Comércio

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Bom desempenho no Dia dos Pais não foi suficiente para otimismo

Por Marco Dassori

19 Ago 2019, 12h00

Crédito: Divulgação

As vendas do Dia dos Pais superaram as expectativas dos varejistas locais. A projeção inicial da CDL-Manaus (Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus) era de alta de 2,11%. O crescimento, de acordo com a entidade, foi de 2,5% sobre os números do ano anterior, com reflexos positivos também para os serviços de alimentação fora de casa.

Como antecipado pela sondagem preliminar da CDL-Manaus, os itens de vestuário – preferência de 29,1% dos consumidores – liderou as vendas. Mas, diferente do previsto, calçados – a escolha de 14% das pessoas consultadas – ultrapassaram os resultados da perfumaria – que respondiam por 22,6% das escolhas globais. E o ticket médio de compras se manteve perto dos R$ 96,25 previstos. 

“O número foi positivo para as lojas, que se preparam bem para a data. Os restaurantes também tiveram um bom movimento, embora não tão grande quanto no Dia das Mães. Acredito que só não foi melhor, porque o governo do Estado não antecipou a parcela do 13º salário”, ponderou o presidente da CDL-Manaus, Ralph Assayag.

O dirigente atribui a expansão das vendas ao aumento das contratações na indústria, nos serviços, na construção civil e no próprio comércio. Assayag ressalta ainda que o setor inaugurou 22 lojas na capital amazonense no primeiro semestre de 2019, tendo contratado 3.500 pessoas para trabalhar no período. 

Já o presidente em exercício da Fecomercio-AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas), Aderson Frota, estima que o incremento nas vendas, “medido em valores”, pode ter chegado a até 3,5% em alguns pontos do varejo.

“Talvez o movimento financeiro não tenha sido até tão expressivo, mas o movimento nas lojas sim. Quem foi aos shoppings nos dias anteriores ao Dia dos Pais, por exemplo, viu muita gente circulando. Foi algo que não se viu no ano passado”, comparou.

Pesquisa preliminar da Fecomercio-AM já apontava que, “apesar dos níveis baixos, os consumidores continuam com suas intenções de compra para os bens de consumo de natureza pessoal”. A preferência das pessoas ouvidas no levantamento era também por itens de vestuário e calçados, nessa ordem, embora a maioria ainda se mostrasse indecisa quanto ao que comprar. 

“Resultado pontual”

O desempenho do Dia dos Pais ficou bem acima do registrado 12 meses antes, quando a alta não passou de 1,5%. Mas, ainda há dúvida se os números mais expressivos data comemorativa deste ano já apontariam para uma reação mais robusta do setor varejista nos próximos meses ou não.

“Creio que o aumento foi um resultado pontual no atual cenário. Ainda é cedo para tentar fazer antecipações. Antes da crise, era possível fazer uma projeção para o ano todo, já em janeiro. Nos últimos anos, não estou conseguindo prever nem os números do próximo mês”, lamentou Ralph Assayg.

No entendimento do presidente da CDL-Manaus, as recentes medidas governamentais para deslanchar a economia são positivas, mas demoram para produzir resultados no varejo. A queda de juros, por exemplo, demora de seis meses a um ano para chegar na ponta do consumo de do varejo, enquanto reformas como a da Previdência e Tributária podem levar mais tempo para isso.

“A Reforma Trabalhista, por exemplo, demorou para surtir algum efeito. O país precisa aprovar tudo antes para conseguir atrair investimentos no longo prazo. Empregos demoram um pouco mais e somente depois disso tudo é que veremos os efeitos no comércio”, avaliou. 

Dias melhores

Aderson Frota demonstra mais otimismo, embora ressalte que o país – e, por extensão, o varejo – ainda não saiu da crise. No entendimento do dirigente, recentes medidas para destravar a economia contribuem para desenhar um melhor cenário para o setor, que ainda aguarda uma sinalização mais forte pela chegada de dias melhores para as vendas.  

Ele lista como exemplos nesse sentido a liberação de recursos do FGTS, a maior preocupação do governo com a pressão dos juros bancários sobre as taxas de inadimplência e a aprovação da MP da “Liberdade Econômica” – que visa reduzir burocracia e facilitar empreendimentos. Outro fator que contribuiria para um cenário melhor, conforme Frota, é a melhor avaliação do Congresso pela população, sinalizando mais confiança e menos instabilidade política. 

“A gente sempre espera uma rápida recuperação, mas o certo é que ela demora para aparecer. O comércio foi o último a entrar na crise e também deve demorar mais para sair dela. Mas, já dá para ver alguma recuperação começando a acontecer. Creio que o próximo Dia das Crianças já deve dar uma temperatura do comportamento do varejo no final do ano”, arrematou. 

 

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