Construção

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Desafios da habitação 4.0 para um novo modelo de construção inteligente

Por Andréia Leite

22 Mai 2019, 08h26

Crédito: Gerd Altmann/Pixabay

O modelo de habitação 4.0 já é uma realidade e surge como um novo desafio para profissionais das áreas de construção, de engenharia e arquitetura. Para integrar a capital a este conceito, a criação de projetos inteligentes estão no rol destes investimentos. Em Manaus, este estímulo já é sinalizado por meio meio de propostas e projetos, que demonstram a clara importância deste novo vetor de investimento.

Nesta direção, por meio do Codese (Conselho de Desenvolvimento Econômico, Sustentável e Estratégico de Manaus), a capital  integra o projeto ‘Futuro da Minha Cidade’,  que tem o objetivo de planejar a capital para os próximos 20 anos.  O presidente do Conselho, Antônio Azevedo, detalha que o conselho é composto por nove câmaras técnicas que compoe a associação criada para atuar entre as frentes que  permeiam as ações para viabilizar este novo formato.

“A nossa meta é posicionar a capital ao longo de vinte anos entre as dez melhores cidades para se viver, para investir e conseguir por meio de uma matriz econômica manter dois terços do PIB”. Ele reforça que quando o tema é debatido, é preciso salientar a indústria 4.0 e a automação geral da cidade. Ele lembra também que através de algumas ações, a Prefeitura de Manaus, já deu um start neste sentido. “É fundamental que o Estado acompanhe essa tendência  para se tornar uma cidade de negócios e com uma economia totalmente voltada a tecnologia, modelo que já realidade em várias cidades do mundo”.

Para Azevedo, a tecnologia permeia a cidade de forma transversal em todas as áreas. Torna-se conectada e sustentável. Ele reforça ainda a importância de implantação de um plano de adaptação de reaproveitando recursos hídricos, gerenciamento de  resíduos todos na ótica de desenvolvimento econômico e sustentável.

Conforme o presidente do Codese, provavelmente,  os investimentos para este tipo de projeto, devem vir da iniciativa privada. “Têm empresas querendo investir e precisamos estar mais abertos seja capital nacional ou estrangeiro. Precisamos de bons projetos estruturantes para levar uma cidade mais eficiente para o dia a dia da população”. Ele destaca que embora sejam projetos a longo prazo, o importante é que as ideias convergem para esta meta com grande esforço e trabalho para que sejam efetivadas.

No evento do 91º ENIC, Silvio Barros falou sobre o projeto Futuro da Minha Cidade, da CBIC, coordenado por ele, que conta com a correalização do Serviço Social da Indústria (Sesi Nacional).

“Quando falamos de futuro, temos que levar em consideração que a tecnologia vai mudar o mundo, e o ambiente urbano será o primeiro a ser alterado. Planejar sem levar isso em conta seria fatal”, disse Barros. “Considerar a tecnologia de mobilidade pode evitar que sejam propostas no Plano Diretor duplicação de vias e construção de viadutos, que serão subutilizadas, considerando que a tendência é ter menos carros nas ruas”, acrescentou.

Frank Souza, presidente do Sinduscon-AM que representa a Câmara Técnica de Planejamento Urbano do CODESE Manaus, explica que a habitação 4.0, se agrega ao novo conceito de cidades que implantaram projetos habitacionais de sustentabilidade em ambientes cada vez mais acessíveis e inclusivos. “Projetos em áreas próximas do comércio, do trabalho, de um espaço de lazer, facilitando o deslocamento diário e, deixando de lado, inclusive, seus  próprios veículos”.

As discussões para a implantação do projeto na capital começaram em 2016 com o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas (SINDUSCON-AM) e a Associação das Empresas do Mercado Imobiliário no Estado do Amazonas (ADEMI-AM).

Planejamento

A arquiteta urbanista e especialista em Política e Direito Ambiental e Urbanístico, Cristiane Souto Maior, defende que a atualização e modernização técnica faz parte da evolução de qualquer setor, e na Construção Civil isso não é diferente. Considerado muitas vezes, um sistema complexo onde várias mãos com diferentes conhecimentos técnicos são necessários para se obter um resultado satisfatório e aí considerado o trinômio melhor técnica, mais melhor qualidade, mais melhor preço, “a tempos debatemos quando a ousadia tecnológica associada a uma mudança de paradigma, irá atingir a construção civil a ponto de provocar uma verdadeira revolução na arte de construir e de revolucionar sua cadeia produtiva”.

