Agronegócios

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Cheias afetam atividade agrícola e colocam em xeque produção rural

13 Mar 2019, 10h08

Crédito: Divulgação

As cheias dos rios têm afetado a produção rural dos municípios, principalmente nas áreas de várzeas, que incluem os municípios nas calhas dos rios Juruá e Purus. Há impactos na produção de hortaliças e fruticultura, como maracujá e banana, além da alface e do cheiro verde, que são cultivados nessas áreas de várzea. A subida acelerada das águas põe em risco o cultivo de diversos produtos e tem afetado diversas famílias. Os municípios de Guajará, Ipixuna, Eirunepé e Itamarati, na calha do Juruá, já declararam situação de emergência.

Segundo o presidente da Faea, Muni Lourenço, os municípios nas calhas do rio Negro e Solimões já apresentam níveis comprometedores, com reflexo de prejuízos econômicos na produção de área de várzea. As perdas de produção agrícola também afetam o município de Manacapuru, que atinge a produção de fibras, juta e malva. O diagnóstico das cheias também tem impactado a pecuária. De acordo com Muni Lourenço, já está ocorrendo a antecipação de transferência dos rebanhos para terra firme, com isso, a pecuária está tendo custos adicionais.

“Estes pecuaristas criam rebanhos nessas áreas de várzeas e precisam deslocar os animais para áreas mais altas. E essa iniciativa têm custos que pesam na renda do produtor. Considerando a compra de ração, aluguel de pastagens entre outras”, disse.

Muni relata ainda que a perda de produção agrícola compromete as rendas de parte desses produtores. E a grande preocupação é que todos eles possuem dívidas de crédito rural urbano e com o volume de perdas, surge a necessidade de precisar renegociar as dívidas.

Segundo o diretor técnico do Idam (Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal do Estado do Amazonas), José Milton, o instituto tem feito um levantamento de informações relacionadas às perdas nas áreas de produções mais baixas, junto à Defesa Civil por meio de um relatório, para que providências sejam tomadas. Esse relatório será encaminhado a Sepror, para que seja articulado com o governo do Estado e com os órgãos de crédito agrícola para minimizar o impacto, prorrogando o crédito das dívidas do produtor facilitando para que ele possa honrar os seus compromissos. Em caso de algumas produções colhidas por eles, o Idam orienta que encaminhem para reaproveitamento, por exemplo, para merenda escolar, dessa forma essa produção se reverte em recurso financeiro. Evitando assim reduzir o volume de perdas. Cabe o Idam e a Semapa (Secretaria Municipal de Agricultura, Produção e Abastecimento) de fazer o levantamento dos prejuízos econômicos que os agricultores familiares devem sofrer devido às enchentes e informar ao agente financeiro da real situação dos projetos financiados.

Consumidor

O superintende da Amase (Associação Amazonense dos Supermercados), Alexandre Zuqui, descarta a possibilidade de desabastecimento. Ele afirma que as cheias não estão trazendo impactos para os supermercados. De acordo com ele, até o  momento, os consumidores não estão sendo afetados pela ausência de produtos e nem pela carestia. Ele reitera que muitas vezes, a prática de valores em alguns produtos, é motivada pelas boas condições destes, que variam de um lugar para o outro. Zuqui frisou ainda que as redes de supermercados na capital, não dependem, apenas, do  abastecimento de produtos locais.

Na análise do economista Eduardo Souza, os produtos podem ficar mais caros e mais escassos sim. Existe esse impacto. A partir do momento que diminui a quantidade de determinado produto no mercado, a demanda cresce e ele fica muito concorrido, e com isso o valor dele tem de aumentar. É questão da oferta e da demanda. Isso pesa diretamente no bolso do consumidor. E os produtos vindos de  locais mais distantes, encomendados de outros fornecedores já chegam com o valor final maior por conta do transporte e de outros custos agregados.

O secretário executivo da Defesa Civil do Estado, tenente coronel Francisco Maximo, fala das medidas de amparo que estão sendo oferecidas aos municípios que estão sofrendo com as cheias “O Estado possui um plano estadual de resposta ao desastre  e esse plano contempla ações que buscaremos aumentar o alcance e a quantidade de nós possamos atender as famílias. Não só ajuda humanitária ,mas outros serviços que nos entendamos que são essenciais e importantes”, destacou.

A atuação do governo por meio da Defesa Civil são voltadas para atender as demandas que surgirem desses municípios de acordo com a necessidade. Segundo o secretário os oito municípios que estão em situação de emergência recebem um cuidado diferenciado, neste caso, é possível o apoio financeiro do governo federal, mas ainda não há data confirmada para o repasse.

“A nível federal também podem acontecer. Três municípios que foram reconhecidos, Eirunepé, Ipixuna e Guajará, agora o que o governo federal irá repassar para efeito de ação complementar, para ajudar essas famílias no município, ainda não sabemos”, informou.

De acordo com ele as calhas que estão em situação de alerta são as do Alto Solimões, como os municípios de Tabatinga, Atalaia do Norte, Benjamim Constant, e São Paulo de Olivenca. No médio Solimões, os municípios de Fonte Boa, Jutaí, Japurá  e Maraã. Ainda em situação de alerta estão Manicoré, Novo Aripuanã , Apuí e Borba na calha do Madeira e no baixo Amazonas estão Parintins, Barreirinha, Nhamundá e Boa Vista do Ramos.

Segundo o CPRM (Serviço Geológico do Brasil), a cota do Rio Negro está em queda. Na primeira variação de março é de 1cm a 2 cm por dia, somando os primeiros dez dias do mês, o rio subiu 15 cm, bem abaixo para o mesmo período de 2012 quando foi registrado uma cheia histórica. O órgão declara que ainda estamos no meio do período da cheia tem que aguardar como a bacia vai se comportar. De acordo com a assessoria de comunicação do CPRM ainda não tem uma previsão de nível das cheias em relação aos anos anteriores. A assessoria informou que o primeiro alerta de previsão será divulgado no próximo dia 31 de março.

Números

200 produtores foram afetados com a cheia em Eirunepé;

150 em Guajará,

112 no município de Ipixuna

50 em Pauini

Fonte: Levantamento da Faea

Municípios em EMERGÊNCIA:

Calha do Juruá - Eirunepé, Guajará, Ipixuna e Itamarati

Calha do Purus - Boca do Acre e Pauini

Calha do Madeira – Humaitá e Novo Aripuanã

Calhas em ATENÇÃO:

Baixo Solimões: Codajás, Anori, Anamã e Manacapuru.

Parte do Médio Solimões: Uarini, Alvarães, Tefé, Coari.

Calhas em ALERTA:

Alto Solimões: Tabatinga, Atalaia do Norte, Benjamin Constant, São Paulo de Olivença.

Médio Solimões: Fonte Boa, Jutaí, Japurá, Maraã.

Madeira: Manicoré, Novo Aripuanã, Apuí, Borba.

Baixo Amazonas: Parintins, Barreirinha, Nhamundá, Boa Vista do Ramos.

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