Opinião

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Dizendo dalgumas opções hodiernas - Parte 1

Tarefa sigilosa quanto possível, aceita mesmo alheia ao cotidiano profissional

Por Bosco Jackmonth

04 Jun 2019, 14h52

Crédito: Divulgação

Dias correntes ideais de justiça, solidariedade, fidelidade, autoestima, outros, hoje princípios fragilizados, desconsiderados, dada nova opção moral a norteá-los. Doutos lecionam a questão divulgando-a por variados meios, mas aqui apenas colhida sem vezo de coadjuvar quanto a novidades ou revelações inauditas. Modismo tatuagens, vestes rasgadas, cabelos chamativos, bonés em contrários, celulares exibidos mesmo caminhando nas ruas, vícios diversos, felonia conjugal acentuada, culto à homossexualidade, é o que se tem do quadro vigente, posto aliás em artigo publicado neste lendário jornal, em 11.12.19, sob o título “Tudo Bom?”. Apenas um relato, alheio a tecer críticas, bem entendido.

Advocacia veterana voltada para empresas, diante de atendimento irrecusável a uma casal de clientes e amigos antigos, em conflito familiar a procurar enquadramento jurídico, posto um caso de adultério de causa adiante dada a conhecer, cabendo passo preliminar de separação judicial, chegado a tanto cercado de minudências até mesmo de cunho religioso ou sobrenatural, assim relatado, levando-nos a tal ainda quefazeres incomuns, sempre no intuito de bem servir.  Tarefa sigilosa quanto possível, aceita mesmo alheia ao cotidiano profissional, é de ver, obrigando a perquirir o hodierno em volta daquela bizarra revelação em particular nada jurídica, e sim matizes incomuns em seguida, remarque-se. Um caso bem inusitado e desafiador.

Apurado de pronto um manifesto passo de estelionato moral da autoria do marido, ainda assim ausente qualquer vitupério, o desejo de solução amigável, quem sabe reconciliação, desde que precedida da fase judicial então recomendável, eis que a resolver os meandros da divisão de bens, indizível o valor econômico dos estabelecimentos empresariais do casal e tudo o que cerca o patrimônio, a ser visto se chegarem ao divórcio.

Procurou-se colher subsídios aplicáveis à espécie, nisso levando em conta a crença espiritualista de um e outro, certamente instrumento a favorecer uma futura reconciliação, e acervo provavelmente a ser utilizado na hipótese de alguma outra causa do gênero, ao lado de incorporar-se à vida pessoal dos advogados, pelo que ensinam aqueles estudiosos, que três seriam os princípios novos: o individualismo, o relativismo e o instrumentalismo, a saber.

  • A busca do melhor tipo de vida a usufruir é como se traduz o individualismo, entendendo-se como tal o autodesenvolvimento e a auto satisfação, conferindo aos seus sectários a obrigação de almejar a felicidade em detrimento de qualquer compromisso como o entorno social.
  • Todas as escolhas são igualmente importantes, mesmo as que deveriam arredar eventuais críticas de observadores, visto que não há um padrão de valor objetivo que nos permita estabelecer uma hierarquia de conduta. Logo, é válido qualquer passo que leve o personagem a atingir a autossatisfação, não cabendo ser questionado, tudo como prega o relativismo.
  • Por fim o instrumentalismo sustenta que o valor de qualquer coisa ou pessoa longe dos padrões geralmente conservadores somente interessa a quem escolhe, posto que tudo se resume no que a ação possa oferecer de ganho para si, o optante.

Restou visto consagra-se como principal objetivo a realização de satisfação pessoal, dado que as obrigações com as demais pessoas ou instituições são meramente secundárias ou inexistentes, valendo desfrutar a vida da maneira que for escolhida, “doa a quem doer” (cabe o chavão), quedando-se o resto em simples meios para alcançar os fins. (A propósito, recomenda-se a série Dilema, selo Netflix, desempenho fabuloso de Rene Zellweger, mostrando algo do gênero aqui abordado o que é bom pra tosse...). (Continua).

*Bosco Jackmonth é advogado de empresas (OAB/AM 436). Contato: 99828544 bosco@jackmonthadvogados.com.br