Opinião

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Dizendo dalgumas opções hodiernas - Parte 2

Resta, assim, rediga-se uma causa inusitada, alheia em parte aos estatutos

Por Bosco Jackmonth

10 Jun 2019, 09h16

Crédito: Divulgação

Continuando, como anunciado colheu-se um completo relato do ocorrido com o reputado casal consulente, já se disse de antigos clientes e possuidor de patrimônio empresarial notável, resultando apurado que o marido culposamente contaminou a esposa com DST, das mais mórbidas, prova efusiva de um adultério cometido, agravando-se a desdita porque a bordo da apologia ao inverossímil, desoladamente “punha-se numa cruz” a negar a autoria o quanto pode, dizendo-se não ser o causador, até que os fatos se impuseram soterrando a negativa e o estelionato perpetrado, restando fomentar a invectiva busca em outra variante, feitiçaria veio a calhar, não se constranja, como posto linhas a  seguir.

Seria um episódio como tantos, não fosse tratarem-se de pessoas notórias como o são na alta sociedade e no empresariado, postos os ditos fatos que então circularam no meio, propalados como sobrenaturais, da ordem que sempre lhes foram afeitos, toda a gente o sabia, logo sujeitos a escárnio a rodeá-los, que não escaparam do disse-me-disse da esperada divulgação sem chance de refutá-los. Muito a ver com visão tida religiosa, enquanto estatutos e práticas rituais, pulsando o poder catalizador das crenças, nisso tomados de sólidas certezas amparados em princípio doutrinário de sua alardeada crença mística desde muito.

Dada como induvidosa evidência de que forças sobrenaturais, satânicas mesmo, foram-lhes atiradas, na forma de escritos maledicentes, pragas rogadas, junto com bonecos de cera e objetos místicos outros, por certo enfeitiçados e eivadas de inveja, vingança, e assim jazendo em um dos incontáveis imóveis de suas indizíveis propriedades. Eis como entendiam os fatos.

Sustentaram que, em verdade, a mandinga, diga-se assim, fora encontrada e retirada daqueles locais feitos sepulcros, após celebrado o rito que apontou onde se achavam os despachos, termos usados. Tudo repetindo o que já acontecera certa vez, sem mais nem menos, daí a certeza, asseguraram-nos. Cabia acenar com respeito e solidariedade aos que se achavam perseguidos, quem sabe bizarramente, mas parecendo-nos uma saída para alcançar a conciliação que, afinal, era o desejado, sobremodo desafiando assim o antagonismo macabro.

Resta, assim, rediga-se uma causa inusitada, alheia em parte aos estatutos jurídicos, presentes  vultos transcendentais, já aí não processuais, de toda forma aceito o patrocínio nos moldes abordados e com o zelo cabível, dado que raro e rico em desafios, mas certos da desobrigação de celebrar algum tipo de epifania ou jaculatória, pesquisou-se, à frente de orixás, como oxóssi, ogum, omulú, naná, ossaim, oxumaré e o mais,  posto que de jurisdição outra, supondo-se mal-assombrados, melhor dizer apenas isso.

Linhas anteriores aqui se mencionou as opções hodiernas de uma nova moral, ainda que por vezes mórbidas, ou profanas, talvez. Modismo que permeia os dias em curso, bem a propósito da pregação que se vê na série televisiva Dilema, selo Netflix, interpretação primorosa de Renee Zelwerger como citado no artigo anterior (Parte 1) in fine, publicado em 31/5/19, verbis: “Tudo o que você faz, seja pessoal, profissional, ou carnal, torna-o escravo total de uma gama de resultados predeterminados pelo Cosmo, como se não tivéssemos vontade, e, portanto, não fôssemos culpados pelos momentos mais importantes de nossa vida.

Se quer uma vida de propósito comece por questionar a ideia de que tudo tem uma razão de ser. Comece por definir não usar essa ideia como explicação tardia para uma grande tragédia, nem uma grande conquista. Use como validação de escolhas deliberadas que levaram a tais momentos decisivos.

Exerça autoridade sobre a sorte, o acaso e o destino, se tudo tem uma razão de ser. E essa razão é você! Para se ter sucesso de verdade, é preciso estar disposto a escolher, fazer o desagradável, arriscar o que se tem de mais valioso e eliminar as amarras criadas pela sociedade com o propósito de limitação: amor, casamento, filhos e, acima de tudo, a falsa moralidade alheia imposta sem solicitação. Porque tudo o que vale a pena são as conquistas com sacrifício e a verdadeira excelência só chega para quem está disposto a buscá-la custe o que custar!”

Sucede, tal ideário mostra-se tão efusivo porque nos moldes teatrais. No entanto ao correr da série quedou-se frustrada a personagem, cuja norma de conduta que aconselha não se traduziu na eficácia apregoada, valendo mais pelo afinco na busca de um universo ficcional, mas sem assegurar a certeza de bom termo, e sim parecendo compor-se com as opções do hodierno, tal como sub oculis aqui se discorre. (Continua).  

*Bosco Jackmonth é advogado de empresas (OAB/M)436).Contato:3304-8339.boscojackmonthadvogados.com.br

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