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Comércio cresce em março, mas abaixo do ano passado, aponta IBGE

O volume de vendas subiu 4,4% em relação a fevereiro, após crescer 0,5% no mês anterior. Em relação a março de 2018, houve decréscimo de 1,3%, levando o trimestre a uma taxa negativa de 2%

Por Marco Dassori

10 Mai 2019, 07h05

Crédito: Acervo JC

O comércio varejista do Amazonas registrou novo aumento sazonal nas vendas e renda nominal de março, mas entrou em rota de queda em relação aos números do ano passado. A conclusão vem dos números da pesquisa mensal do IBGE sobre o setor, divulgada nesta quinta (9).

O volume de vendas subiu 4,4% em relação a fevereiro, após crescer 0,5% no mês anterior. Em relação a março de 2018, houve decréscimo de 1,3%, levando o trimestre a uma taxa negativa de 2%. No acumulado de 12 meses, o índice ficou em 1,3% – contra os 2,5% do levantamento prévio.

Ainda assim, o Amazonas teve a segunda maior alta mensal entre os 27 locais pesquisados mensalmente pelo IBGE, atrás apenas de Tocantins (+5,3%) e bem acima da média nacional (+0,3%). O Estado também se saiu melhor do que o restante do país no comparativo com fevereiro, (-1,5%) e do trimestre (-2,4%), mas perdeu no acumulado de 12 meses (+2,5%). Na série com ajuste sazonal, o varejo subiu em 18 unidades da federação.

As vendas do varejo ampliado – que inclui material de construção, além de veículos e suas partes e peças – se saíram melhor. Houve alta de 1,7%, em relação a fevereiro de 2019, após aumento de 1,1% no mês anterior. O volume caiu 0,1% em relação a março, após as altas de janeiro (+0,7%) e de fevereiro (+5,9%). O saldo do trimestre (+2%) e dos últimos 12 meses (+6,5%) segue positivo.

“Na comparação sazonal, o desempenho tem sido bom. Mas, quando se leva em conta os números do ano anterior não tem sido satisfatório. Dentre as diversas razões para isso, ainda perdura a baixa do poder de compra da população. Muito em função da alta taxa de desocupação”, lamentou o supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques.

Economia patinando

Os dirigentes do comércio do Amazonas ouvidos pelo Jornal do Commercio lamentam que os números negativos em relação à fraca base de comparação de 2018 e avaliam que o setor sofreu dois baques em março. O primeiro deles foi o Carnaval tardio de 2019, que deixou o consumidor com menos dinheiro disponível para as compras, um agravante em um mês sem datas comemorativas para o varejo.

“O Carnaval realmente atrapalhou, mas o ambiente de negócios está muito ruim e fazendo com que investidores e consumidores fiquem segurando o dinheiro. Estamos nas vésperas do Dia das Mães e com uma boa expectativa de aumento em relação ao ano passado. Esperamos que os próximos meses também sejam positivos”, ponderou o presidente da ACA (Associação Comercial do Amazonas), Ataliba David Antônio Filho.

Na mesma linha, o presidente da FCDL-AM (Federação das Câmaras dos Dirigentes Lojistas do Amazonas), Ezra Azury, também atribui os números à paralisia do país à espera das reformas e avalia que os números do Dia das Mães darão um termômetro para a dinâmica do setor nos próximos meses.

“Criou-se uma expectativa de que as coisas se resolveriam em um passe de mágica com a mudança de governo, mas a economia segue patinando e o país parado. Há muito desemprego e as empresas estão endividadas. Devemos crescer 3,5% neste Dia das Mães, além de ter algum aquecimento no Dia dos Namorados e durante o Festival de Parintins. Mas, não vejo muita reação de curto prazo no mercado para motivar otimismo”, finalizou.

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