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Criação de empresas avança 10,72% no Amazonas

Após perder o emprego numa indústria de eletroeletrônicos, Cleonice de Moura e Silva, 35, juntou algumas economias e fundou, há três meses, a Artesanatos & Presentes, pequena loja de miudezas manufaturadas

Por Por Publicação JC

23 Jan 2010

 



Após perder o emprego numa indústria de eletroeletrônicos, Cleonice de Moura e Silva, 35, juntou algumas economias e fundou, há três meses, a Artesanatos & Presentes, pequena loja de miudezas manufaturadas. “O pequeno atelier” instalado no próprio endereço da ex-industriária, no bairro Cidade Nova, zona norte, garantiu unir “o útil ao agradável”, segundo a nova empreendedora. Ela contou ao Jornal do Commercio que estando em casa pode atender às pessoas toda hora. “Às vezes, a loja está fechada e estou lá dentro de casa. Então, basta a pessoa chamar que eu saio e atendo”, explicou.
Cleonice Moura é um exemplo entre as 6.432 pessoas jurídicas criadas ao longo de 2009, após o pacote de medidas de incentivos à pequena e média empresa que trouxe bons ventos à economia local no período pós-crise. Com o otimismo em alta, o ano passado avançou 10,72% no acumulado sobre o total de 2008, momento em que o cartório oficial de novos empreendimentos no Amazonas registrou a abertura de 5.809 empresas.
Trata-se de um número razoável no contexto atual, na opinião do secretário-geral da Jucea (Junta Comercial do Estado do Amazonas), Edmilson Barbosa, segundo o qual o Estado vinha registrando recordes seguidos de novas aberturas de empreendimentos em 2008, o que explica, em parte, o fato de os números de 2009 terem reduzido inicialmente a média percentual de crescimento. “Além disso, os novos investidores se ressentiram dos efeitos da redução de crédito bancário para capital de giro no mercado interno. Só após o primeiro semestre de 2009 é que o otimismo aos poucos retornou”, completou.
Barbosa explicou ainda que o maior foco de interesse empresarial continua sendo a capital amazonense, que concentrou 84% do total, comparativamente ao número de interessados em atuar no interior do Estado. Na análise do secretário-geral da Jucea, o desempenho recorde no acumulado pode ser um reflexo do bom momento pelo qual passou a economia formal no Amazonas, agora assegurada pelas vantagens que a adesão ao Supersimples representa para as pequenas e microempresas locais. “Os novos empreendedores já perceberam que a maioria das empresas não se contenta com a simples nota fiscal avulsa de serviço e para manter-se competitivo no mercado é necessária a legalização”, asseverou.
Na opinião do analista econômico e tributarista Otaviano Bianchini Leite, pela primeira vez, desde a chegada da crise econômica ao país, no último trimestre de 2008, a arrecadação estadual pode receber, de fato, impulso com incremento da atividade econômica. “Se este ano contabilizarmos o mesmo volume de crescimento de microempresas do ano passado, é provável que o Estado incremente a receita tributária com um montante entre 15% a 20% sobre o global de 2009. Um resultado que não seria surpreendente, principalmente para Manaus, que vem alcançando índices de empregabilidade fantásticos”, refletiu.

Aumento de arrecadação

Para o diretor-chefe do Dearc (Departamento de Arrecadação da Secretaria de Estado da Fazenda), Gilson Nogueira, as evidências da retomada econômica podem ser verificadas com o aumento da arrecadação de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadoria e Serviços) previsto para este ano. “Em 2009, o Estado obteve R$ 4,29 bilhões com a cobrança desse imposto. Para 2010 prevemos um incremento que inicialmente deve superar em 10% o global do ano passado”, afirmou.
Para o fisco, além do maior dinamismo da economia, as ações de combate a fraudes e sonegação adotadas no último ano também contribuíram para elevar a receita. “Além disso, houve forte apelo para a legalização de empresas no Estado, o que cooperou para os bons resultados”, destacou Nogueira.
Em 2009, muitos são os exemplos em Manaus de pessoas que deixaram de ser empregados para se tornarem patrões. Foi o que aconteceu com o ex-técnico em mecânica, Pedro Teodoro, 29. Em 2008, ele já contava oito anos de serviços prestados a uma empresa de termoplásticos, quando decidiu ingressar no programa de demissão voluntária que a mesma implantou. Com a indenização trabalhista, montou nos fundos de sua casa, no bairro Santo Antônio, zona oeste, uma pequena fábrica de objetos promocionais (bonés, camisetas, chaveiros). Segundo o ex-industriário, inicialmente, o negócio garantiu ocupação para ele e para a esposa, Janice Gomes Teodoro. “Hoje, já são quatro empregos ofertados diretamente, porque não estávamos dando conta de tanto trabalho”, afirmou.
O casal teve de construir um primeiro andar onde mora. No térreo, funciona a Teo Brindes, empresa que atende fábricas do distrito industrial com bonés, camisetas e chaveiros e canetas. O faturamento ultrapassa os R$ 16 mil que, tiradas as despesas, rende um salário melhor do que aquele que Teodoro ganhava na época em que era empregado. “O descrédito para quem está começando é muito grande”, finalziou o empreendedor, afirmando que obteve linhas de crédito oficiais depois que o negócio se consolidou.

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