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Dívidas para necessidades básicas limitam compras no Amazonas

Por Marco Dassori

07 Out 2019, 15h28

Crédito: Acervo JC

As despesas básicas pesam muito mais no bolso das famílias do Amazonas com menor renda, especialmente a comida. Habitação (39,8%) e alimentação (26,1%) representam 65,9% do orçamento dos que ganham até dois salários mínimos (R$ 1.908). Para aqueles que contam com rendimentos superiores a 25 mínimos (R$ 23.850), os percentuais são 38,6%, 31,2% e 7,4%, respectivamente.

Para as famílias que formam a classe de maiores rendimentos, as despesas com alimentação (R$ 1.275) são mais que o dobro do valor médio do total das famílias do Estado (R$ 557,70) e mais que o triplo do valor da classe com rendimentos mais baixos (R$ 386,31). Os dados estão na Pesquisa de Orçamento Familiar 2017-2018, divulgada pelo IBGE, nesta sexta (4).

A despesa total média mensal familiar no Amazonas era de R$ 3.218,87 no período assinalado. No estrato de renda mais alto, os dispêndios totalizaram R$ 17.236,76 e, no grupo de pessoas com vencimentos mais baixos, acumulou R$ 1.482,18.

As despesas correntes representaram 95,5% do total, enquanto os 4,5% restantes se dividiram em 1,9% para aumento do ativo (aquisição de imóvel, reforma e outros investimentos) e 2,6% para a diminuição do passivo (pagamentos de empréstimos e prestações de financiamento de imóvel).

No que se refere às despesas totais, as despesas de consumo ficaram com 83,8% (R$ 2.696) do total, sendo que 11,8% foram gastos com outras despesas correntes, como contribuições trabalhistas e serviços bancários, entre outras. 

Habitação e alimentação

Habitação (R$ 1.131,74, em média) é a despesa que pesa mais no bolso dos amazonenses, tanto para os mais pobres (R$ 590,50), quanto para os mais ricos (R$ 5.376,77), representando 35,2% da média das despesas totais das famílias. 

Alimentação vem em segundo lugar, sendo que  20,3% vão para comida fora de casa (R$ 112,94) e 79,7% para refeições no domicílio (R$ 444,76). Entre os mais ricos, os números foram 36,2% (R$ 462,14) e 63,8% (R$ 812,93), respectivamente. Entre os mais pobres, as fatias respectivas foram de 16% (R$ 61,83) e de 84% (R$ 324,48).

Carnes, vísceras e pescados continuam sendo o alimento de maior participação nas despesas domiciliares do Estado (20,2%) – 21,2% para as famílias com dois mínimos e 13,2% para as que recebem 25 mínimos. A diferença é explicada pela maior participação da alimentação fora do domicílio no grupo dos mais ricos.

Aves (9,2%) comparecem no segundo lugar, na lista amazonense de supermercado. A participação desse grupo de alimentos nas famílias com rendimento de até dois mínimos foi mais importante (12,8%) do que nas famílias com rendimentos superiores a 25 salários mínimos (1,9%). Pescados frescos (6,7%) também representam fatia maior de gastos para os mais pobres (8,4%) do que para os mais ricos (0,9%).

Leites e derivados participaram com 6,3% das despesas com alimentação, Panificados com 9,7%, e bebidas e infusões com 5,6%. Nas despesas com alimentos para consumo no domicílio, a participação do grupo de cereais, leguminosas e oleaginosas (4,1%) liderou os gastos médios no Amazonas, seguido por farinhas, féculas e massas (4,2%) e tubérculos e raízes (0,6%).

Transporte e saúde 

A terceira maior participação nos gastos veio dos transportes (11,7%), representando R$ 377,09. As famílias de renda mais alta dispenderam 10,9% (R$ 1.882,57) para esse fim, enquanto aquelas que contavam com menor nível de vencimentos consumiram 8% (R$ 118,97) de sua renda para isso.

No Amazonas, a assistência à saúde representava 3,5% das despesas totais das famílias amazonenses, resultando no gasto de R$ 112,54. Desses gastos com saúde, gastava-se proporcionalmente mais com remédios do que com planos de saúde, mesmo nas famílias com os maiores rendimentos.

Em média, a educação responde por 2,5% (R$ 82) dos gastos dos amazonenses. Nas famílias com rendimentos superiores a 25 mínimos, os dispêndios com educação foram mais de 26 vezes maiores do que entre aqueles que recebem até dois mínimos: R$ 510,60 contra R$ 19,32.

Na análise do supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, o maior comprometimento da renda dos que ganham menos com o custeio da alimentação e com a habitação é o fato marcante dos resultados preliminares da sondagem no Amazonas. 

“Despesas com comida e casa, têm maior impacto na renda do pobre. Transporte e educação se encarregam de “morder” 14,2% das despesas familiares. A média nos diz que o amazonense gasta 83,8% de seu rendimento com as despesas de consumo. Os mais ricos consumiram 64,5% de sua renda para esse fim. Mas, para os mais pobres esse percentual alcança 93,9%, sobrando quase nada para investimentos ou algo mais”, encerrou Adjalma Jaques.

 

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