Construção

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Custo da construção tem leve alta em agosto, aponta IBGE

Por Marco Dassori

11 Set 2019, 08h45

Crédito: Acervo JC

A deflação de julho foi seguida por um novo repique do INCC (Índice Nacional de Construção Civil) do Amazonas em agosto. O indicador avançou 0,23%, subindo 0,77 pontos percentuais em relação ao mês anterior (-0,54%). Com isso, o custo local da atividade, por metro quadrado, saltou de R$ 1.099,82 (julho) para R$ 1.102,38 (agosto) – R$ 608,23 relativos a materiais e R$ 494,15 a mão-de-obra. 

Diferente do ocorrido nos meses anteriores, o passivo da força de trabalho também avançou no confronto com mês anterior – motivado pelo reajuste dos trabalhadores em sua data-base –, enquanto o custo dos insumos apresentou nova queda. A informação está na mais recente pesquisa do IBGE/ Sinapi (Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil).

A variação anual do indicador subiu para 1,67%, significando crescimento de 0,24 p.p. em relação ao registrado no mês anterior (+1,43%). No acumulado dos últimos 12 meses, por outro lado, o índice ficou em 5,53%, 0,17 p.p. abaixo daquela registrada em julho (5,7%). 

Na contramão, o INCC apresentou deflação no Brasil, ao pontuar 0,44% em agosto, queda de 0,24 pontos percentuais em relação ao mês anterior (0,68%). A variação anual em agosto foi de 3,11%, 0,45 pontos percentuais acima da marca de julho (2,66%). Em 12 meses, houve variação de 4,5%, 0,08 pontos percentuais acima da marca anterior (4,42%). 

Na comparação mensal, o Amazonas ficou na 14ª posição do ranking nacional. A maior variação percentual nesse tipo de comparação ficou com Santa Catarina (2,59%), que foi seguida por Rio Grande do Sul (2,37%) e Goiás (2,21%). As menores taxas foram registradas em Sergipe (- 0,51%) e Amapá (-0,33%).

Menor do Brasil

Apesar do repique, os dados do IBGE mostram que o custo médio da construção no Amazonas segue em nível abaixo da média nacional. O Estado ficou em 16º, com custo médio de R$ 1.102,38. Santa Catarina ocupou a primeira posição (R$ 1.320,67), sendo seguida por Acre (R$ 1.271,62) e Rio de Janeiro (R$ 1.258,84). Os menores custos foram registrados em Sergipe (R$ 987,89), Rio Grande do Norte (R$ 1.034,52) e Pernambuco (R$ 1.039,88).

Pesou no resultado a componente mão-de-obra, cujo reajuste não tirou o Amazonas (R$ 494,15) da marca abaixo da média nacional (R$ 546,42). O Estado ficou na 16ª posição entre as unidades federativas do Brasil. Santa Catarina ocupou a primeira posição (R$ 691,94), seguida de Rio de Janeiro (R$ 641,72) e São Paulo (R$ 630,09). Na outra ponta, Sergipe (R$ 453,15), Rio Grande do Norte (R$ 461,17) e Ceará (R$ 462,85) ficaram com os valores mais baixos.

O mesmo não pode ser dito do custo de material. Embora tenha registrado recuo em relação ao mês anterior, o valor no Estado foi maior (R$ 608,23) do que a média nacional (R$ 602,23), colocando-o no 17º lugar do ranking nacional. Os mais elevados foram registrados no Acre (R$ 699,64), Distrito Federal (R$ 688,61) e Rondônia (R$ 659,41). Os menores ficaram em Sergipe (R$ 534,74), Espírito Santo (R$ 541,95) e Pernambuco (R$ 556,23).

Ajuda na inflação

O supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, chama a atenção para o fato de que o reajuste espontâneo ocorrido na mão-de-obra em agosto (+0,89%) foi o único responsável pelo aumento no custo da construção, e acrescenta que a elevação já era esperado, uma vez que não aconteceu nos sete meses anteriores de 2019.

“Já o custo dos materiais apresentou uma pequena queda de 0,2% em relação ao mês anterior, significando que os preços de balcão tiveram uma brecada no mês. Dentro do ano, o acumulado (1,67%) está bem abaixo da inflação acumulada no ano (2,64%), o que significa que o custo da construção local está colaborando com a estabilidade da inflação”, observou.

Convenção e insumos

O presidente do Sinduscon-AM (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas), Frank Souza, recorda que houve um aumento na mão de obra para as empresas locais, já que o setor resolveu um dissídio no fim de junho, em função da convenção coletiva, gerando um aumento de 3,5% no custo da atividade.

“Esse componente passou a contribuir para o valor final. Mas, o reajuste é anual e a tendência é que os preços medidos por aí devem se manter. O que mais influencia nos nossos custos ainda é a logística para materiais. Apesar disso, nosso metro quadrado não está entre os mais caros, porque adotamos um mix com insumos menos sofisticados, já que trabalhamos muito com imóveis da ‘categoria econômica’. E creio que essa será a tendência”, finalizou o presidente do Sinduscon/AM, Frank Souza.   

 

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