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Cozinhas compartilhadas começam a se espalhar pelo Brasil

Depois do coworking e do coliving, o conceito de compartilhamento chegou aos restaurantes

25 Mar 2019, 17h10

Crédito: Divulgação

Depois do coworking, divisão dos espaços de trabalho, e do coliving, quando um grupo ou famílias dividem a mesma casa, o conceito de compartilhamento chegou aos restaurantes. O cokitchen, que numa tradução livre significa cozinha compartilhada, vem ganhando cada vez mais adeptos. O modelo, segundo chefs e empresários, só traz vantagens: além de reforçar as marcas junto aos clientes, é uma forma de tornar o negócio mais viável e até sustentável.

Chef do Massa, aberto há cerca de três anos no Leblon, Pedro Siqueira é um dos entusiastas do novo modelo de empreender. Decidiu que reformaria a trattoria para também oferecer as pizzas do Ella, cuja casa, que ele também comanda, fica no Jardim Botânico. A novidade reabriu há pouco mais de um mês, e um letreiro, logo na entrada, agora indica a colaboração entre as duas marcas. O resultado foi um sucesso. O menu mais versátil atraiu um público jovem, que não era o alvo do restaurante quando era apenas Massa, e continuou satisfazendo os antigos clientes.

“Enxergamos uma possibilidade de expansão e de redução de custos. Em vez de abrirmos o Ella no Leblon, pensamos em utilizar o mesmo espaço para oferecer os dois produtos. É uma linguagem mais jovem e interativa que está dando certo tanto para os clientes que já eram do Massa quanto para os do Ella. No começo, ficamos na dúvida se as pessoas entenderiam”, conta Siqueira.

As massas das pizzas são compradas do Ella e continuam sendo feitas lá. Chegam ao Massa de carro. Um trajeto rápido, no ar-condicionado, não gera problemas, garante Siqueira. 

Também no Rio de Janeiro, outra parceria de renome chama a atenção. A loja conceito do T.T Burguer, de Thomas Troisgros, tem em seu segundo andar, um bar da cervejaria Jeffrey. Apesar de já criar rótulos especiais para a hamburgueria, este é o primeiro espaço físico que os dois dividem. O bar conta com oito torneiras, que têm rotatividade. O chope vem direto da fábrica da Jeffrey, e a ideia dos sócios é também testar a aceitação de novos rótulos. Em seis meses, já passaram por lá 40 receitas diferentes.

“Para nós é especial fazer esse projeto, porque somos amigos há anos e as nossas marcas têm muitas similaridades. Amamos a cidade e desenvolvemos produtos especiais para ela. Nós nos juntamos para criar as melhores experiências nas áreas da cerveja e da gastronomia. É um casamento que dá certo”, afirma Gilson Val, sócio da Jeffrey.

Inaugurado em outubro de 2018, o Be+Co, em Botafogo, também é conhecido por sua proposta colaborativa. Foi concebido para ser um coletivo gastronômico que fosse sempre redesenhado. São três operações fixas: o Sudburguer, hambúrguer de Roberta Sudbrack; a culinária árabe do Zatar, da chef Katia Hannequim; e o Lalla Bakery, com as tartes e sobremesas de Laila Caminha, que recebe invasões de chefs semanalmente, como a da pizzaria Cobre, que ocupou o espaço no início do mês passado.

O modelo de cokitchen já apareceu por aqui antes. No fim de 2015, chegava a Botafogo a House of Food, uma cozinha colaborativa que surgiu em São Paulo e que até seis meses atrás recebia um chef diferente por dia. Agora, o projeto optou por temporadas um pouco maiores. No próximo sábado começa uma parceria com a Junta Local chamada Colajunto, em que quinzenalmente cozinheiros, produtores ou os dois juntos vão elaborar pratos tendo como base um ingrediente principal. O primeiro será realizado pela Junta, mas o alimento ainda não foi definido.

“Ter um lugar como a House of Food dá espaço para as pessoas viverem uma experiência profissional que talvez não tivessem. São muitos encontros e surgem dali novas parcerias que ultrapassam a nossa operação”, ressalta Renata Gebara, à frente da House of Food.
As informações são da Agência O Globo.