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Custo abaixo da inflação estimula construção no Amazonas

Custo da construção civil no Amazonas, por metro quadrado, foi de R$ 1.084,81 em janeiro de 2019 - contra os R$ 1.118,60 da média nacional

Por Marco Dassori

09 Fev 2019, 12h59

Crédito: Walter Mendes/Acervo JC

O Amazonas registrou aumento de 0,05% no INCC (Índice Nacional da Construção Civil) de janeiro 2019, o sétimo menor valor do país. Na média nacional, o indicador subiu 0,42% no mesmo mês, conforme dados do Sinapi (Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil) e IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O desempenho da atividade no mês, por outro lado, eleva a variação do passivo das construtoras amazonenses para 4,93% nos últimos 12 meses. O número ficou acima da média nacional nesse tipo de comparação (+4,56%). Os dados foram divulgados pelo IBGE nesta sexta-feira (8).

O custo da construção civil no Amazonas, por metro quadrado, foi de R$ 1.084,81 em janeiro de 2019 – contra os R$ 1.118,60 da média nacional. Em comparação às unidades da federação, a construção civil do Amazonas ficou na 11º posição no ranking dos menores custos. Desse valor total, R$ 595,47 (54,8%) foram relativos aos materiais e R$ 489,34 (45,2%) a mão de obra.

O supervisor de Disseminação de Informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, observa que o indicador fechou o ano passado com um crescimento de 5,16%, bem acima do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que é a base de cálculo para a inflação oficial (+3,75%). “O que indica que os preços locais da construção (insumos e mão-de-obra) subiram mais que a inflação em 2018”, ressaltou, no texto distribuído à imprensa.

“Preços de base”

Na análise do presidente o Sinduscon-AM (Sindicato da Construção Civil do Amazonas), Frank Souza, o INCC de janeiro indica que esta é a “hora de comprar imóveis”, já que o número ficou abaixo do IPCA do mês (+0,32%). “Isso indica que as construtoras estão trabalhando com preços de base e abaixo da inflação”, arriscou.

O dirigente considera que, no curto prazo, a tendência do INCC é de estabilidade para o Amazonas. De um lado, o dissídio coletivo para a construção civil será apenas em junho, o que reduz as perspectivas de alta do custo da mão de obra. E, diferente do que ocorreu nos anos de boom do setor, ainda há excesso de oferta de trabalhadores, o que diminui a pressão nesse quesito.

Frank Souza também não vê, pelo menos de imediato, probabilidade de elevação nos custos de materiais para a atividade. “Alguns preços de insumos, como o do aço, estão atrelados ao dólar, que está em viés de baixa. A taxa de juros está estável, com perspectiva de alta gradual, o que desestimula o crédito para o consumidor. Mas, há o fator de regulação do próprio mercado”, listou.

Pressão nos custos

No médio a longo prazo, a situação pode ser diferente. O superintendente da Construtora Capital e da Morar Mais Empreendimentos, Henrique Medina, avalia que a tendência de aquecimento do mercado, caso confirmada, pode gerar maior procura por trabalhadores e consequente pressão nos custos da mão de obra, mais adiante.

No caso dos materiais, contudo, a preocupação é constante. O dirigente lembra que, com exceção de poucas matérias primas, como areia, brita, cabos, fios, tubos e conexões, tudo o que é empregado na atividade da construção civil do Amazonas vem de fora. E, como consequência, sofre os efeitos do tabelamento do frete, medida do governo Temer para encerrar a greve dos caminhoneiros de 2018.

“O aumento pode ter ocorrido principalmente por esse motivo, já que, diferente de outras regiões, não temos a produção local dos principais insumos necessários ao setor. Aço, cerâmica e cimento, por exemplo, têm que ser comprados com antecedência em outras regiões, e costumam sofrer atrasos na Alfândega”, lamentou.

Henrique Medina destaca que o PIM (Polo Industrial de Manaus) perdeu recentemente uma tradicional fábrica de cimento e que, apesar de oferecer preços competitivos, o polo oleiro de Iranduba (a 26 km da capital) não constitui vantagem para a empresa, dada a tecnologia empregada.

“No caso do cimento, o custo local não era vantajoso. As olarias seriam uma boa opção para a cerâmica. Mas, as unidades habitacionais para o Minha Casa Minha Vida, onde está a maior demanda, empregam paredes de concreto armado. Não tijolos convencionais”, finalizou.

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