Opinião

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Boas práticas de Oxford para se tornar cidade inteligente

A centenária cidade Inglesa de Oxford tem perto de 154.600 moradores

Por Jonas Gomes

17 Abr 2019, 15h38

Crédito: Divulgação

O artigo divulga um evento internacional e apresenta as boas práticas de Oxford para tornar a cidade inteligente.

Antes de começar a relatar a experiência de Oxford, convido-o(a) a participar de uma exibição e conferência internacional a ser realizada pelo Smart City UK, na data de 13/02/2020 na cidade de Londres. Espero encontrá-lo(a) por lá para conhecermos as boas práticas de cidades inteligentes a serem compartilhadas por profissionais do assunto. O Smart City UK foi estabelecido em 2014, em 2015 criaram a exibição e conferência internacional, e a partir de 2016 começaram a premiar as boas práticas de cidade inteligente, visando reconhecer os gestores e acompanhar o progresso deles ao longo do tempo. Neste link você acessa os detalhes do evento, bem como se cadastra para obter os slides das apresentações de 2019.

Bem, a centenária cidade Inglesa de Oxford tem perto de 154.600 moradores, 33.640 estudantes matriculados em tempo integral nas suas duas prestigiadas universidades, sendo que 28% dos residentes nasceram fora do Reino Unido. Em relação a sua economia, 71% dos empregos estão alocados nas indústrias que fazem intensivo uso do conhecimento, são cerca de 4.730 organizações que fornecem perto de 118.000 postos de trabalhos. Apesar de ser uma cidade bem-conceituada, ela também tem vários desafios pois: 10 dos seus 83 bairros estão entre os 20% mais carentes da Inglaterra; 22% dos adultos não tem ou têm baixa qualificação profissional; após o aumento dos custos de moradia, 1 em cada 4 crianças vive abaixo da linha da pobreza; os homens que vivem em bairros carentes vivem, em média, 15 anos menos que aqueles que vivem em áreas não carentes. Além disso, a cidade sofre com problemas de mobilidade, saúde e ambientais tais como poluição do ar e enchentes. Todos estes números são fartamente divulgados no site do Conselho Municipal de Oxford.

Para enfrentar estes desafios, melhorar os serviços da cidade e apoiar o crescimento e a criação de postos de trabalhos de alto valor agregado, a prefeitura de Oxford em parceria com as universidades, empresas, ONGs lançou um ambicioso plano chamado Smart Oxford – a Learning City for 22nd Century, cujos detalhes e projetos podem ser acessados pelo link. Os principais focos do plano usam como base a abordagem por projetos, tais como: veículos autônomos e transportes com emissão de baixo carbono; a rede de inundação de Oxford; dados abertos de Oxfordshire; Culham comunidade inteligente; Instituto de Internet de Oxford; grupo de design urbano; mobilidade Oxford; Oxford internet das coisas; grupo de robôs cognitivos; Oxford superconectada; Oxford digital, etc.

O que chama a atenção é que o plano faz parte de um esforço nacional para estimular a criação e implantação de cidades inteligentes no Reino Unido, sendo que parte deste plano é financiado pelos governos e outra parte pelo fundo de desenvolvimento regional Europeu.

Para os gestores de Oxford, “inteligente” significa  criar um ambiente e uma infraestrutura que envolvam a atual mudança nas tecnologias digitais para apoiar a geração e o compartilhamento de informações da cidade e facilitar o desenvolvimento de soluções inovadoras relacionadas à cidade de forma mais eficaz, barata, sustentável, justa e inclusiva.

O planejamento e a coordenação diária do Smart Oxford são realizados pelos membros do Smart Oxford Project, bem como por representantes da sociedade civil organizada. A estrutura foi feita para ser participativa, a fim de criar uma cultura de confiança e colaboração entre os parceiros envolvidos.

Por exemplo, algumas iniciativas e projetos já reconhecidos pela comunidade Europeia na área de transportes são:

O CASPAR apoiado pelo Dep. de Transportes, é um projeto focado em fornecer informações em tempo real sobre a disponibilidade de vagas de estacionamento. O projeto envolve a instalação de sensores e tecnologia de monitoramento de câmeras dentro de Oxford e de Witney, os quais fornecem dados de disponibilidade de estacionamento em tempo real e pontos de carga de Veículos Elétricos. A informação é integrada com o Sistema de Controle de Gerenciamento de Tráfego Urbano da Oxfordshire CC;

A Oxfordshire CC está participando do projeto OneTRANSPORT e ajudou a criar uma solução de Ecossistema Aberto para Integração de Transporte Nacional. O projeto visa tornar o transporte mais amigável e acessível entre as autoridades locais e trazer todos os dados relacionados ao transporte para uma única plataforma;

Em julho de 2017, foi lançado o projeto DRIVEN, focado em veículos conectados e autônomos, o empreendimento tem colaboração liderada pela Oxbotica e uma série de parceiros para fornecer a primeira frota britânica de veículos híbridos e elétricos com vários fornecedores;

O Go Ultra Ultra Low é projeto realizado em conjunto com o conselho municipal para testar as melhores soluções de cobrança nas ruas de Oxford, com o objetivo inicial de implantar 100 pontos de recarga em toda a cidade.

Vale a pena apresentar outros projetos desenvolvidos com as universidades, empresas e ONGs para o meio ambiente, o empreendedorismo, pesquisa e desenvolvimento, tais como:

A Oxford Flood Network é uma iniciativa da sociedade civil organizada para detectar inundações usando uma rede de sensores de IoT (internet das coisas) para monitorar níveis de água em rios e igarapés locais. O projeto foi apoiado pela Nominet UK, que tem trabalhado em estreita colaboração com a Smart Oxford na implantação de pilotos da IoT. Ao longo dos anos, o projeto aumentará em até 100 sensores para fornecer uma visão detalhada das hidrovias de Oxford;

Há também um projeto realizado entre o Oxford Robotics Institute e o Oxford City Council para testar a tecnologia de mapeamento da cidade. Sensores estão sendo conectados em carros que limpam as ruas do centro da cidade para criar mapas em 3D que podem ser usados para testar o desenvolvimento de veículos autônomos. Os dados também podem ser usados para ajudar o conselho municipal a administrar melhor as operações da cidade, desde a manutenção das estradas até a qualidade do ar e a gestão de resíduos.

Diante do exposto,  voltando para o Brasil, quais políticas públicas o governo federal, estadual e municipal estão apresentando para efetivamente apoiar a implantação de cidades inteligentes? se há algo, as universidades estão sendo envolvidas? há participação da sociedade civil organizada? quais as políticas para o desenvolvimento de veículos elétricos e o aproveitamento da energia solar tão farta em nossa região? quais as soluções tecnológicas para enfrentar as alagações tão comuns nas ruas de Manaus e de outras cidades? se você pesquisar, vai perceber que neste campo, aqui em Manaus temos muito marqueting, poucas políticas públicas e quase nenhuma transformação positiva e coletiva para celebrar, pois entra ano e sai ano, estamos perdendo muito dinheiro, os velhos problemas se repetem, enquanto a riqueza continua concentrada nas mãos de poucos.

*Jonas Gomes da Silva – Vice Chefe do Departamento de Engenharia de Produção da FT-UFAM – jgsilva@ufam.edu.br

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