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Comércio tradicional busca mais inserção no mercado digital

Por Antonio Parente

03 Set 2019, 10h15

Crédito: Antonio Parente

Representantes do comércio discutem estratégias e alternativas para lojas físicas se adequarem a realidade dos e-commerce. O objetivo é criar soluções para concorrer com o comércio digital e criar ferramentas para potencializar as vendas físicas. O assunto foi abordado em palestra com o tema “Como competir com o E-commerce”, realizada ontem (2),  na CDL Manaus (Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus). 

Segundo o presidente da FCDL-AM (Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Amazonas),Ezra Azury Benzion Manoa, o seminário é uma das  ferramentas para estimular e ajudar os empresários a atuarem dentro do mercado digital de forma estratégica para expandir seu negócio. A ideia é formar parcerias junto com a UEA (Universidade Federal do Amazonas), Fapeam- AM (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas), para capacitar e preparar o empresário dentro no segmento.

“O comércio é muito dinâmico e hoje o consumidor está fazendo bastante compra pela internet ou celular, então é muito importante que as pessoas entendam da necessidade de fidelizar seu cliente. O consumidor tem que se sentir acolhido e com a sua necessidade suprimida. Com isso teremos melhores consumidores com atendimento mais personalizado”, disse.

Conforme dados da ABComm (Associação Brasileira de Comércio Eletrônico), em 2018,  a quantidade de vendas pela web cresceu 15% na comparação com o ano anterior. O resultado reflete um desempenho bem acima dos 2,3% de alta do varejo tradicional. De acordo com Ezra, um dos objetivos da FCDL Amazonas é fechar uma parceria com a UEA para criar cursos online direcionado para os comerciantes do interior. A estratégia é auxiliar ainda mais os empresários, principalmente os que atuam no interior, a se adequarem a essa nova realidade digital.

“Nós queremos levar educação continuada, cursos e palestras para o empresário do interior que tem dificuldades de locomoção para capita. Nós sentimos que os empresários do interior estão se sentindo abandonados e cada vez que temos uma oportunidade como essa de aproximar o poder público a eles, todo mundo ganha com isso”, disse.

De acordo com o relatório da E-bit, o E-commerce no Brasil fechou o ano de 2018 com faturamento de R$ 53,2 bilhões, crescimento nominal de 12% em relação ao ano anterior. A expectativa de vendas até o final de 2019 é que o faturamento chegue a R$ 61,2 bilhões. Segundo o empresário e economista Jaime Benchimol, o processo de digitalização no Brasil está evoluindo a cada dia, e a maior parte dos brasileiros acessam a internet pelo celular e laptop. Ele destacou, que no processo de adequação à essa nova realidade, a alternativa é as empresas criarem aplicativos para atingir o público online.

 “Quem pensa em criar site na internet esquece. O tempo de fazer isso já passou. O brasileiro fica o hras por dia no Brasil. A maior parte do tempo nas redes sociais. Aí que está o público”, destacou.

Benchimol destacou, que atualmente, o site do Mercado Livre é um dos principais concorrentes das lojas físicas, por disponibilizar vendas de diversos produtos com preços bastante acessíveis. Ele explica que as lojas físicas  que vendem eletrodoméstico, joias e brinquedos estão em risco, pois a venda destes produtos pelo mercado digital crescem a todo momento, mas, apesar do desempenho positivo do segmento, ele explica que a modalidade ainda vai demorar para trazer efeito forte sobre as lojas físicas no estado.

“O Amazonas vai ser o último estado a ser atingido por esse efeito, devido a distância, logística e até a qualidade ruim dos serviços da própria internet. A internet no Brasil ainda não é muito eficiente. Esse é um dos motivos que ainda estamos um pouco protegidos. Além disso, existe a demora para entregas dos produtos devido a logística. Mas, é preciso está preparado para criar ferramentas para se adequar a essa realidade”, disse

De acordo com o empresário, o custo baixo dos produtos, a economia média de 14% no preço final , a grande variedades de produtos e disponibilidade de 24 horas para o consumidor, são fatores que tornam o e-commerce como meio mais procurado pelo consumidor. Para combater essa concorrência, ele destacou que é preciso as empresas físicas aumentarem o seu grau de eficiência e aprofundar variedades nas lojas. 

“A dica é se especializar em um segmento e se aprofundar na variedades daqueles produtos. Além da inteligência artificial que não tem como competir, é preciso os lojistas investir em simpatia. E nem isso o comércio físico tem feito direito. Simpatia e sociabilidade com os clientes”, destacou.

Apesar das vantagens do e-commerce em relação às lojas físicas, Benchimol conta, que o modelo digital possui fragilidades que podem ser usados a favor do varejo tradicional. Demora na entrega, alto valor no frete, limitação sensorial, tratamento no pós-vendas e relação humana foram um dos exemplos citados pelo economista. “A vantagem que a loja física é a pronta entrega além de não pagar pela entrega. O que a loja física precisa fazer é uma boa organização de estoque para atender melhor o cliente. A internet também não oferece a experiência de sensação do produto. Como sentir o cheiro de um produto que não está perto? A quem recorrer caso eu não goste do produto? Os empresários de lojas físicas precisam entender onde estão suas fraquezas e seus pontos fortes É melhor receber um produto danificado do que perder o cliente”, explicou.

 

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