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É dia de feira em área nobre de Manaus

As feiras com produtos regionais e artesanais estão se tornando um segmento forte na economia de Manaus

Por Evaldo Ferreira

23 Mai 2019, 18h07

Crédito: Evaldo Ferreira

As feiras com produtos regionais e artesanais estão se tornando um segmento forte na economia de Manaus. Não por acaso surgem por toda parte, em espaços ociosos de shoppings, supermercados e órgãos públicos, conquistando um público fiel que busca produtos produzidos, na maioria das vezes, pelo próprio feirante.

A mais recente delas é a Feira da Sead (Secretaria de Administração), no Aleixo, que teve sua primeira edição há dois meses e, desde então, todas as quintas-feiras, das 7h ao meio-dia, tem se repetido na lateral coberta do prédio, próximo ao estacionamento.

Uma referência da Sead, que ocupa o prédio desde novembro passado, é que no local funcionou a cervejaria Haus Bier.

“Começamos a fazer essa feira em outubro do ano passado, quando a Sead ainda ficava na av. Mário Ypiranga Monteiro. O objetivo era dar aos servidores, e aos moradores da região, a oportunidade de adquirir produtos de feira como pé de moleque, tapioca, sucos regionais, pães caseiros e coisas do tipo”, explicou Fátima Alencar, gerente de Valorização da Sead.

“O problema do espaço que tínhamos lá era ele ser numa área descoberta e havia o sol e a chuva para atrapalhar, então paramos por um tempo. Quando mudamos para cá, em novembro, verificamos que tínhamos esse espaço que parece ter sido feito para a feira, e ela voltou a acontecer”, disse.
“Começamos timidamente, com poucos feirantes e atendendo somente aos servidores, mas a cada nova edição, outros feirantes estão sendo integrados ao grupo e as pessoas da região cada vez estão vindo em maior número conhecer e comprar os produtos da feira. Hoje estamos com doze estandes, mas acredito que aqui dê uns 50”, comemorou.

100 pães por feira
Rosângela Souza começou vendendo pães artesanais para uma empresa, mas logo ela mesma aprendeu a fazê-los e hoje continua a vender os pães da empresa e os dela, numa variedade incrível de sabores.

“Todos sem conservantes e sem lactose. Não precisam de conservantes porque todos que eu trago, eu vendo”, revelou.

Rosângela está na Feira da Sead desde o começo e é a responsável por contatar e trazer outros feirantes para o espaço. Além desta feira ela também participa das feiras da ADS (Agência de Desenvolvimento Sustentável do Amazonas) no estacionamento do Manaus Plaza e no Frigorífico Vitello, no Parque Dez.

“Costumo trazer 100 pães para cada feira, com preços que variam de R$ 8, a R$ 10, e vendo todos”, afirmou.

Alrenice Silva é do segmento de artesanato, no caso dela direcionado para acessórios utilizados na cabeça como laços, travessas, tiaras, fitas, porta laços, e ela já está pensando em começar a produzir chapéus.

“É a primeira vez que participo de uma feira e esta oportunidade surgiu para mim como um ganho extra. Há um ano pesquisei na internet algo que pudesse fazer artesanalmente e descobri esses acessórios para a cabeça. Aprendi com tutoriais na própria internet e fui convidada a estrear o segmento de artesanato aqui na Feira da Sead. Não pensei duas vezes”, contou.

Os acessórios de Alrenice custam entre R$ 5, e R$ 15, e ela está vendendo uma média de dez unidades por feira.
 
Direto de Rio Preto da Eva
O casal Airton Santos e Jocilene Rodrigues trabalha junto em seu sítio, na comunidade Alto Rio, em Rio Preto da Eva, e em três feiras em Manaus: no supermercado Vitória, no shopping Ponta Negra, e agora na Sead. Em dias de feira eles saem de Rio Preto às 3h e por volta das 6h já estão em Manaus trazendo pés de moleque, goma, tapioca e tucumã, produzidos no próprio sítio.

“No Vitória adquirimos os demais produtos para enriquecer o café da manhã regional que servimos nas feiras: ovos, queijo coalho, banana”, explicou Airton.
“Somos só nos dois mesmo que trabalhamos lá e aqui. Temos duas filhas, mas ainda são pequenas”, completou Jocilene.

Assim que acaba a feira da Sead, por volta de meio-dia, Airton e Jocilene pegam seu veículo e partem de volta para casa.
“Vale mesmo, participar dessas feiras. Faturamos uns R$ 500, em cada uma delas”, falou.

Gil Nunes deu até nome para seu produto: ‘Açaí Legal do Gil’. Participando das feiras da Afeam, da Assembleia Legislativa, do Vitello do Parque Dez, e agora da Sead, ele vende em média 80 garrafas por feira ao preço de R$ 10, R$ 12, ou R$ 18.

“Dez é com menos água, doze é com mais, e 18 é a polpa, mas só vendo a polpa sob encomenda”, adiantou.
O açaí do Gil vem de Anori, da indústria ‘Vô Sales’, de um amigo dele.

“Lá todo mundo trabalha uniformizado e a água para ser misturada à polpa é filtrada quatro vezes”, garantiu. “Por semana ele manda, de barco, quatro mil litros de açaí para Manaus, em garrafas ou ensacadas, o cliente escolhe como quer. Pode ter certeza que é um açaí de qualidade”, explicou.

Gil ainda vende polpas de graviola, cupuaçu e maracujá vindas da comunidade Novo Remanso, em Itacoatiara.

O endereço da Feira da Sead é: rua da Constelação, 30, conjunto Morada da Sol, Aleixo, prédio da antiga cervejaria Haus Bier. Funciona todas as quintas-feiras, das 7h às 12h. Informações: 3182-2885.

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