Opinião

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Dizendo dalgumas opções hodiernas - Parte 4

Espiritualidade pode ser enquadrada nos requisitos de Howard Gardner

Por Bosco Jackmonth

24 Jun 2019, 10h44

Crédito: Divulgação

Interrompeu-se o texto anterior (Parte 3), anunciando-se o seu prosseguimento para remarcar o que nos foi assegurado pelo casal já caracterizado, que se declarou persuadido quanto haver solucionado o gravíssimo conflito conjugal que vinha enfrentando, mediante a opção hodierna de trato motivacional, preferida a tantas outras, visando fazer frente a martírios indizíveis tidos como provindos do ocultismo que lhes foi atirado, lendário desde sempre mas que se tem como muito praticado nos dias que correm, compondo-se assim com o modismo hodierno aqui sub oculis.

Logo, nesse passo, por conta de tão forte crença, então decidiram dispensar a opção jurídica anunciada, e outras medidas tipo pagamento de dízimos e promessas várias. Sucede, desta parte restou o interesse de prosseguir em torno do tema, especialmente tocante, ainda que de jurisdição diversa, não jurídica, “dado que raro e rico em desafios... e a desobrigação de celebrar algum tipo de epifania ou jaculatória”, tudo como consta de linhas anteriores.   

É de ver, especialmente em casos da espécie aqui sob foco, tem brotado a busca de soluções motivacionais, alheias a certos dogmas, cultos e rituais próprios, devoções mesmo, em favor de trajetos lastreados na inteligência espiritual, ou fé, nos moldes reproduzidos a fls.,verbis: “da lavra do Prof. Norberto Keppe que assegura: fé é acreditar na eficácia de tudo o que se tem como real, pois verdade é tudo aquilo em que se crê.” Por conta de tal, no mesmo texto assentou-se, vide: “Ou seja, mesmo não o sendo, arremate-se, um fenômeno deveras eficaz que nos dias que correm tornou-se conhecido como Placebo, também no âmbito científico, bem a propósito dalgumas opções hodiernas, como aqui se nomeia o modismo que aí está.”

Persuadidos de que aquelas pessoas, eruditas e outros quitais, já se disse antes, preferiam fazer uso de up.grade que se traduzisse num desfecho o mais sadio possível, na altura de seu nível sociocultural, e a bem de restaurar a sua abalada reputação familiar, nisso voltadas unicamente para o terreno motivacional, tão adâmico, nos moldes encimados, e noves fora de exorcismo, ou coisa do gênero, acolá confessamos, remarque-se, o interesse de prosseguir, mesmo à paisana do direito, voltados para essa reflexão ainda que dessa ordem, uma variante, diversa do impulso original, posto que de outra materialidade, repita-se, e assim pusemo-nos em campo a bordo do senso de procura para colher o que de mais proveitoso se poderá achar asilado em alguma dimensão alheia à metafísica. Eis o que inspira esta sequência, como segue.

Resta convincente, dizem fontes confiáveis, a exemplo da Professora Leonice Kaminski, graduada em Ciências Religiosas pela Pontifícia Universidade Católica Federal de Santa Catarina, quando da dissertação de mestrado perante a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Assina que, verbis: “Quem tem alto grau de espiritualidade acha possível enfrentar, com mais leveza e tranquilidade, momentos cruciais da vida. Essa capacidade é tão notória que já chama a atenção de cientistas. Seria a vivência espiritual uma outra forma de inteligência, na medida em que ajuda a resolver problemas de toda ordem?” Passaram a se perguntar, ao que esta não tem dúvidas de que sim.

A propósito, foi a primeira a defender que a espiritualidade pode ser enquadrada nos requisitos de Howard Gardner, o criador da teoria das inteligências múltiplas, que lista: linguística; lógico-matemática; corpóreo-cinestésica; musical; espacial; intrapessoal; interpessoal; naturalista. Sendo das características: capacidade de transcendência; uso de recursos espirituais diante de problemas da vida; a prática de virtudes, como perdão, gratidão, humildade, compaixão,  tolerância, capacidade de olhar e sentir o outro, e habilidade de atingir estados espirituais.

Segue-se: “Por isso, conseguem superar desde as pequenas diferenças nos relacionamentos até as grandes provações. Os gênios da inteligência espiritual seriam modelos de perfeição em todas as áreas da vida – de São Francisco de Assis ao Dalai Lama, não faltam exemplos de quem inspira, ainda que de formas diferentes uma vida melhor.

Sucede, indaga-se ainda: Mas de que forma a relação com o divino poderia facilitar a vida? “Para começar, os bem dotados de inteligência espiritual costumam se cuidar mais”. “Comprovadamente adoecem menos ou se curam mais facilmente”, constata Leonice.

Nessa marcha, outras referências manifestam-se em torno dessa temática, como, a propósito, a jornalista Gabriela Cupani, graduada em Comunicação Social e Bacharel em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina, tendo assinado pela Revista Saúde, vide: “O QI da Alma. Quem busca a conexão com o divino, não importa o credo ou a religião, costuma levar a vida mais na boa em todos os aspectos. Tanto que alguns cientistas já admitem a existência de uma inteligência espiritual, capaz de ajudar a enfrentar os desafios do dia-a-dia.”

Compondo-se ao discurso vicejam interpretações do que seriam a rigor as figuras do divino e o mais dessa natureza, admitindo-se alguns que tudo se traduz na eficácia do Placebo, como já se aludiu linhas antes, o que convida a mais transcrições da espécie, no próximo segmento, se é que assim não se estará abusando da paciência do leitor, à espera do que afinal de contas o articulista pretende mesmo noticiar. (Continua).

*Alfredo Andrade é advogado de empresas(OAB/AM). Contato bosco@jackmonthadvogados.com.br

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