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Construção civil mantém projeção de alta para o ano, apesar das mudanças

Por Marco Dassori

18 Mai 2019, 08h50

Crédito: Divulgação

O setor de construção civil do Amazonas mantém a projeção inicial de prosseguir na retomada iniciada no final de 2018, fechar o primeiro semestre com alta de 15% e manter o ritmo na segunda metade do ano. As estimativas são positivas tanto para o mercado imobiliário, quanto para as obras públicas.

Uma boa notícia para o setor foi dada nesta sexta (17), durante o Encontro Nacional da Indústria da Construção. O titular da Secretaria Nacional de Habitação, Celso Matsuda, garantiu que as regras das faixas 1,5 (até R$ 2.600 de renda), 2 (R$ 4.000) a 3 (R$ 7.000) do Minha Casa Minha Vida serão mantidas e que seus recursos estão salvos do contingenciamento. Disse ainda que o governo federal vai testar novas modalidades para o faixa 1 (R$ 1.800).

Em Manaus, o programa habitacional chega a representar 80% do setor, segundo cálculo da Ademi-AM (Associação das Empresas do Mercado Imobiliário do Amazonas). São produtos mais baratos e com financiamentos mais dilatados. A faixa 1 é subsidiada pelo governo, enquanto nas demais faixas os incentivos são menores.

As vendas do mercado imobiliário local totalizaram R$ 120 milhões no primeiro trimestre, em um panorama econômico otimista, embora instável. O montante foi 12,15% superior ao do mesmo período de 2018 (R$ 107 milhões), conforme o Censo Imobiliário do Sinduscon-AM e da Ademi-AM. O crescimento se deve a uma base fraca, pois houve apenas um lançamento, com 220 unidades – contra nenhum nos três meses iniciais de 2018.

“Já entregamos um empreendimento neste mês e devemos apresentar mais dois em junho. As vendas existem, embora ainda não sejam tão altas como desejamos. Minha preocupação é que as empresas mantenham o ritmo e os lançamentos. Caso contrário, correremos o risco de ficar sem produto”, avaliou o presidente do Sinduscon/AM (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado do Amazonas), Frank Souza.

O presidente da Ademi-AM, Albano Máximo Neto, ressaltou que o governo federal já destinou orçamento de R$ 4 bilhões para pagar as faixas 1 e 1,5 do Minha Casa Minha Vida dezembro de 2019. De acordo com o dirigente, não há notícia de dívidas pendentes.

“Neste mês, foram liquidadas as medições em atraso e ficaram pendentes apenas as medições correntes. Também não temos notícia de falta de pagamento nas demais faixas. E o governo federal já garantiu a continuidade da cobertura financeira para o programa”, tranquilizou.

Reforma da Previdência

Albano Máximo Neto mantém cautela em relação às projeções iniciais da entidade e já não tem tanta certeza se o incremento de 32% será alcançado até dezembro. O motivo está nas dificuldades de aprovação da Reforma da Previdência e as consequentes marcha lenta dos indicadores macroeconômicos e hesitação dos investidores.

“Havia muita expectativa no começo do ano, mas está difícil. Creio que devemos manter esse ritmo de 12% no semestre. Se a Reforma deslanchar, podemos acelerar até os 32% na segunda metade do ano. Tem muita gente com produto na forma e as incorporadoras estão se preparando para agir, a partir de uma retomada. Se a Reforma for desidratada, não dá para prever números, mas o resultado será bem mais fraco”, adiantou.

Já o presidente do Sinduscon-AM se diz mais otimista em relação ao tema. “Creio que, apesar dos problemas entre o Executivo e o Legislativo, já está se formando um consenso no Congresso, e em boa parte da sociedade brasileira, de que a Reforma é necessária. Com a aprovação, o setor terá mais dinheiro para investir e contratar”, amenizou Frank Souza.

Obras públicas

No caso das obras públicas, a expectativa do Sinduscon-AM é avançar a partir do remanejamento de verbas para a retomada de empreendimentos parados no Estado. Com base na Pesquisa Nacional sobre Obras Paralisadas do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), a Câmara Brasileira da Indústria da Construção defendeu neste mês a retomada de 4.700 obras em todo o país – avaliadas em R$ 135 bilhões.

As principais propostas da CBIC não exigem novos investimentos. Uma delas é a criação de um fundo único para concluir obras. Muitas prefeituras já receberam da Caixa Econômica Federal adiantamento para esse fim, em contas vinculadas, onde o dinheiro não pode ser usado para outro objetivo.

Um total de 80 obras, totalizando R$ 836 milhões, estão suspensas por entraves judiciais no Amazonas, conforme diagnóstico do Tribunal de Contas do Estado. Os números podem ser ainda mais elevados, uma vez 73% das prefeituras ainda não enviaram os dados ao Tribunal.

“O setor já está fazendo muitas obras para o município. E o governo estadual vem se preparando para isso e já está se mexendo. E as medidas de austeridade anunciadas recentemente, que são necessárias diante da queda de arrecadação, não vão impactar. A retomada seria feita sem necessidade de novos empenhos”, concluiu o presidente do Sinduscon-AM.

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