Construção

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Custo da construção tem leve alta de 0,58% em abril, diz IBGE

No ano, a média nacional também avançou mais (+1,50%), embora tenha pontuado menos na marca de 12 meses (+4,95%)

Por Marco Dassori

11 Mai 2019, 07h16

Crédito: Divulgação

O INCC (Índice Nacional de Construção Civil) do Amazonas subiu de R$ 1.090,43 para R$ 1.096,74 entre março e abril. A variação mensal do indicador foi de 0,58%, acumulando uma diferença de 1,15% no ano e um incremento de 6,07% em 12 meses. Os números estão no levantamento do IBGE com o Sinapi (Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil) e foram divulgados nesta sexta (10).

A título de comparação, o custo nacional do metro quadrado, que em março fechou em R$ 1.126,82, subiu para R$ 1.130,67 em abril, uma diferença inferior à registrada pelo Amazonas (+ 0,34%). No ano, a média nacional também avançou mais (+1,50%), embora tenha pontuado menos na marca de 12 meses (+4,95%).

Enquanto o índice nacional caiu 0,18 pontos percentuais em relação ao mês anterior (0,52%), no Estado houve acréscimo de 0,17 pontos percentuais na mesma comparação. Isso não impediu que o preço do metro quadrado no Amazonas continue a ser mais baixo do que a média nacional.

Em relação às 27 unidades da federação pesquisadas pelo IBGE, o Amazonas ocupou a 13ª posição entre os menores valores do custo da construção. O menor valor foi apresentado por Sergipe (R$ 985,31), enquanto o maior ficou em Tocantins (RT$ 1.161,15).

Na composição do custo do Amazonas, R$ 605,33 foram relativos aos materiais e R$ 491,41 à mão de obra. Na média nacional, esses valores foram de R$ 590,15 e R$ 504,52, respectivamente.

No ranking do IBGE, o Estado ocupou a 14ª posição entre os maiores de material. O maior veio do Acre (R$ 694,73) e o menor de Alagoas (R$ 580,91). Em termos de mão de obra, o Amazonas ficou na 13ª posição entre as unidades federativas mais ‘careiras’. O maior número foi detectado em Mato Grosso (R$ 50,58) e o menor em Sergipe (R$ 441,31).

Na análise do supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, os números de abril mostram que o setor está reajustando os preços dos insumos, movimento percebido quando se verifica que o acumulado dos quatro meses iniciais do ano já alcançou 1,15%, contra 2,09% de inflação no mesmo período.

“Mesmo assim, a atividade não alcançou sua alta temporada, que deve ocorrer no segundo semestre do ano com a chegada do período do verão local. Outra coisa que deve ocorrer a partir de julho é o reajuste dos salários da mão-de-obra. Esses fatores podem ainda vir a colaborar com o aumento do custo da construção nos meses vindouros”, alertou.

Na média

O presidente do Sinduscon-AM (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas), Frank amenizou os números do IBGE e disse que boa parte do impacto vem da menor atividade sazonal na região, uma vez que os serviços do setor ficam mais caros durante a fase das chuvas.

“Ficamos na média. A variação não foi significativa e ocorreu mais em função do frete, já que o aumento do custo das matérias primas também valeu para os outros Estados. No caso da mão de obra, até agora não tivemos alta e o impacto só deve vir no segundo semestre, após o dissídio dos trabalhadores. É importante dizer que as empresas estão absorvendo o custo adicional e sacrificando a margem de lucro, pois o momento econômico atual do país não permite repasses”, ponderou.

O superintendente da Construtora Capital e da Morar Mais Empreendimentos, Henrique Medina concorda. “Não tivemos qualquer aumento relevante. Creio que esse reajuste está dentro das expectativa e se dá pela variação de um insumo ou outro, a exemplo do combustível, já que boa parte de nossas matérias primas vêm de fora do Estado e a logística não ajuda. Talvez o dólar também tenha ajudado a encarecer alguns materiais, como aço e telhas de alumínio”, avaliou.

Compasso de espera

Indagado se a pressão dos custos, associada ao menor ritmo das atividades, estaria levando construtoras do Amazonas a terem dificuldades operacionais - ou até mesmo a fecharem as portas -, o presidente do Sinduscon-AM disse que o pior já passou nesse sentido, mas alertou que o segmento pode voltar a enfrentar dificuldades, conforme a volatilidade política e econômica do país.

“A fase de fechamento já passou. As empresas agora estão trabalhando mais em compasso de espera, aguardando a retomada do Polo Industrial e demais setores para impulsionar a demanda e inspirar mais investimentos. Começamos o ano com muito otimismo e entramos em uma fase de transição, para uma melhoria que creio que virá. A não ser que a Reforma da Previdência não passe”, encerrou.


 

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