Opinião

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Desemprego e lucro dos bancos

No Amazonas, novos postos de trabalho criados em fevereiro atingiram 1.425 vagas

Por Eustáquio Libório

16 Abr 2019, 16h31

Crédito: Divulgação

Os números exibidos pelo Instituto Brasileiro de geografia e estatística relativos ao desemprego em 1918 indicam mais de 13 milhões de brasileiros desocupados. No Amazonas a situação não é diferente. Pelos números do IBGE, o estado fechou 2018 com 268 mil pessoas sem ocupação. Isto é, com emprego de carteira assinada no estado.

Os números publicados  pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), apesar de apontar alguma melhora no panorama de emprego formal no País, ainda não dá indicação de uma tendência de que o movimento de abertura de novos postos de trabalho esteja evoluindo de forma segura.

Assim, pelo CAGED, o país conseguiu oferecer 173 mil novos postos de trabalho em fevereiro, no entanto, esse número é apenas 0,45% maior do que o desempenho de janeiro de 2019. Desta forma, nos dois meses nos quais o IBGE já levantou o número de desocupados no país, os novos postos atingiram 211 mil postos de trabalho, em 12 meses o número de postos criados chega e 75 mil. 

No Amazonas, novos postos de trabalho criados em fevereiro atingiram 1.425 vagas, enquanto em 12 meses a atividade econômica conseguiu criar 1.593 novos postos de trabalho.

Se a situação do emprego está evoluindo de forma muito lenta, um dos segmentos com melhor desempenho da economia brasileira, que é o setor bancário, mantém a performance continua a crescer. O exemplo desse desempenho positivo, na iniciativa privada, é o Bradesco, e no setor estatal está o Banco do Brasil. Enquanto o Banco do Brasil obteve resultado de 13,5 bilhões de reais em 2018, o Bradesco vai além e conseguiu 19 bilhões de lucro no fechamento do exercício. O primeiro teve resultado 22,2% superior em relação ao exercício de 2017, enquanto o segundo teve um desempenho de cerca de 30% maior o que no exercício anterior. 

Então o leitor deve estar se perguntando o que o desemprego no país e no Amazonas tem a ver o desempenho e a lucratividade do setor bancário. Não deve ter nada, mas as aparências podem enganar.

Quem se der ao trabalho dar uma volta pelo centro de Manaus em dia de semana ou num sábado, vai ter a oportunidade de conferir o que o desemprego faz no Amazonas, e em particular, em Manaus. 

Se na rua Marechal Deodoro permanece o comércio bate-palminha, nas outras vias do centro, tomadas por camelôs, vendedores diversos, compradores de ouro, venda de alimentos e por aí vai a diversidade entre os trabalhadores informais que ocupam as calçadas da cidade, além de brasileiros, venezuelanos, haitianos, todos tentando sobreviver.

Se o cliente do Banco do Brasil procurar uma agência para usar equipamento automático e fazer um saque ou uma transferência no fim de semana, vai se dar mal, simplesmente porque as agências do Banco do Brasil já não abrem nos finais de semana. Alegação para que as agências do centro não abram parece ser a de que mendigos e moradores de rua aproveitam as instalações bancárias abertas para fazer daquele ambiente moradia, além de oferecer perigo à segurança dos clientes que buscam serviços nessas agências nos finais de semana.

A solução encontrada, fechar o atendimento aos clientes, parece ser a melhor, pelo menos do ponto de vista do banco, pois reduz seus custos com outros insumos, como limpeza, danos à seu patrimônio. Assim nem moradores de rua nem clientes podem entrar nas agências.

Enquanto isso, o Bradesco mantém suas agências funcionando, apesar de se ver dentro das dependências mendigos e moradores de rua, mesmo assim o cliente normalmente consegue fazer uma operação de saque.

Como se vê, bancos continuam faturando e tendo lucros astronômicos mas não prestam serviço adequado aos clientes. O exemplo é o Banco do Brasil quedeis o cliente sem serviços inadequados mesmo que sua clientela e pague, e caro, por tais serviços.

 *Eustáquio Libório é jornalista

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