Opinião

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Educação, transformação e civismo

A escola precisa traduzir práticas diárias de partilha das descobertas, influenciadas por experiências

Por Gina Moraes

08 Abr 2019, 11h50

Crédito: Divulgação

Que papel fundamental tem a educação na transformação social? Muitos países se debruçam sobre essa questão quando se dispõem a relacionar a construção do futuro com uma educação voltada a fortalecer os valores da solidariedade, o respeito ao outro e às leis, às diferenças de credo, etnia e opções afetivas e homoafetivas. Assim tem chamado a atenção da Comunidade Acadêmica Internacional o padrão educacional do Canadá, o país mais procurado por quem  busca qualidade e competência em termos educacionais. Vejamos a Universidade de Toronto,  na província de  Ontário, que se dedica a promover uma comunidade acadêmica, na qual a aprendizagem e a erudição de todos os membros possam florescer com proteção vigilante para os direitos humanos individuais e  comprometimento resoluto com os princípios da igualdade de oportunidades, equidade e justiça.

Nesse contexto de referencial pedagógico, ganha muito destaque a presença da educadora canadense Nancy Eliott, dirigente da Nancy Campbell Academy, do Canadá, também da Província de Ontário, interessada em conhecer experiências educacionais em nossa região. Ela pretende não só conhecer, mas também revelar, em sua passagem por Manaus, as metodologias adotadas em seu país e, em particular, em sua Instituição de Ensino. Temos, portanto, a oportunidade de conhecer, novas modulações de ensino e civismo, que preparam os jovens para a tarefa de fazer do mundo um lugar melhor para se viver, compartilhar e, por isso, crescer na direção do bem comum.

Em seu compromisso com as autoridades educacionais, Nancy teve contato com alguns experimentos bem-sucedidos em nossa terra, como as Escolas Djalma Batista e Josefina de Melo, com tradição bilíngue português-japonês, como experiência de percepção de outras culturas e, nelas, o exercício de cidadania adotado tem como objetivo formar cidadãos que aprendem a encontrar propósito por meio do serviço, além de promover a compreensão e o respeito entre as crenças e culturas para formação de uma sociedade global positiva.

Essa presença, as visitas e os debates fizeram-nos acreditar em uma luz no fim do túnel, um sentimento que nos remete a pensar na Educação como ferramenta de transformação e civilização. Óbvio que o desafio exige mutirão dos atores do tecido social, com foco na educação como exercício de transformação social. Nesse cenário, a Escola precisa traduzir práticas diárias de partilha das descobertas, influenciadas por experiências na mesma direção. Não diremos, aqui, que educação é uma panaceia para todas as mazelas do País. Precisamos de reformas estruturais e simultâneas. A escola, como prática de civismo, tem seus embaraços, no entanto, mesmo diante de todos os limites, ela é vetor de um um mundo mais solidário, justo, onde se possa exercer o exercício da cidadania e dele usufruir.

Pensar no planeta como nossa casa comum e crescer atento às condições de vida e de ensino de outros países, de outras realidades mais hostis, sem respeito à dignidade das pessoas. A Nancy Campbell Academy adota essa visão de mundo, além de nossa percepção acomodada. Intercambiar experiências, se levados a sério os compromissos, essa troca de valores e práticas cívicas pode vir a constituir degraus sólidos na conquista de um novo padrão civilizatório, mais fraterno e mais participativo.

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