Ela salienta que setor Imobiliário visa atingir a excelência no construir e no ofertar ao público seu melhor produto. E, com vistas à maximização de resultados,  a adoção de novas tecnologias que visem inovar os processos de controle e gerenciamento de empreendimentos dando a estes maior assertividade, segurança e otimização, é essencial.

Para a capital se tornar um modelo moderno neste sentido, Cristiane afirma que é necessário um planejamento que pense em inúmeras mudanças e vá se desenvolvendo a médio e  longo prazo. Além de entender as necessidades da população, não existe um modelo único a ser replicado para o mundo. É preciso romper barreiras e pensar em parcerias, entre a administração pública e as empresas privadas. “Não será com um modelo ultrapassado e ineficaz que iremos conseguir evoluir para uma proposta de vida inteligente para as cidades e seus espaços. Só assim, iniciaremos um novo modelo de gestão, mais eficiente, moderna, justa, transparente e ativa”

Por fim, ela destaca que enquanto não pudermos encarar a cidade de Manaus como uma cidade neste padrão, porque não pensar o que pode ser feito para adaptar estas mudanças e tornar nossa cidade inteligente? “É preciso dar o primeiro passo e a  nossa capital possui condições para seguir adiante rumo a uma nova caracterização de cidade, uma cidade em transformação por desenvolver aqui, tecnologia utilizada pelo mundo e para mundo. O Pólo de Tecnologia que vai firmando-se junto à Zona Franca, está aí para isso”.  

Evento mostra importância da tecnologia aos projetos

Promovido pela CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), entre os dias 15 a 17 de maio, o 91º Encontro Nacional da Indústria da Construção (ENIC) trouxe amplo debate sobre vários temas voltado ao setor. Entre os painéis discutidos, ‘Fatos e provocações: desafios e experiências de IoT e smart cities‘, da Comissão de Meio Ambiente e Sustentabilidade (CMA) da CBIC, a ideia das cidades inteligentes, como fator positivo para o mercado imobiliário, reforçou a importância de implantação de projetos cada vez mais integrados à tecnologia na gestão das cidades.

O ENIC destacou  muito a revolução tecnológica no setor da construção, a tecnologia que está sendo integrada a política nacional de habitação. Para o presidente nacional de Habitação, Celso Matsuda,  o setor já está bem organizado em termos de desenvolvimento tecnológico. “Queremos inserir vários programas na construção, principalmente à eficiência energética e ao mesmo tempo criando dentro desse contexto de habitação 4.0, a ideia de Smart City”. Para Celso, a habitação do futuro apesar das dificuldades e da crise econômica atual,  ainda assim há uma demonstração clara por parte do governo, este esforço em conjunto entre o Ministério de Desenvolvimento Regional e o Ministério da Economia, para obtenção de mais recursos.

No encontro, especialistas apresentaram iniciativas nacionais e internacionais, analisando o uso da tecnologia a favor da população e a adaptação de edificações às demandas do futuro, mantendo os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), conforme idealizado no projeto ‘Finanças e Negócios Verdes para a Indústria da Construção’, realizado pela CBIC com a correalização do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai Nacional).

Cidades inteligentes

Segundo a união Européia, cidades inteligentes são sistemas de pessoas interagindo e usando energia, materiais, serviços e financiamento para catalisar o desenvolvimento econômico e a melhoria da qualidade de vida. Esses fluxos de interação são considerados inteligentes, por fazer uso estratégico de infraestrutura e serviços de informação e comunicação, com planejamento e gestão urbana para dar resposta às necessidades sociais e econômicas da sociedade.

De acordo com o Cities in Motion Index, do IESE Business School na Espanha, 10 são as dimensões que indicam o nível de inteligência de uma cidade: governança, administração pública, planejamento urbano, tecnologia, meio-ambiente, conexões internacionais, coesão social, capital humano e a economia.

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