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Colégio D. Pedro II, o lyceu de 150 anos no coração e na história de Manaus

D. Pedro II completa 150 anos sem nunca ter deixado de formar cabeças pensantes

Por Evaldo Ferreira

13 Mar 2019, 18h28

Crédito: Evaldo Ferreira

Hoje o Colégio Estadual (sua denominação de 1943 a 1975), para os mais antigos; e Colégio D. Pedro II (de 1975 até os dias atuais), está em festa, afinal, poucas instituições de Manaus podem se dar ao luxo de completar 150 anos de existência.

O D. Pedro II surgiu em 14 de março de 1869 com o nome de Lyceu Provincial Amazonense, sendo regulamentado pelo então presidente da província João Wilkens de Mattos (1868/1870) e instalado nas dependências do Seminário Episcopal de São José, que estava localizado onde hoje está o Banco do Brasil, próximo ao terminal de ônibus do centro.

Mas não ficou lá muito tempo, passando a funcionar num sobrado à rua da Imperatriz (hoje Lobo D’Almada). Depois foi transferido para o casarão do comendador Francisco de Souza Mesquita, situado à rua da Independência (atual Henrique Antony) esquina com a rua Comendador Victório, de onde mais uma vez mudou-se agora para o prédio da Polícia Militar, atual Palacete Provincial, à praça da Constituição, hoje Heliodoro Balbi, ou praça da Polícia.

Finalmente, em 4 de novembro de 1880, o presidente da província Satyro de Oliveira Dias (1880/1881) autorizou a construção de um prédio digno do Lyceu. Quatro meses depois, em 25 de março de 1881, foi assentada a pedra fundamental do prédio, benta pelo vigário da Freguesia de Nossa Senhora dos Remédios, padre João Rodrigues d’Assumpção, num terreno com frente para a rua Municipal (atual 7 de Setembro).

Em 5 de setembro de 1886, outra data festiva no D. Pedro II, o prédio foi inaugurado pelo presidente da província Ernesto Adolpho de Vasconcelos Chaves (1885/1887), com o nome de Gymnasio Amazonense, nos moldes do Colégio D. Pedro II, do Rio de Janeiro.

O prédio foi construído em alvenaria de pedra e tijolo, com dois pavimentos e um porão, tendo na sua fachada principal, em pedra de cantaria, quatro belas colunas além de imponente escadaria.

Sempre uma referência no ensino

Quem está à frente das comemorações do sesquicentenário da instituição de ensino mais antiga de Manaus é Maurício Grillo, professor de história do D. Pedro II, com uma história de 23 anos de proximidade e amor pelo prédio.

“De 1986 a 1997 integrei a fanfarra do D. Pedro II. Mesmo depois que terminei meu segundo grau (atual ensino médio) continuei na fanfarra, com certeza a melhor de Manaus com uns 200 instrumentistas, 100 somente nos instrumentos de sopro. Infelizmente o descaso deixou que a bela fanfarra se acabasse”, lamentou.

Grillo: "continua sendo uma referência no ensino local
 

Em 2008 Maurício se tornou professor do colégio, onde atua até hoje.

“O D. Pedro II sempre foi e continua sendo uma referência no ensino. Concluímos isso pelo número de alunos aprovados anualmente nos vestibulares das universidades públicas. Logo após o vestibular eles começam a chegar aqui atrás da documentação para se matricular nas universidades. Isso nos enche de orgulho”, afirmou.

“Os professores mantém uma tradição que vem dos primórdios que é o compromisso de ensinar e fazer o aluno aprender. Os professores se doam. Somos duros na hora de ensinar e cobrar o aprendizado, mas os alunos reconhecem isso quando começam a atingir seus objetivos na vida”, contou.

“Reina aqui dentro das dependências do D. Pedro II o espírito positivo. Tudo que os alunos se comprometem a fazer em termos culturais, eles conseguem realizar. O aluno que chega aqui vindo de outros colégios, logo se enquadra às normas do D. Pedro II e passa a sentir orgulho de ser ginasiano. Eu faço questão de ensiná-los a sentir orgulho de estudar aqui”, revelou.

Nomes que ficaram para a história

Atualmente o Colégio Amazonense D. Pedro II (cadp, como os alunos o chamam), tem cerca de 1.350 alunos, na faixa etária dos 14 aos 18 anos, distribuídos em 15 salas, em turnos pela manhã e à tarde. O ensino ministrado é o médio, antigo 2º grau, ou ginásio. Por isso até hoje os alunos são chamados de ginasianos.

Muitos dos alunos que estudaram no colégio, deixaram seus nomes na história da cidade e até do Estado, se destacando nas mais diversas profissões e mesmo como governantes. Outros deixaram seus atos marcados para sempre, como na revolta de junho de 1915, quando descontentes com o ensino ali ministrado que não satisfazia seus anseios, enfrentando crise moral e material, num movimento sistematizado de indisciplina, promoveram uma depredação desenfreada, gerando anarquia e terror; ou na famosa Revolução Ginasiana de 1930 quando, aproveitando-se da situação instável que atravessava o país, iniciaram um movimento contra a polícia, que culminou com o envolvimento do Exército, finalizando com a rendição desta mesma polícia e a ocupação do prédio pelos jovens revolucionários, inclusive com tiros de ambos os lados.

Um dos fatos mais marcantes do prédio é ter hospedado o conde d’Eu, em 1889, quando este visitou várias províncias em busca de apoio político para a decadente monarquia.

“Para comemorar a data de hoje os alunos vão encenar uma peça, preparada por eles mesmos, relacionada à revolta de 1930 e farão um painel humano com fotos. Estamos aguardando a visita do secretário de Educação e do ilustre governador Wilson Lima. Virão imortais da Academia de Letras, que estudaram aqui, e o poeta Aldísio Filgueiras lançará um livro”, adiantou Maurício.         

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