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Biblioteconomia em fase de transformação

Por Antonio Parente

07 Nov 2019, 09h22

Crédito: Antonio Parente

Foi-se o tempo em que a função do bibliotecário se restringia apenas em organizar, catalogar e administrar informações de bibliotecas de escolas, centro de informações ou agências de publicidade. Em uma sociedade onde as novas tecnologias estão cada vez mais presentes, nunca foi importante o processo de transformação e adequação do profissional no atual cenário do mundo digital. 

“Os profissionais da informação enfrentam as mudanças constantes no cenário mundial da informação, decorrentes das inovações, sobretudo tecnológicas, que exigem dele uma atualização e inovação frequente diante da nova perspectiva mercadológica. Deste modo, todos os profissionais envolvidos, sobretudo os bibliotecários, precisam inovar  não somente o ambiente físico, como também os serviços e produtos ofertados a sociedade”, explica Rejane Grana, graduada em biblioteconomia, especialista em metodologia do Ensino a Docência Superior e mestranda em Ciência da Educação.

Há 10 anos no mercado de trabalho, Rejane destaca, que o bibliotecário precisa expandir sua gama de habilidades, tornando-se cada vez mais criativos e interdisciplinares, reinventando-se na mesma velocidade em que as tais mudanças ocorrem. “Ele deve assumir uma nova postura profissional adaptando-se às mudanças tecnológicas inerentes ao exercício de sua profissão. Com o uso dessas novas tecnologias surgem tendências de transformação do posicionamento do bibliotecário, de profissional passivo para agente da informação”, disse.  

“Nesse sentido  é preciso que o  bibliotecário reveja  os meios pelos quais realiza seu trabalho e busque práticas inovadoras que proporcionem o desenvolvimento e aprimoramento dos produtos e serviços oferecidos na unidade  de informação em que atua. Além disso, ele precisa está atento às novas demandas informacionais dos usuários que estão cada vez mais exigentes, e, concomitantemente, às novas tendências mercadológicas”, destaca.

Transformações e novidades

No atual contexto de inovação em todos os setores do mercado, Rejane ressalta, que  a biblioteca precisa ser um espaço de encontro, trabalho e colaboração, que reforça a criação e difusão do conhecimento, além de estimular a criatividade e o aprendizado ao longo da vida. Dentro da nova roupagem da profissão, os “Makerspaces” surgem como novas ferramentas de trabalho, onde a atuação do profissional é focada na criação e estímulo de novos conhecimentos.

“Acreditamos em uma educação que proporciona o desenvolvimento das habilidades do século 21, por isso tem em sua metodologia o movimento Maker. Nos Estados Unidos, as bibliotecas ou ambientes de informações  tem se transformado em um dispositivo inovador os Makerspaces, que significa ‘espaço do inventor’. A partir disso, as Bibliotecas passaram a ser centros de mudança social e econômica da população. MakerSpaces, são espaços compartilhados que servem para criação e desenvolvimento de projetos. Esses espaços, têm atraído os usuários para a biblioteca e impulsionado o seu uso”, explicou. 

Segundo Rejane, no Brasil, o conceito tem sido incorporados gradualmente, com os espaços maker, design thinking e outros modelos que servem para dar vida às ideias em salas de aula, bibliotecas, museus e centros comunitários.  “Os espaços Maker estimulam os alunos a tornarem-se inventores preparados para desenvolver as tarefas exigidas nos múltiplos campos de atuação no século XXI. Quando esses sujeitos deixam o espaço, além deles conhecerem sobre um projeto, saberão também que eles são capazes de fazer mais e que a biblioteca os ajudará a alcançar o que necessitam ou desejam”, disse.

Em Manaus, o ICBEU (Instituto Cultural Brasil os Estados Unidos) já realiza trabalhos voltados para as novas tendências do mercado, onde desenvolve projetos educacionais de incentivo a leitura, disseminação da cultura do Brasil e dos Estados Unidos, inclusão digital e Maker Movement.  Dom acervo físico de 15 mil obras e 60 mil virtuais, a instituição é uma das empresas que já estimulam esse novo ambiente de atuação do profissional de biblioteconomia.

“A The Library do ICBEU   é localizada no meio das salas de aulas, na área da frente tem um Makerspace, o corredor é composto por uma pinacoteca de autoria dos artistas locais. É um cenário atípico do nosso cenário de Bibliotecas existentes no país. Mas tudo isso parte de um passado muito recente, há um ano nossa biblioteca passou por uma reforma, seguindo a nova tendência de espaços de informações, ganhando um layout moderno e tecnológico”, disse. 

Rejane explica, que do investimento surgiu a necessidade de uma reestruturação  organizacional e inovação dos serviços e produtos informacionais, onde ela passou a  desenvolver projetos de cunho multidisciplinar adotando o Maker Movement, com valências diferenciadas impressões 3D, cortadora a ‘laser’, recicláveis, Craft, robótica, fotografia artesanal, costura, entre outros. Tudo isso, através de programações anuais como: Star Wars Week, Book Fair, Café  Literário, Maker Day, Story on a String com ‘workshops’/ateliês, experiências que contribuem para a formação dos usuários e a consolidação da biblioteca como um espaço de formação não formal e de aprendizado.

“Por ter especialização em metodologia e por fazer mestrado na área de educação tenho uma vertente um pouco melhor, porque eu consigo fazer orientação e consultoria de trabalhos científicos, fazer revisão de artigo. Então isso é legal. O bibliotecário precisa ter essa visão e multidisciplinaridade de atender outras coisas e tudo que envolve educação e tecnologia”, explica.

Mercado

Rejane explica, que o mercado de trabalho tem criado  áreas de atuações que exigem o surgimento de novos perfis profissionais para seguirem à nova metodologia inerente à categoria. E destacou, que em Manaus, ainda se nota a necessidade do profissional buscar qualificação para atuar no ambiente das novas tecnologias. Por outro lado, ela reforça, que cabe também às instituições privadas, órgão e instituições públicas valorizar a atuação e remuneração dos profissionais da área.

“Essa valorização ocorre, tendo em vista a necessidade e o importante papel desempenhado dele, no que diz respeito à acessibilidade de informação, projetos de incentivo a leitura a todas as idades (principalmente crianças, adolescente e jovens, aliado à forte influência das mídias digitais e o incentivo à leitura)”, reforça.

Carreira mapeada

Área de atuação: biblioteca, centro de documentação, centro de comutação Bibliográfica, arquivo, editoras e publicadoras, centro de restauração de documentos e obras, empresas (controle de fluxo da informação  e documentação). Empresa de comunicação, jornais, revistas, galeria de arte, museu de arte, centro de cultura, lazer e Makerspace. No campo de documentação e informação, cultura e lazer. Atua também na área de educação, pesquisa, tecnologia da informação, planejamento e informação, política e informação.

Média salarial: R$ 1,5 mil a R$ 2 mil, rede pública. Rede privada e concurso público  R$ 3 mil.

Perfil: Gostar de gerenciar, administrar, organizar, pesquisar, desenvolver  e utilizar os mais eficazes métodos para a gestão da informação. Gostar de informação, administrar, gostar de pessoas, organização, leitura, cultura, tecnologia e ter habilidade pedagógicas

Onde estudar: Ufam (Universidade Federal do Amazonas)

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