Comércio Exterior

COMPARTILHE

Biodiversidade na pauta entre o Amazonas e a União Europeia

Negócios a partir da biodiversidade, mineração e turismo, além das vantagens do próprio PIM foram algumas das alternativas colocadas à mesa

Por Marco Dassori

05 Abr 2019, 14h34

Crédito: Divulgação

O governo do Amazonas aproveitou a presença de representantes de nove países europeus no seminário “Oportunidades de Negócios, Parcerias e Investimentos entre Amazonas e União Europeia”, realizado na sede da Fieam, nesta quinta (4), para apresentar suas alternativas de matriz econômica a serem agregadas ao modelo Zona Franca de Manaus.

Negócios a partir da biodiversidade, mineração e turismo, além das vantagens do próprio PIM foram algumas das alternativas colocadas à mesa pelo titular da Secretaria de Estado de Planejamento, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação, Jório Veiga, durante a abertura do evento, realizado no âmbito do Programa de Imersão na Indústria Brasileira, promovido pelo Centro Internacional de Negócios da Fieam.

A comitiva europeia é composta por representantes de embaixadas e consulados da Espanha, Eslováquia, Itália, Suécia, Croácia, Finlândia, Alemanha, Bélgica e Países Baixos, além dos profissionais da seção de Assuntos Comerciais da União Europeia, Michele Villani e Miguel Castro.

O secretário diz que a intenção do governo estadual é estreitar o intercâmbio com a UE e salienta que os projetos de cooperação já foram debatidos em encontro anterior com a representante do bloco econômico e político no Brasil, Domenica Bumma.

O alinhamento de projetos que está sendo realizado pela Secretaria contempla frentes de negócios no setor primário, com foco no aproveitamento da biodiversidade local, no qual se destacam os setores de cosméticos, piscicultura e agroindústria.

“As alternativas estão sendo trabalhadas para fortalecer o PIM. A proposta de simplificação do PPB, que pode tornar mais ágil a instalação de novos empreendimentos incentivados no Amazonas, e que vem sendo conduzida pela Suframa, está avançando”, declarou Veiga, em texto distribuído por sua assessoria.

Valor agregado

Embora não possa ter comparecido no evento, o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas disse que o estreitamento das relações com a UE traz boas perspectivas de negócios para o Estado, principalmente nos segmentos de frutas e pescado.

“Nós, produtores rurais, estamos encorajados de que há um consenso entre governo e setor produtivo de que é mais do que chegada a hora do esforço pela interiorização e diversificação da economia amazonense”, declarou.

O dirigente salienta, contudo, que o ideal é que o Amazonas exporte seus produtos com maior valor agregado: “Ao invés da fruta in natura, a comercialização da polpa por exemplo”, exemplificou.

Investimento estrangeiro

O professor universitário e especialista em mineração, Daniel Nava, considera que o evento é uma oportunidade para tirar vários projetos do papel e ampliar os investimentos estrangeiros na atividade mineral, com destaque para estanho, ferro nióbio, gás natural e potássio - este último, matéria prima para fertilizantes.

“No caso do potássio, a única mina disponível no Brasil, em Sergipe, está com sua vida útil no fim. O país terá duas opções: aumentar as exportações, ou permitir a exploração no Amazonas desta importante insumo para o agronegócio brasileiro”, apontou.

Segundo o especialista Autazes, Nova Olinda do Norte, Itacoatiara e Itapiranga contam com reservas de potássio, mas a exploração está barrada judicialmente, em virtude da presença de reservas indígenas nesses locais.

Linhas aéreas

O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de Amazonas, Roberto Bulbol, também se diz otimista em relação às perspectivas para o turismo no Estado, embora diga que o interesse europeu pela região ainda é relativo.

“Os turistas de Espanha, Portugal e França procuram locais com praias, mas os da Alemanha, Polônia e de outros países da Europa Central e Setentrional buscam florestas como a nossa. Mas, o Amazonas ainda recebe poucos visitantes do continente”, ressaltou.

Para o dirigente, as melhores oportunidades que podem surgir do encontro estão na possibilidade de abertura de novas linhas aéreas da Europa para o Amazonas. “Já tivemos várias operadoras fazendo a conexão, inclusive a Air France. Hoje, lamentavelmente, temos apenas a Tap, partindo de Portugal e passando antes em Belém”, informou.

Tecnologia e bioeconomia

A Suframa realizou duas apresentações técnicas na reunião: uma conduzida pelo coordenador geral de Comércio Exterior, substituto, Frederico Aguiar, e outra pelo técnico da Coordenação Geral de Estudos Econômicos e Empresariais, Rafael Gouveia. A ideia era apresentar as diretrizes e vantagens comparativas do modelo ZFM.

“É importante salientar que a Suframa atua na administração de recursos de P&D na região e tem buscado fomentar, junto ao governo federal, uma linha de bioeconomia. Além disso, temos também trabalhado em outras frentes, como a criação de distritos agroindustriais. Todas essas ações têm o objetivo de trazer possibilidades diversas ao desenvolvimento da região que complementem a oferta de incentivos fiscais”, encerrou.

 

Veja Também