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Clóvis, de talher em talher, mil talheres

Seu salário de garçom o ajudou a comprar cada detalhe do que viria a ser um dos mais tradicionais restaurantes da cidade

Por Evaldo Ferreira @evaldo.am @JCommercio

10 Ago 2019, 13h59

Crédito: Evaldo Ferreira

No final da década de 1970, quando ainda morava em Belém, sua cidade natal, Clóvis Gonçalves Sandim já trabalhava como garçom mas, em 1980, o rapaz resolveu vir para Manaus, então no auge da economia devido o comércio intenso dos produtos importados da Zona Franca.

“Como até então a minha profissão tinha sido a de garçom, foi o emprego que consegui, em Manaus. Durante cinco anos trabalhei como garçom no restaurante La Barca, que existia na rua Recife com a Paraíba.

Mas, por algum motivo, depois de cinco anos servindo mesas, o espírito empreendedor adormecido em Clóvis começou a acordar.

“Em 1985 comecei a pensar que eu poderia ir bem mais adiante do que apenas servir mesas. Passei a amadurecer a idéia de me tornar o dono de um restaurante”, lembrou.

Casado, e com o salário que ganhava, Clóvis não tinha dinheiro suficiente para investir num negócio. Foi então que a perspicácia do paraense se sobressaiu. Se não tinha como fazer o investimento de uma única vez, o faria de gota em gota.

“Cada vez que eu recebia meu salário, comprava talheres, pratos, copos, toalhas de mesa, panelas, mesas, cadeiras, fogão, tudo que um restaurante precisava. Fiz isso durante três anos até verificar que já tinha material suficiente para alugar um ponto e começar meu restaurante”, contou.

Em maio de 1988, Clóvis abriu as portas do bar e churrasquinho Castanhola, na Cachoeirinha, sob uma frondosa castanholeira.

“Eu e minha esposa Nazaré Ribeiro, fazíamos de tudo: éramos o churrasqueiro, o caixa, o comprador, o administrador e, às vezes, até o guardador de carro dos clientes. Felizmente o espaço fez tanto sucesso que cinco meses depois, em outubro, abri o Bom Prato, no Vieiralves”, disse.

Como na vida, planejado e projetado

Em poucos anos no bairro de classe alta, o Bom Prato se consolidou como referência de boa comida, porém, em 1996 Clóvis resolveu mudar para um espaço maior, mas por um bom motivo: a clientela não parava de crescer. O Bom Prato foi inaugurado na av. Max Teixeira, na Cidade Nova, e lá ficou até 2000, quando mudou para novo endereço, próximo, ao lado do posto Shell, na entrada do Manoa. Em 20 anos na mesma região, a marca Bom Prato havia de firmado entre seus clientes.

Em fevereiro de 2017, nova mudança para a av. Max Teixeira, agora revestida de uma importância fundamental: o imenso e bonito restaurante foi construído num terreno comprado por Clóvis.

“Tudo aqui, como na minha vida, foi planejado e projetado. Arrisco dizer que esta estrutura do Bom Prato é única entre os restaurantes de Manaus. Temos até elevador para facilitar a locomoção de cadeirantes”, revelou.

O restaurante tem espaço para 400 pessoas sentadas, mais salão de eventos com capacidade para 200 pessoas, e o estacionamento possui 120 vagas. Funciona de domingo a domingo, das 8h à meia-noite.

Quem conhece Clóvis, sabe que ele é um apaixonado por Roberto Carlos. Parte da decoração do Bom Prato é feita com todas as capas do disco do cantor. Pois o rapaz humilde, de Belém, que apenas sonhava ouvindo as músicas do rei, já foi por duas vezes, em 2011 e 2012, junto com Nazaré e os filhos Bruce e Breno, ver o show Emoções, que Roberto realiza a bordo de um transatlântico. Quando Roberto veio a Manaus fazer um show, em 2015, finalmente Clóvis conseguiu abraçar seu ídolo, que já sabia da paixão do fã. Só não teve tempo de ir fazer uma visita ao Bom Prato.

Como o rei da MPB, Clóvis subiu degrau por degrau e atingiu o sucesso.

Ponto de Vista - Gonçalves Sandim (empresário)

Jornal do Commercio: Como você conseguiu transpor a crise econômica iniciada em 2015, no país?

Clóvis Gonçalves: Na realidade a crise começou em 2014 e atingiu o auge em 2015, mas depois começou a melhorar tanto que investi no novo restaurante inaugurado em 2017. Temos esperança que melhore ainda mais com esse novo governo. Se melhorar 20% do que está hoje, já estará muito bom.

JC: Então você diria que é nas crises que o verdadeiro empreendedor se revela?

CG: Sim. Numa crise econômica uma das primeiras coisas que as pessoas deixam de fazer é comer em restaurantes. E o Bom Prato sentiu isso. Mas conforme a situação foi melhorando, os clientes foram retornando. Posso dizer que fui obrigado a sair do ponto da entrada do Manoa, que era meu. Eu alugava o terreno do estacionamento e o dono o havia pedido. Então vendi lá e comprei este aqui, e fiz um estacionamento e um restaurante ainda maiores.

JC: Qual o segredo para se atingir o sucesso?

CG: Dedicação. É fazer o melhor pelo melhor para o cliente. Já estou no Bom Prato, junto com minha esposa e agora com meus filhos, há 31 anos e até hoje sinto o maior prazer em estar aqui diariamente, desde a hora em que abre até a hora que fecha. Você precisa fazer o que gosta e sempre sentirá satisfação.

Guia Rápido

Nome: Bom Prato Restaurante

Fundação:1988

Segmento: Restaurante

Sede: Av. Max Teixeira, 2555 – Cidade Nova

Funcionários: Durante a semana, 30; nos finais de semana, 70

Facebook e Instagram: Bom Prato Manaus

Telefone: 3581-2369                 

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