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Emprego abaixo da média no interior amazonense, diz Caged

Entre as 20 localidades do interior do Estado listadas pelo Caged - de um total de 61 - dez registraram variações negativas na passagem de fevereiro para março

Por Marco Dassori

04 Mai 2019, 12h54

Crédito: Divulgação

Um número considerável de municípios do Amazonas ficou abaixo da média registrada pelo Estado em março de 2019, em termos de geração de empregos com carteira assinada. Os dados foram extraídos do mais recente levantamento do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados).

Na média, o Amazonas aumentou em 0,04% o saldo de postos de trabalho entre fevereiro e março (+182), elevando em 0,37% os resultados do trimestre (+1.638), e em 1,72% a diferença entre admissões e desligamentos no comparativo de 12 meses (+7.424).

Na capital, os números foram positivos nos três cenários. Houve incremento de 0,02% na variação mensal na quantidade de vagas (+76) e de 0,30% no acumulado (+1.258). Em 12 meses, Manaus aumentou em 1,52% seus postos de trabalho (+6.217), já que as contratações (+128.213) superaram as demissões (-121.996).

Mas, entre as 20 localidades do interior do Estado listadas pelo Caged – de um total de 61 – dez registraram variações negativas na passagem de fevereiro para março: Boca do Acre (-0,88%), Borba (-0,63%), Careiro (-0,91%), Coari (-0,67%), Eirunepé (-0,88%), Fonte Boa (-6,67%), Humaitá (-0,81%), Manicoré (-2,03%), Maués (-1,46%) e Tefé (-0,29%). Humaitá (-15) foi a cidade que mais cortou empregos em números absolutos, enquanto Manacapuru (+277) foi a que mais gerou.

Na comparação com os números registrados pelo Caged em março de 2018, o número de municípios demissionários caiu para sete na sondagem mais recente. A lista inclui Careiro (-8,40%), Coari (-4,18%), Eirunepé (-4,56%), Iranduba (-11,22%), Manicoré (-1,36%%), Maués (-3,85%) e Tefé (-1,85%). Em números absolutos, as maiores perdas foram sentidas em Iranduba (-243 vagas). Em contrapartida, a vizinha Manacapuru (+486) gerou o maior saldo positivo do interior nessa comparação.

No acumulado do trimestre, a quantidade de municípios com saldo negativo também foi sete: Borba (-1,26%), Careiro (-9,17%), Coari (-1,70%), Fonte Boa (-1,75%), Humaitá (-1,18%), Iranduba (-2,78%), Maués (-1,17%). Lábrea foi o único município a pontuar estabilidade (0%) neste cenário, assim como em toda a lista do Caged. Manacapuru (+277) e Iranduba (-55) registraram, novamente, o maior contraste na criação de empregos nesta comparação.

Administração e agropecuária

Carente de comércio e serviços e praticamente sem indústrias, o interior amargou resultados negativos em virtude do mau desempenho da administração pública e da agropecuária, as duas atividades econômicas de maior peso nos municípios em questão.

A administração pública foi o único setor a amargar números negativos em todas as comparações. Na variação mensal (-0,01%), houve duas admissões e três desligamentos, gerando a eliminação de uma vaga – resultado idêntico ao registrado em 12 meses (-0,01%). No trimestre (-0,23%) o saldo foi negativo em 27 vagas.

A agropecuária, por sua vez, cortou 35 postos de trabalho entre fevereiro e março de 2019 (-0,91%), e 506 no acumulado. Em 12 meses, contudo, as admissões (+2.201) superaram os desligamentos (-2.159) em 42 vagas, gerando variação positiva de 1,11%.

Olarias e loteamentos

O prefeito de Iranduba, Francisco Gomes – também conhecido como Chico Doido –, avalia que o município está sofrendo o efeito do desmonte do polo oleiro nos últimos anos, além da perda de espaço da agricultura para loteamentos para construção residencial.

“As olarias empregavam muita gente, mas chegamos a perder 30% delas em tempos recentes, em função de problemas ambientais no processo produtivo e do aumento do preço do tijolo. No caso dos loteamentos, muita gente está preferindo vender terra a investir na agricultura. O aumento da oferta foi tão grande, que estamos investigando para ver se há alguma irregularidade”, comentou.  

Nova matriz

Prefeito de Autazes – um dos municípios a pontuar positivamente em todos os cenários – e também ex-presidente da AAM (Associação Amazonense dos Municípios), Andreson Cavalcante, lembra que o corte de vagas na administração pública pode ter ocorrido em virtude de aposentadoria, pedido de exoneração, repactuação de contratos, além da demissão propriamente dita.

“Nosso interior tem potencial em vários segmentos, como turismo, exploração mineral e biotecnologia. Por isso, defendemos a criação de uma nova matriz econômica que fomente a geração de emprego e renda no Estado, respeitando os diferenciais de cada localidade”, defendeu.

O Jornal do Commercio procurou ouvir também o prefeito de Maués e atual presidente da AAM, Junior Leite, mas não recebeu resposta até o fechamento desta matéria.

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