde um grupelho de pequenos partidos pode se juntar para simplesmente brecar qualquer projeto do governo, independente de ser bom para o país. Estamos vivendo na verdade o que podemos classificar como um verdadeiro FALSO PARLAMENTARISMO NEGATIVISTA, onde a linha que já existia de políticos que só valorizam seus aspectos partidários e de interesse pessoal, apenas se fortificou.

Em um período tão difícil e complicado em que nosso país enfrenta um desemprego que atinge 14 milhões de pessoas e nosso estado abrange quase 300 mil desses cidadãos, fica bastante complicado enfrentarmos ofertas de vagas em empresas onde, o que é bem pior, não se consegue profissionais para atender à demanda.

Temos neste fato um problema de ordem econômica e de fator social interligados e diretamente influentes nos aspectos históricos e políticos de nosso país. O problema todo neste caso, quando tanto se reclama da falta de emprego, é quando se ofertam empregos, porém não existem pessoas QUALIFICADAS para atender às necessidades das empresas. Do ponto de vista político, temos de fazer uma análise dos últimos tipos de gestão pública que nosso país enfrentou, onde a EDUCAÇÃO foi colocada de lado principalmente no quesito referente à qualidade de formação profissional.

Em termos econômicos, quando além do desemprego tão alto, absurdo mesmo temos o processo educacional desbaratado enquanto se discute um corte de verbas que além de não ter sido único, pois já vem ocorrendo nos últimos governos, vem mostrar a desarrumação completa em que ficou o sistema econômico de nosso país.

O sistema da educação pública do Brasil já teve modelos não apenas adequados como altamente eficientes, como eu citaria o das Escolas Técnicas Federais do Brasil, que além da qualidade de ensino técnico eram disputadas com mais ênfase que qualquer faculdade. Há alguns anos, precisamente no ano de 2008, este sistema de ensino técnico público foi simplesmente desativado e a oferta de profissionais qualificados principalmente para as indústrias foi afetada brutalmente. Gostaria de lembrar que pelo período do fechamento, ficam totalmente sem base os radicais que tentam culpar o governo atual pela destruição do ensino público brasileiro.

Para salvar nosso país tanto a nível social quanto em termos econômicos é extremamente urgente rever o processo educacional de nosso país, o que inclui necessariamente uma mudança nos modelos de investimento e gastos públicos. Atualmente o gasto com educação em nosso país não chega nem perto do que se gasta com os aposentados que recebem as aposentadorias mais caras do Sistema Previdenciário Brasileiro, que por si só já é uma injustiça social.

Temos então que desemprego é algo que depende de muitos fatores porém a capacidade política de assumir que o bem do país e do povo é mais importante que as vantagens partidárias e pessoais, certamente deveria vir em primeiro lugar. SE ISTO NÃO ACONTECER, VAI DEMORAR PARA GERAR NÃO APENAS OS EMPREGOS NECESSÁRIOS, COMO TAMBÉM A DIGNIDADE QUE NOSSO POVO MERECE.

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