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Cadastro Positivo vai permitir que 377 mil acessem ao crédito no AM

De acordo com  um estudo da ANBC (Associação Nacional dos Bureaus de Crédito) o Amazonas tem 53,3% de inadimplentes, índice superior ao da média brasileira, que é de 40,3%

Por Andréia Leite

13 Abr 2019, 09h10

Crédito: Divulgação

O novo modelo de Cadastro Positivo vai angariar a injeção de R$ 15 bilhões na economia do Amazonas possibilitando acesso ao crédito para cerca de 377 mil consumidores da capital, o que representa quase 10 por cento da população total do Amazonas, além de reduzir até 45% na inadimplência no estado. A lei foi sancionada na segunda-feira (8) pelo presidente Jair Bolsonaro, com previsão de inclusão automática do consumidor no cadastro.

De acordo com  um estudo da ANBC (Associação Nacional dos Bureaus de Crédito) o Amazonas tem 53,3% de inadimplentes, índice superior ao da média brasileira, que é de 40,3%.  

Segundo o presidente da ANBC, Elias Sfeir, atualmente, essas pessoas estão fora do mercado de crédito, não por serem inadimplentes, mas por terem pontuação de crédito baixa devido à falta de informação a seu respeito. Como o novo Cadastro Positivo vai considerar o pagamento de contas mensais como de água, luz, telefone e gás, muitas pessoas que não compram a prazo e não usam o crédito, mas pagam essas contas em dia, poderão ter um histórico de crédito baseado nesses pagamentos.

Para ele a adição de mais pessoas e a ampliação do crédito para quem já está no mercado,  proporcionadas pelo novo modelo de Cadastro Positivo, têm potencial de baixar os juros dos empréstimos e financiamentos, além de contribuir para a expansão do crédito, comércio e indústria. Mas ele acrescenta que os principais benefícios são sociais, não só porque haverá uma redução da inadimplência pela prática de taxas de juros mais justas, mas porque o estímulo ao mercado de crédito é fundamental para estimular as economias locais e para gerar empregos.

O novo Cadastro Positivo, que deverá entrar em vigor 90 dias após a data da publicação no Diário Oficial, se baseia no histórico de crédito do consumidor, e na forma como ele paga suas dívidas com instituições financeiras, empresas de comércio e empresas de serviços como água, gás, energia elétrica e telefonia. Esse modelo valoriza os pagamentos realizados, os dados positivos e não eventuais dívidas não pagas ou em atraso. Segundo o representante, com o novo cadastro positivo, o que ficará disponível é a pontuação de crédito (escore). E caberá ao consumidor decidir se vai abrir ou não seus dados para quem, o que representa uma autonomia desse consumidor e promove a privacidade.

Bom para os negócios   

Um outro estudo realizado pela ANBC mostra que o novo modelo de Cadastro Positivo terá um forte impacto na geração de negócios no Amazonas, por meio da expansão do crédito a empresas de todos os portes, da ordem de R$ 7,6 bilhões. O estudo também constatou que a principal fatia desse total, no valor de R$ 5,9 bilhões, caberá às micro e pequenas empresas, que empregam significativa parcela da mão de obra local.   

O presidente da associação explica que a divulgação desse novo estudo confirma a importância do Cadastro Positivo para a economia do estado, tanto pelo estímulo aos negócios em geral mas,  principalmente, pelo impulso que pode dar às atividades das micro e pequenas empresas, que terão mais disponibilidade de crédito e a custo mais baixo o que permitirá que continuem contribuindo para a geração de empregos no país.  

O estudo da ANBC mostrou ainda que a média de aprovação de crédito junto às micro e pequenas empresas amazonenses, que é de 28,7% sem o Cadastro Positivo, sobe para 57,5% com ele, o que representa um aumento de 28,8%. E constatou ainda que o número de micro e pequenas empresas com acesso ao crédito, que é de cerca de 59 mil,  sobe para cerca de 118 mil com o novo Cadastro Positivo, um acréscimo de mais de mais de 59 mil MPEs ou de 100%.

“A aprovação desse novo modelo, que está em votação no Congresso Nacional, e sancionado pelo presidente da República, trará uma forma mais abrangente e inclusiva de conceder crédito, tendo como base o histórico de endividamento de um cidadão ou empresa e a forma como paga suas dívidas com instituições financeiras, empresas de comércio e empresas de serviços como água, gás, energia elétrica e telefonia”, observa Sfeir

Barateando o crédito

Para o presidente da FCDL-AM (Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Amazonas), Ezra Azury Benzyon, a proposta traz um efeito positivo para o bom pagador. “O mais importante é saber que ao dar a crédito você está beneficiando esse consumidor. Ele tem assiduidade, é bom pagador, tem um microcrédito em algum lugar, mas não possui conta bancária, ela gostaria de pedir um crédito bancário por ter um volume maior de compra e com o Cadastro Positivo será possível identificar essas pessoas”, disse Benzyon, acrescentando que a chance de baratear o crédito é muito grande, com juros menores garantindo que o bom pagador tenha taxas diferenciadas, além de mais clareza na análise de crédito.

A recessão econômica aumentou o volume de inadimplência, segundo o presidente em exercício da Fecomércio (Federação do Comércio do Estado do Amazonas), Aderson Frota, este fator restringe o varejo.  Ele declara que é muito bom que se crie o Cadastro Positivo dando oportunidade para algumas pessoas que têm ficha limpa sejam estimuladas ao mercado de consumo. “Para consumidor eu acredito que será um novo momento. Ao invés de focar apenas na negatividade deste consumidor,  vai valorizar a qualidade. Bem como, facilitar e estimular outras pessoas optarem pelo lado positivo. Isso vai de alguma maneira facilitar a abertura de crédito por parte do comércio”, frisou.

Sobre a precisão de análise de crédito, Aderson ressalta que depende de muitas informações, elas têm um volume enorme que podem variar de cada instituição. Mas disse que o importante é que haja uniformidade nas informações e isso propicie maior volume de negócios e acesso ao crédito por parte do consumidor.

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