Construção

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Custo da construção civil reduz em maio no Amazonas

Por Marco Dassori

11 Jun 2019, 08h46

Crédito: Divulgação

Após quatro meses seguidos de escalada, o INCC (Índice Nacional de Construção Civil) do Amazonas registrou sua primeira desaceleração do ano, em maio, mas ficou acima da média nacional. A informação está no levantamento realizado pelo IBGE com o Sinapi (Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil) e foram divulgados nesta sexta (7).

A alta foi de 0,35% e ficou 0,23 pontos percentuais abaixo da marca de abril (+0,58%), ao passar de R$ 1.096,43 para R$ 1.100,53. A redução do ritmo não evitou as altas dos acumulados. No ano, a variação foi de 1,51%, um acréscimo de 0,36 pontos percentuais em relação ao levantamento anterior (+1,15%). Em 12 meses, o incremento foi de 6,10%, ficando pouco acima (0,03 p.p.) do registro do mês passado (+6,07%).

Na variação mensal, o custo da construção civil do Amazonas foi o sétimo acréscimo percentual mais alto entre as 27 unidades da federação e 13º menor valor do país. O maior custo em termos monetários veio do Acre (+0,56%), enquanto Rondônia (-0,37%) ficou com o menor. Em termos de valores, Sergipe (R$ 985,79) teve o custo mais baixo e Santa Catarina (R$ 1.274,65), o mais alto.

O INCC subiu com menos força na média brasileira (+0,11%), ficando 0,23 pontos aquém do número de abril (+0,34%). Subiu de R$ 1.130,67 para R$ 1.131,89. O indicador nacional acumulou elevações de 1,61% no ano e de 4,49% em 12 meses.

No Amazonas, R$ 610,63 do custo total da construção civil veio dos preços dos materiais, enquanto R$ 489,90 foram oriundos da remuneração da mão de obra. No corte em nível nacional R$ 592,48 foram relativos aos materiais e R$ 539,41 à mão de obra.

O Estado ocupou a 14ª posição nos menores valores de material, entre as 27 unidades da federação pesquisadas pelo IBGE. O menor veio do Espírito Santo (R$ 534,15) e o maior ficou no Acre (R$ 701,72). Em relação ao custo de mão de obra, o Amazonas ficou em 12º lugar. Sergipe (R$ 441,31) ficou na base do ranking, enquanto Santa Catarina (R$ 658,25) ficou no topo.

Abaixo da inflação

De acordo com o supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, os dados mostram que o custo da construção no Amazonas continua a ser menor do que a média nacional, “sendo que aquele relativo ao material de construção continua a ser maior, enquanto aquele relativo à mão de obra continua a ser menor”.

“Enquanto o acumulado da inflação de maio chegou a 2,2%, o da construção local chegou a 1,51%. O reajuste tem sido inferior à média da inflação, o que não impacta os preços locais de outros produtos. Esse comportamento do varejo, ainda é fruto da baixa demanda do mercado para os insumos da construção”, analisou.

Mercado tímido

Na percepção do presidente do Sinduscon-AM (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas), Frank Souza, houve uma redução no valor da mão de obra, que se manteve inferior ao nacional, enquanto houve aumento para os materiais, em virtude da logística diferenciada do Estado

A tendência, segundo Souza, é que o índice regional de custo da atividade não sofra variação significativa ao longo do ano, ficando abaixo do patamar da inflação oficial até dezembro. O dirigente salienta também que as variações dos preços de mercado não serão “muito agressivas” em relação aos valores de custo de metro quadrado para as empresas.   

“Se fizermos uma conta, veremos que a média mensal neste ano foi de 0,30. Uma projeção com essa média dá 3,6% em dezembro, abaixo da inflação oficial. Apesar de termos saído do 14º para o sétimo metro quadrado mais caro, essa variação não é uma distorção em relação aos preços, que estão defasados. Em torno de 80% dos imóveis construídos no Amazonas estão na categoria econômica, portanto seus materiais não contam com flutuação de valor tão grande”, explicou.

No tocante à mão de obra, o presidente do Sinduscon-AM observa que a discussão de custos começa a partir deste mês, mês de dissídio dos trabalhadores da construção civil no Amazonas. Até o fim do mês, segundo Frank Souza, as entidades patronal e laboral devem ter batido o martelo em relação ao índice de reajuste de salários da categoria, entre outros pontos discutidos ao longo de junho. Mas, o dirigente não vê possibilidade de aceleração dos custos da atividade neste caso também.

“A tendência é que não haja variação no custo de mão de obra, pelo estado tímido em que se encontra o mercado, atualmente. Ou seja, não há perspectiva de aumentos nesse caso, que não seja pela própria correção do INCC. É o indicador que rege isso aí e fica tudo na mesma conta”, finalizou.

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