Opinião

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Desenvolvimento e as alternativas econômicas - Parte 3

O valor intrínseco da Amazônia Legal é algo fantástico e pertence ao Brasil

Por Nilson Pimentel

03 Jun 2019, 10h15

Crédito: Divulgação

O estudo da Ciência da Economia nos traz cativo de um prazer intelectual imenso, haja vista, envolver o ser humano e as suas necessidades materiais que impacta sua vida em geral. Assim, a humanidade viu surgir o Capitalismo que transformou para sempre a vida de todas as sociedades no mundo, como sendo o maior sistema criador, gerador de riqueza material destinada à satisfação das necessidades do homem nessas sociedades.

Na noite dessa quarta-feira (29), o CORECON/AM – Conselho Regional de Economia do Amazonas, realizou a abertura do XI ENAM – Encontro das Entidades de Economistas da Amazônia Legal, já brindando a sociedade amazonense e a Classe dos Economistas com verdadeiras pepitas de conhecimentos sobre o Tema principal do XI ENAM – A Revolução 4.0 e seus Impactos nas Economias da Amazônia. Com isso se quer demonstrar que ser Economista nos transforma em partícipe efetivo na transformação que passa o sistema econômico capitalista no mundo e, principalmente, na Economia do estado do Amazonas.

Como discutem os economistas do Clube de Economia da Amazônia (CEA), como se fosse possível calcular, o valor intrínseco da Amazônia Legal é algo fantástico e que pertence ao Brasil, no entanto, nesses tempos de aceleradas mudanças, no século XXI ainda não foi deferência do Governo Federal com nenhum programa ou projeto de Desenvolvimento Econômico Regional, notadamente a Amazônia Ocidental, exceto as grandes hidrelétricas.

Aqui no Amazonas, o modelo de desenvolvimento regional ZFM representa a mais importante política pública implementada pelo governo na década de 1960, do século XX, com o objetivo de promover o desenvolvimento de uma região estratégica para o país, a Amazônia Ocidental, mesmo atualmente no século XXI, algo que não se deixou de ser, porém, cobiçada e vigiada por outros país, tornando-a uma espécie a ser conservada, preservada, que os brasileiros amazônidas não têm o direito de usufruí-la para gerar riquezas para si, com certo “medo” das consequências mundiais, climáticas, diplomáticas, comerciais, políticas, etc, mas nenhum daqueles querem remunerá-los por isso.

No Amazonas, tratar de avanço sobre o bioma para aproveitamento em processos de Desenvolvimento Regional, quase tudo se transforma em obstáculos, dificuldades, como o aproveitamento madeireiro, a extração mineral, e demais potenciais naturais, com elevadas oportunidades de aproveitamento na racionalidade econômica produtiva, mas os outros, os aproveitam em seus projetos próprios de desenvolvimento econômico regional, como se tem visto.

Para o pessoal do CEA, o estudo das cadeias produtivas e de valor de cada produto ou potencial natural que se quer induzir em atividades economicamente produtivas, deva ser a forma de se identificar as oportunidades e riscos dos possíveis produtos e projetos a serem analisados para a base de formatação do Planejamento Econômico Estratégico Regional do Amazonas. Por isso que os pesquisadores do CEA, são favoráveis aos profissionais do Amazonas que são possuidores de conhecimentos e saberes sobre as potencialidades naturais e os possíveis produtos passiveis de aproveitamento em processo de desenvolvimento regional endógeno, não sendo necessário que terceiros venham a dar palpites e aprender com aqueles regionais que já conhecem esse metier.

Assim, as atividades econômicas existentes em cada Município que compõem as nove sub-regiões do Amazonas, apresentam pelo contexto no qual estão inseridos e a multiplicidade de características, apresentam maior dificuldade de classificação, visto que os parâmetros usados para medição, como o IDH, renda per capita e outros têm fortes limitações, apesar de serem referências altamente importantes. Portanto, para ampliar o entendimento, e antes de explorar os elementos que envolvem o desenvolvimento local, cabe fazer uma rápida reflexão sobre o seu significado nas diferentes vertentes que tratam do assunto.

Para o Professor Raimar Richers, o “Desenvolvimento significa incentivo às possibilidades do aumento das rendas reais de regiões subdesenvolvidas, provocando mudanças através de investimentos que levem à expansão dos recursos produtivos, na expectativa de aumentar a renda per capita da população”. Por outro lado, os economistas-pesquisadores do CEA defedem que para alavancar o desenvolvimento econômico local é importante a ativação dos vários agentes locais, sendo que, com essa participação, buscam o desenvolvimento, pertencentes à comunidade e representativos dos interesses coletivos, como aspecto fundamental para a eclosão do desenvolvimento econômico local. Assim, são definidos como sendo o conjunto de todas as forças ativas da comunidade local, organizados para alcançar o desenvolvimento pretendido, ou seja, é a participação de várias organizações, entidades e instituições privadas e públicas do local, normalmente apoiada por uma entidade municipal de desenvolvimento. Enfim, é a comunidade representada e organizada na busca do seu próprio desenvolvimento econômico regional.

Isto se coloca a necessidade de uma coordenação, pois se as ações desse conjunto não forem planejadas e coordenadas, corre-se o risco de serem predatórias entre si, ainda que todos busquem um objetivo comum. Depreende-se dessa necessidade que o agente Governo estadual desempenhe seu potencial de fomentar, catalisar e de coordenar os esforços dos agentes ativos e suas ações dentro de cada estudo de cadeia produtiva, como melhoria do material base do Planejamento Econômico Estratégico.

Visto por esse prisma, entende-se que o dinamismo do ambiente com suas inovações tecnológicas, as mudanças econômicas, as turbulências políticas e as alterações nas estruturas produtivas e sociais, bem como as novas reivindicações dos agentes sociais e as exigências de competitividade dos agentes econômicos para se instalar ou permanecer na localidade, visto os mercados de fatores e de produtos e a disputa entre municípios  por investimentos, postos de trabalho e verbas públicas, exercem forte pressão sobre as condicionantes do Governo Estadual. São por todas essas vertentes que o Desenvolvimento Econômico Regional de base endógena é o grande desafio do Governo do Amazonas!

*Nilson Pimentel é economista, Engenheiro, Administrador, Mestre em Economia, Doutor em Economia, Pesquisador, Consultor Empresarial e Professor Universitário: nilsonpimentel@uol.com.br

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