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Comércio otimista para o segundo semestre, apesar da crise política

Por Antonio Parente

21 Mai 2019, 09h36

Crédito: Antonio Parente

Índice geral de emprego do comércio varejista de Manaus registrou alta de 0,24% em Março, em relação ao mesmo período do ano passado. Segundo pesquisa realizada pelo Ifpeam (Instituto Fecomércio de Pesquisas Empresariais do Amazonas), o pequeno crescimento se deu por  conta do leve aumento no índice de itens semiduráveis (0,98%) - vestuário, calçado e tecidos - e o item de material de construção que subiu 0,14%.

Para o assessor econômico da Fecomércio-AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Amazonas), Luiz Fernandes, apesar do crescimento discreto, os índices refletem a expectativa positiva do empresário em relação a economia e o movimento do comércio para o segundo semestre. Em sua análise, mesmo em um período de recuperação econômica, havendo um crescimento no nível de emprego o número do consumo cresce, e isso serve de parâmetro para ter uma pequena previsão de como o segmento vai se comportar na outra metade do ano.

“Isso mostra claramente que a perspectiva do empresário e do consumidor está positiva em relação ao desempenho da economia para os próximos meses. Nós tivemos uma pesquisa na intenção de compras e a disposição do consumidor cresceu em relação a ano passado. Isso mostra uma confiança. A taxa de desemprego parou de cair e estamos crescendo, ainda que de forma lenta. O crescimento é modesto, mas não deixa de ser um crescimento. Apesar da crise, podemos dizer que o comércio está otimista para o segundo semestre”, disse.

Na análise da folha de pagamento, a pesquisa registrou uma variação negativa de 0,74% comparado com fevereiro. Em relação ao mesmo período do ano passado, o índice geral mostrou um percentual negativo de 3,63% devido a  à queda de 4,38% no comércio de bens automotivos (concessionárias de veículos, autopeças e acessórios).

Em relação ao nível de estoque, houve uma queda de 7,62% quando comparado a março de 2018, motivada principalmente pela queda de 10,20% no índice do comércio de bens semiduráveis. Em relação a fevereiro, o índice apresentou uma variação negativa de 2,04%, em parte, por conta do índice do comércio de materiais de construção, que caiu 8,22%.

Na análise de José Fernandes, quando ocorre essa variação, significa que o setor está se preparando para mobilizar suas mercadorias para o próximo semestre do ano, com o vislumbre de aumentar o número de vendas e consequentemente movimentar mais o setor.

“Existe um viés muito positivo quando ocorre essa variação. Principalmente em relação aos bens semiduráveis como vestuário e calçados. O comércio começa a se preparar para a reposição desse estoque. Existe uma preparação. Mostra que vamos ter um dia dos namorados muito bom, com uma boa expectativa para o dia das crianças, o black friday - que a cada ano cresce mais - e as vendas do final de ano”, explicou.

Segundo a empresária Ingrid Araújo, dona da loja de roupas e confecções, Exclusiva Size, ainda que de forma lenta e discreta, as vendas no primeiro semestre deste ano superaram as do ano passado. Impulsionado pelo mês das mães e a mudança de comportamento do consumidor, que passou a investir mais, a loja registrou um grande número nas vendas, e a expectativa é que o mês dos namorados o movimento cresça ainda mais.

“Em relação ao ano passado, 2019 vem melhorando com calma. As pessoas não estão mais comprando apenas o básico, elas estão investindo mais em coisas diferentes. Vieram mais pessoas comprar presentes como calças, blusas e até vestidos. O consumidor gastou mais nesse período do dia das mães. Notamos o consumidor investir mais. As clientes femininas principalmente, elas têm comprado mais para passar o dia das mães e principalmente para o dia dos namorados”, disse.

Faturamento

O faturamento bruto variou positivamente 0,38 % quando comparado a fevereiro deste ano, em parte, devido ao aumento de 2,67% no comércio de bens não duráveis (supermercados, farmácias, drogarias, combustíveis e lubrificantes). No entanto, na comparação em relação a março de 2018, a variação geral foi negativa, com percentual de 5,95%, em parte, por conta da queda de 9,44% no índice do comércio de materiais de construção.

Quanto às vendas brutas, houve uma  variação negativa de 0,19% em seu índice comparada a fevereiro deste ano. De acordo com Fernandes, este resultado é reflexo do período de compra de materiais escolares e início de ano letivo, onde consumidor teve um grau de investimento maior, e em março,passa a segurar mais seus gastos contribuindo para uma baixa nas vendas no comércio.

“Tem certos meses que as vendas caem. Após o mês de fevereiro que é o período da compra de materiais escolares, o consumidor dá uma segurada nas compras. Mas após o período do dia das mães esses números voltam a ficar positivo”, explicou.

Em relação a forma de pagamento, observou-se que o pagamento a vista ainda é a opção mais escolhida na maioria das atividades, em particular para o grupo dos bens não duráveis, que apresentou índice de 76,1%.

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