Opinião

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Desmonte da ZFM tem impactos incalculáveis

Pesquisadores da FGV dizem existir evidências de impactos positivos da ZFM sobre a moradia

Por Eustáquio Libório

16 Abr 2019, 11h44

Crédito: Divulgação

O estudo efetuado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) acerca da efetividade dos gastos tributários com a Zona Franca de Manaus (ZFM), o qual já foi objeto de outro texto na semana passada, traz pelo menos outros sete fatores que foram beneficiados com os incentivos da Zona Franca de Manaus desde sua implantação.

Entre os segmentos favorecidos com a atividade econômica da Zona Franca de Manaus está a promoção do crescimento da renda per capita que, no caso da Zona Franca de Manaus, está acima da média nacional, conforme dados do ano de 2010.

O comparativo que o estudo da FGV faz se relaciona com a renda per capita do Estado mais rico da Federação. Em 2010, o Estado de São Paulo tinha renda per capita de 30 mil reais, enquanto no Amazonas o valor era de 17 mil reais. Assim, a renda per capita de São Paulo era 1,8 vezes maior que a do Amazonas.

Nos primórdios da Zona Franca de Manaus, nos anos 1970, a renda per capita do Estado de São Paulo era de 17,4 mil reais, portanto, sete vezes maior que a usufruída pelos habitantes do Estado do Amazonas, pois naquele período, a renda per capita no Amazonas era de 2,4 mil reais.

Outra constatação que desmistifica os ataques à Zona Franca de Manaus foi também aferida pelos pesquisadores da FGV. Os técnicos conseguiram demonstrar que a ZFM afetou de forma positiva a proporção de trabalhadores no segmento industrial da área incentivada, com reflexos, inclusive, nos rendimentos. Na área sob abrangência da ZFM, esses rendimentos são maiores, principalmente no final dos anos 1980 até meados dos anos 1990.

É de se ressalvar que durante o governo de Fernando Collor, a ZFM foi impactada com a abertura do Brasil aos produtos estrangeiros, com isso o comércio que incentivava o turismo para Manaus foi muito impactado, além de atividades industriais que já estavam em andamento a partir dos incentivos fiscais da Zona Franca.


Sob o ponto de vista social, os pesquisadores da FGV dizem existir evidências de impactos positivos sobre a moradia na área da Zona Franca de Manaus. Conforme o estudo, essa melhoria, que se reflete também na qualidade de vida da população, aconteceu em virtude do acesso à água, que aconteceu de forma mais acelerada na área de abrangência da ZFM.

O gasto tributário por meio do modelo Zona Franca de Manaus, conforme técnicos da Fundação Getulio Vargas, apresenta multiplicador fiscal com retorno assegurado e efetivo. Diz o estudo que para cada um real aplicado no modelo Zona Franca, o retorno vai de R$ 1,14 até R$ 3,03. Estudos similares, informa a FGV, dão conta de que gastos governamentais no Brasil apresentam multiplicador fiscal próximo de zero.

Todavia, nem só de boas notícias é feito o estudo da Fundação Getulio Vargas. Ali também está consignado tratar-se de um modelo que corre perigo iminente de ser desmontado. Caso isto venha acontecer, por não terem sido tomadas medidas de aperfeiçoamento ao modelo, os impactos são incalculáveis.

Entre os impactos listados pelos técnicos da Fundação Getulio Vargas estão: queda na renda da região, perda de emprego formal, redução em todos os níveis de arrecadação tributária, e impacto para pior na educação, além de maior risco de desmatamento da floresta.
 

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