Consumo

COMPARTILHE

Bebida milenar faz sucesso em Manaus

O kombucha surgiu na Ásia e foi se espalhando pelo mundo, mas só recentemente chegou aqui

Por Evaldo Ferreira @evaldo.am @JCommercio

07 Nov 2019, 14h58

Crédito: Evaldo Ferreira

Só agora o kombucha começa a fazer sucesso em Manaus, com produtores e consumidores em ascensão, mas a bebida é milenar e veio de longe.

“Sua origem é asiática, tendo surgido na China ou na Rússia, e depois se popularizado no Japão e de lá chegando ao Ocidente. Nos Estados Unidos, a partir da década de 1970, foi muito consumida pelos hippies e pessoas que buscavam produtos naturais e alternativos”, contou Alexandre Victor, agroecólogo e produtor de kombucha.

“No Brasil é possível encontrar relatos de uso da bebida há muitos anos, mas a produção comercial começou há uns cinco anos, por algumas empresas no Sul. Atualmente existem mais de 70 empresas registradas no Brasil. A bebida tem feito sucesso pelos seus supostos benefícios ou mesmo sabor, que lembra a cidra, o frisante ou o champanhe”, revelou.

Em Manaus, existe uma meia dúzia de kombucheiros artesanais, que fazem a comercialização direta ao consumidor em feiras e alguns estabelecimentos, há cerca de um ano, como o próprio Alexandre.

“Iniciei a produção do ‘Amazon Kombucha’ com 20 litros a cada duas semanas, para consumo próprio, mas o interesse dos amigos começou aumentar a demanda. As pessoas também passaram a pedir a matriz e querer aprender a fazê-la, então resolvi promover cursos, já tendo formado uma média de 50 pessoas”, informou.

Alexandre Victor é produtor de kombucha em Manaus
 

Cuidado com as informações

Originalmente o kombucha é preparado a partir da fermentação do chá adoçado das folhas da planta Camellia Sinensis, conhecido como chá branco, verde ou preto, que muda o processo de maturação e preparação das folhas secas. O chá pode receber as infusões de outros chás como hibiscus, camomila, mate. Depois de pronto lhe é adicionado uma colônia de bactérias e leveduras selecionadas tecnicamente, chamada de zoogléia, uma simbiose de cultura de bactérias e leveduras benéficas. Essas bactérias consomem o açúcar e geram várias enzimas, vitaminas e ácidos, e ainda produzem naturalmente gás, o que torna a bebida semelhante a um refrigerante.

“Nos últimos tempos os refrigerantes têm sido abominados, e é aí que entra o kombucha, com gás, digestivo, leve e dando saciedade, porém, livre de sódio e quase sem açúcar, consumido em parte pelas bactérias, portanto podendo ser consumido com cautela até por pessoas que não podem comer açúcar”, garantiu.

Mas todo cuidado é pouco com as informações publicadas na internet, dizendo que a bebida tem efeitos terapêuticos e energéticos.

Com certeza é uma bebida probiótica, que contém ácidos orgânicos, vitaminas, aminoácidos e algumas substâncias antibióticas naturais, por isso ajudando a equilibrar a microbiota intestinal. Em algumas culturas acredita-se ser um remédio natural para vários males.

“Porém, não é indicado para crianças com menos de quatro anos, e também grávidas ou lactantes, devido a fermentação poder conter até 0,5% de álcool, o que não a torna uma bebida alcoólica. Pessoas que fazem uso de outros probióticos, medicamentos controlados ou dietas restritas devem procurar seu médico ou nutricionista para saber se pode consumir”, alertou.

“O consumo diário recomendado da bebida são 300 ml, e melhora os benefícios se tomada em jejum. O kombucha pode ser indicado como energético natural, substituto de energéticos tradicionais, como o café, por que o chá verde é rico em um tipo de cafeína”, completou.

 Variados sabores

Há exatamente um ano Alexandre começou a produzir kombucha artesanalmente, 20 litros por semana. Hoje ele produz 120 litros semanais e planeja chegar a 500 litros e partir para a criação de sua empresa.

“Queremos crescer aos poucos sem acabar com a qualidade do produto artesanal, que não é definida pela legislação sobre o kombucha, criada este ano”, revelou.

“Apesar de o kombucha poder ser saborizado com qualquer fruta, priorizo as regionais como camu camu, cupuaçu, melancia, azeitona roxa com pimenta, araçá boi, e outras frutas da estação, encontradas em feiras de orgânicos, mas também produzo com chá preto ou verde, hibiscus, hibiscus com gengibre, lúpulo importado, curcuma longa, maca peruana e spirulina, esta, uma alga marinha super nutritiva de origem mexicana. Os sabores mais vendidos são o maracujá e hibiscus com maracujá”, listou.

Quem quiser aprender a fazer kombucha, no próximo dia 24 de novembro Alexandre irá realizar sua terceira oficina, onde os alunos aprendem a fazer e saborizar sua própria bebida. A oficina acontecerá na escola Ashram Yoga Livre, na rua Itaúna, 11, Adrianópolis, fone: 9 9202-4088. Na oficina serão ensinadas dicas e cuidados com a bebida, tipos de fermentação, como produzir gás, e conservação e os alunos levarão para casa a matriz para iniciar sua própria produção.

Quem não puder participar da oficina e quiser aprender a fazê-la, pode acessar o Kombuchaamazon, no Face e no Instagram, e pesquisar a compilação no formato de apostila digital preparada por Alexandre.

O Amazon Kombucha pode ser encontrado na Casa da Pamonha, no Edi Sabor Natural, churrascaria Frango Mineiro I e II, Divina Terra Manaus, Pátio Gourmet e Digrano.

 

Veja Também

Negócios

Os aplicativos favoritos da Geração Z

07 Nov 2019, 15h03