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Criar comida a partir do ar é a façanha dessa startup

A cidade mais conectada do País e a telha hidropônica projetada por um brasileiro e própria para o cultivo

Por Lilian D´Araujo-Correa @LyDaraujo @JCommercio

19 Set 2019, 20h21

Crédito: Divulgação

A proposta de criar comida a partir do ar veio da Nasa. Mas foi a startup Solar Foods que conseguiu colocar a ideia em prática. A empresa finlandesa desenvolveu o Solein, uma proteína natural em pó feita a partir de CO², água e eletricidade. Segundo o WeForum, a substância tem aspecto e sabor de farinha de trigo e pode ser misturada com outros alimentos.

O Solein tem em sua composição 50% de proteína, 20% a 25% de carboidratos e 5% a 10% de gordura. Segundo a Solar Foods, a proteína pode ser usada como ingrediente em uma série de produtos, como shakes e iogurtes, por exemplo. Os primeiros lançamentos estão programados para 2021. A proposta é revolucionária e pode resolver dois problemas globais de uma vez só: como alimentar o planeta em um futuro de recursos escassos, e como produzir comida ser emissões de carbono. Além disso, o potencial de escala parece ilimitado. O processo para desenvolver a “farinha” é completamente sustentável e, de acordo com Pasi Vainikka, CEO da empresa, "livre de limitações agrícolas". A produção é feita em ambientes fechados, sem ficar dependente de mudanças climáticas, disponibilidade de água ou qualidade do solo.

Em primeiro lugar, um equipamento de captura de carbono extrai o CO² do ar. O gás é depois combinado com água, nutrientes e vitaminas. Por fim, a mistura é submetida à fermentação natural, em um processo semelhante ao aplicado em leveduras e bactérias do ácido lático. Para essa fermentação, a startup usou energia solar.

Além da produção de produtos próprios, a Solar Foods trabalha em outras duas frentes. Na primeira, atua em conjunto com a Agência Espacial Europeia para desenvolver a produção de alimentos em órbita. A segunda tem um objetivo mais ambicioso: levar a proteção da proteína a áreas onde o clima e o solo não permitem o desenvolvimento da agricultura tradicional.

Há ainda uma quarta possibilidade: fornecer a proteína para as empresas que estão produzindo carne vegetal, como Beyond Meat e Impossible Foods, reduzindo assim o seu impacto ambiental.

A finlandesa começou a desenvolver o Solein em 2018. A partir de 2021, a startup planeja produzir duas milhões de refeições por ano, com uma receita anual entre US$ 800 milhões e US$ 1,2 bilhão até 2023. Até 2050, a Solar Foods espera fornecer a proteína para nove bilhões de pessoas.


2 - As cidades mais inteligentes e conectadas do Brasil

Campinas é eleita a cidade mais conectada do País
 

Quais são as cidades mais desenvolvidas e conectadas do Brasil? É essa a pergunta que o Ranking Connected Smart Cities pretende responder. Realizado pela consultoria Urban Systems, o relatório traz indicadores que qualificam os locais mais inteligentes e conectados do país. 

Campinas foi a primeira colocada na lista deste ano. É a primeira vez que a líder do ranking não é uma capital. São Paulo ficou com a segunda posição e Curitiba ficou em terceiro lugar.

O relatório mapeia as cidades com maior potencial de desenvolvimento no Brasil por meio de indicadores que retratam inteligência, conexão e sustentabilidade. Ao todo, são avaliados 70 indicadores, separados em 11 tópicos: mobilidade e acessibilidade, meio ambiente, urbanismo, tecnologia, saúde, segurança, educação, empreendedorismo, energia, governança e economia. Confira as 20 primeiras colocadas: 

1. Campinas (SP) 
2. São Paulo (SP) 
3. Curitiba (PR) 
4. Brasília (DF) 
5. São Caetano do Sul (SP)
6. Santos (SP)
7. Florianópolis (SC) 
8. Vitória (ES) 
9. Blumenau (SC)
10. Jundiaí (SP)
11. Campo Grande (MS)
12. Niterói (RJ)
13. Belo Horizonte (MG)


14. Rio de Janeiro (RJ)
15. Joinville (SC)
16. Itajaí (SC)
17. Balneário Camboriú (SC)
18. São Bernardo do Campo (SP)
19. Palmas (TO)
20. Porto Alegre (RS)


3 - Engenheiro brasileiro cria primeira telha hidropônica para cultivo

Kaatop é uma telha hidropônica projetada para o cultivo

 

Já ouviu falar de telha hidropônica para cultivo de vegetais? Sérgio Rocha, engenheiro agrônomo brasileiro, criou a primeira delas. A partir da pesquisa, iniciada em 2012, o pesquisador desenvolveu o modelo em conjunto com a ecóloga Fabiana Scarda, do Instituto Cidade Jardim. O projeto foi selecionado pelo programa Cidades Sustentáveis da Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (Fapesp) e foi lançado no último dia 27.

A ideia, segundo Sérgio – em relatório produzido para a instituição de pesquisa – surgiu após observar que vários de seus clientes queriam instalar jardins sobre telhas de barro ou fibrocimento. No entanto, os materiais possuem características que os impedem de receber sobrecarga permanente.

Para resolver o impasse, Sérgio criou o Kaatop, uma telha hidropônica projetada para o cultivo. Além do benefício, ela é mais leve do que telhas comuns e à prova de infiltração. Sua vedação ocorre no próprio encaixe das telhas, o que facilita o processo, sem necessidade de impermeabilização.

Com a inserção de orifícios para o cultivo das sementes e de pequenas mangueiras de gotejamento e irrigação, o sistema ganhou uma nova utilidade. Para facilitar o controle dos plantios, o Kaatop conta com um monitoramento remoto e automatizado, que permite verificar a umidade, teor de adubação, consumo de água, temperatura e PH.

A proposta é usar as telhas para diversos tipos de plantio, desde tomate ao feijão. Cada metro quadrado pode cultivar até 20 mudas. A tecnologia nacional vai começar a ser comercializada em dezembro deste ano e pode ser vista na sede do Instituto Cidade Jardim em Itu, no interior de São Paulo (SP).

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