Opinião

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Como criar uma nação com paz positiva?

A paz não pode ser obtida pela força, mas pelo conhecimento (Albert Einstein)

Por Jonas Gomes

27 Jun 2019, 09h53

Crédito: Divulgação

O artigo aborda sobre o índice de paz positiva e como buscá-lo para melhorar a qualidade de vida em nosso país.

Semana passada abordou-se sobre o Relatório GPI (Global Peace Index) 2019, publicado pelo Instituto para Economia e Paz, organização que monitora e apresenta meios para os governos desenvolverem o processo de paz. Neste relatório há várias pesquisas, uma delas diz respeito ao “Índice de Paz Positiva (IPP)”, o qual mede a capacidade de uma sociedade em atender as necessidades dos seus cidadãos, reduzindo o número de queixas de forma eficiente sem precisar recorrer ao uso da violência. 

A pesquisa captura as atitudes corretas, as instituições e estruturas necessárias para sustentar sociedades pacíficas. Sua metodologia coleta dados de 163 regiões, as quais cobrem 99% da população mundial. A análise do desempenho de cada região diz respeito ao período de 2005 a 2017, sendo uma fonte valiosa para lideranças, governantes, parlamentares, empresários, religiosos interessados em criar ambientes favoráveis para florescer o potencial do ser humano. 

Basicamente, o IPP é composto por oito pilares com 3 indicadores cada, totalizando 24 índices conforme abaixo:

P1) bom funcionamento do governo

Aqui busca-se saber o quanto a população percebe se o governo fornece serviços de alta qualidade, se incentiva a participação dos cidadãos, se tem estabilidade política e se sustenta o Estado de Direito. As variáveis envolvidas são: cultura política democrática, a eficácia do governo e Estado de Direito. As fontes são Economist Intelligent Unit, Democracy Index e World Bank;

P2) ambiente sólido para fazer negócios

A força das condições econômicas, bem como das instituições formais apoiadoras do setor privado determina a solidez do ambiente para fazer negócios. A competitividade dos negócios e a produtividade econômica estão associadas aos países mais pacíficos, assim como a presença de sistemas regulatórios que conduzem às operações de negócios. As variáveis analisadas são ambiente de negócios, liberdade cconômica e PIB per capita. As fontes são Legatum Institute, Heritage Foundation e o World Bank;

P3) aceitação dos direitos dos outros

Leis formais garantem os direitos humanos básicos e a liberdade. Aqui também são observadas as normas informais inerentes da cultura da região que influenciam no nível de tolerância entre diferentes grupos religiosos, étnicos, linguísticos e sócio econômicos. Similarmente, a equalidade de gênero e os direitos dos trabalhadores são componentes importantes que formam a base para aceitar os direitos. As variáveis são Índice de empoderamento, Índice de reclamação de grupos e inequalidade de gênero, obtidos a partir das fontes Human Right Dataset, Fund for Peace, bem como a UNDP usando o Development Index;

P4) boa relação com os vizinhos

Relações pacíficas com outros países são tão importantes quanto boas relações entre grupos internos. Este pilar é fator importante para atrair e apoiar o investimento estrangeiro, o turismo e pessoas talentosas. As variáveis são hostilidade aos estrangeiros, número de visitantes e integração regional. A principal fonte é Economist Intelligence Unit.

P5) fluxo livre das informações

A mídia livre e independente dissemina informações de uma maneira que leva a uma maior abertura e ajuda os indivíduos e a sociedade civil a trabalharem em conjunto. Isso reflete na capacidade dos cidadãos em obter as informações e se manterem bem informados, visando a melhor tomada de decisão, bem como oferecer respostas racionais mais equilibradas em tempos de crise. Aqui as variáveis analisadas são índice de liberdade de imprensa, taxa de subscrição de celular; índice de liberdade de imprensa mundial. Todos coletados nas seguintes fontes Freedom House, ITU e Reporters Without Borders;

P6) alto nível do capital humano

Uma base de capital humano qualificado reflete em sociedades que cuidam dos jovens, educam os cidadãos e promovem o desenvolvimento do conhecimento, melhorando a produtividade econômica, possibilitando a participação política e aumentando o capital social. Neste sentido a educação é a principal chave para uma sociedade ser resiliente, capaz de aprender e se adaptar às mudanças. As variáveis são taxa de matrícula das crianças nas escolas em idade certa, índice de inovação global, índice de desenvolvimento dos jovens, obtidas nas seguintes fontes World Bank, Cornell University e CommonWealth Secretariat;

P7) baixo nível de corrupção

Em sociedades com alto nível de corrupção, os recursos são ineficientemente alocados, geralmente resultando em falta de fundos para serviços essenciais para sua população. As inequidades resultantes podem levar a distúrbios civis, em situações extremas, podem aumentar seriamente o nível de insegurança e de violência na população. Por outro lado, em regiões em que a corrupção é mais baixa, há mais confiança e apoio aos serviços realizados pelas instituições. As variáveis são elites faccionalizadas, percepção da corrupção e controle da corrupção, obtidas em Fund for Peace, Transparency Internacional e World Bank;

P8) distribuição equitativa dos recursos

Equidade no acesso aos serviços como educação e saúde, bem como na distribuição de renda. As variáveis são human development index, social mobility e poverty gap, obtidos via UNPD, Institucional Profiles Database e World Bank.

Bem, os principais resultados do último relatório publicado em 2018 são:

  1. O IPP melhorou globalmente em 2,4 % nos últimos 12 anos;
  2. Sete de nove regiões mundiais melhorou o IPP entre 2005 e 2017. Mas a América do Norte, o Oriente Médio e a África do Norte foram as exceções;
  3. Sete dos oito pilares têm melhorado desde 2005, mas o pilar “Baixo Nível de Corrupção” foi 2,4% pior quando comparado com  2017;
  4. A Suécia, Finlândia, Noruega, Suíça, Holanda, Irlanda, Dinamarca, Nova Zelândia, Alemanha e Islândia foram os dez países com os melhores resultados na paz positiva; 
  5. Por outro lado, a Somália, a República Africana Central, o Iêmen, Eritréia, o Sudão do Sul, a Coreia do Norte, a Guiné Equatorial, República do Chade, Síria e Sudão foram as regiões com os piores desempenhos;
  6. Dentre as 163 regiões investigadas, o Brasil ficou na 69a posição;
  7. Cada 1% de melhoria no IPP corresponde a um ganho real de 2,9%  no PIB per capita;
  8. Países com o o mais alto IPP têm mais chances de manter a estabilidade, se adptar e recuperar das crises.

Finalmente, o IPP fornece uma estrutura robusta para promocer o desenvolvimento econômico e em seu relatório há várias lições com potencial de melhorar a qualidade da tomada das decisões de nossos governantes, parlamentares e empresários, oxalá um dia eles possam amadurecer a ponto de acreditar que a paz não pode ser obtida pela força, mas pelo conhecimento (Albert Einstein), neste sentido, eis ai uma metodologia rica para ajudar a tornar o Brasil realmente uma grande nação. 

*Jonas Gomes da Silva – Vice Chefe do Departamento de Engenharia de Produção da FT-UFAM – gomesjonas@hotmail.com

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