Opinião

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Bolsonaro, o sanguíneo

A chamada teoria dos quatro temperamentos serve para refletir sobre os arroubos do presidente

Por Fred Novaes

27 Mar 2019, 13h59

Crédito: Divulgação

Nestes três primeiros meses da gestão de Jair Bolsonaro na presidência vimos, segundo o Ibope, a grande popularidade despencar - o que era esperado diante da cronicidade da crise nacional - e, mais rotineiramente, assistimos a uma enxurrada de intervenções da Brigada Contra-Incêndio do Planalto para apagar declarações e postagens absolutamente incendiárias do presidente.

Essa necessidade de fazer correções de rota nos arroubos presidenciais, com sua postura impetuosa, reforça uma leitura analítica sobre o seu temperamento. E a importância de ajustá-lo à investidura do cargo ao qual foi democraticamente eleito nas últimas eleições.

Todo mundo sabe que a espontaneidade do presidente é um marco de sua personalidade e integra o pacote de marketing do jeito Bolsonaro de ser. Somada ao seu trejeito bronco e simples forma um todo que é decantado em prosa e verso pelos seus defensores como o perfil adequado para esse novo tempo do Brasil.

Mas até mesmo os simpatizantes do presidente concordam que - em alguns (talvez muitos) - momentos é necessário para um líder fazer diminuir a sua personalidade e deixar crescer a sua representatividade institucional.

A chamada teoria dos quatro temperamentos serve para refletir sobre os arroubos do presidente. Ela tem sua gênese no pensamento de Hipócrates, esse mesmo, o Pai da Medicina, mas conquistou o mundo, principalmente o Velho Mundo, com filósofo alemão Emmanuel Kant. no Século XVIII e se manteve viva séculos afora.

Nesta visão, os quatro temperamentos são herdados desde o nascimento e influenciam diretamente o comportamento humano. Apesar da tentativa de destruição da base teórica desse conhecimento, com o determinismo de Freud que passou a embasar a principal linha de estudo da psicologia no século passado, a teoria ainda hoje vive e vem ganhando adeptos, principalmente entre pesquisadores cristãos.

Os temperamentos, segundo essa teoria, estão divididos entre sanguíneo, colérico, melancólico e fleumático. O presidente Jair Bolsonaro parece se enquadrar perfeitamente entre os sanguíneos: simpático, meio falastrão, impulsivo, bonachão e com tendência de chamar a atenção para si.

Numa leitura rasteira, pode-se dizer que o sanguíneo - de um modo bem genérico - tem como defeitos o fato de ser impulsivo, egocêntrico, barulhento, exagerado, indisciplinado e pusilânime. Por outro lado, traz como qualidades a vantagem de ser comunicativo, entusiasta, simpático, bom companheiro e expansivo.

No livro Temperamentos Transformados, o autor Tim LaHaye mostra que os temperamentos de cada um podem ser moldados e potencializados nos aspectos positivos a partir da observação, da identificação e da decisão pela mudança daquilo que se manifesta como um traço negativo de sua personalidade.  

O presidente Jair Bolsonaro - assim como cada um de nós - pode e deve aperfeiçoar as falhas de seu temperamento. Para isso, precisa de um espelho fiel que lhe revele onde costuma tropeçar. Se colocar em prática o seu lema de campanha expresso em João 8:32 será um caminho bem mais fácil: conhecendo a verdade, ela liberta. Essa verdade é o espelho que dá clareza sobre defeitos e permite a transformação. Saber ouvir é o segredo. 

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