Opinião

COMPARTILHE

Bate-boca sem sentido

Fica muito difícil para nossos congressistas trabalhar pensando de forma altruísta

Por Orígenes Martins

08 Abr 2019, 17h35

Crédito: Divulgação

O Brasil está com bastante dificuldades para sair da encruzilhada política econômica e social na qual se meteu em função dos desmandos dos últimos vinte anos de erros. Mesmo com a sociedade mandando um recado claro e direto através das urnas em relação à necessidade de mudanças urgentes, a estrutura deturpada que foi erguida em nosso país nas diversas esferas do serviço público, complicam o início da limpeza e da alavancagem de um modelo de retomada de crescimento.

Mesmo com os erros causados por arroubos de declarações inoportunas e falta de força para impedir a ação da família em coisas do estado, o governo atual está buscando cumprir o que prometeu ao povo em campanha. A questão está na necessidade de fazer com que a estrutura antiga e viciada de poder entenda e se adeque a uma forma diferenciada de lidar com a coisa pública.

O Congresso Nacional, ao atrasar o início das discussões da reforma da previdência na Comissão de Constituição e Justiça, criando exigências em relação ao ministro Paulo Guedes, é um retrato claro desta situação. Com a desculpa de só indicar o relator da CCJ após a ida do Ministro, na verdade os deputados tentam negociar a continuidade da velha política do toma-lá-da-cá, que o presidente Bolsonaro já deixou claro que não vai aceitar. Fica muito difícil para nossos congressistas trabalhar pensando de forma altruísta, imaginando o bem da população e do país acima de suas ambições pessoais.

Com os Ministérios os fatos são mais ou menos parecidos, até porque o que aparece nos noticiários nem sempre retrata a veracidade dos fatos. Um exemplo disto é o Ministério da Educação, que além de necessitar de uma limpeza completa não só em sua estrutura, precisa fazer a quase impossível reformulação do sistema educacional brasileiro. As avaliações que alguns funcionários exigiram e chegaram a trocar por seus cargos, precisam ser analisadas pelos dois lados. Se avaliassem realmente a qualidade do ensino em seus diversos níveis, seria necessário ter continuidade e pressa, mas o que acontece é que os índices de avaliação acabam por gerar a própria falência da qualidade do ensino brasileiro.

Por causa destes malditos índices, diretores de escolas e professores deixam de reprovar alunos incapazes, tornando a qualidade de nossos alunos a pior possível. Não foi publicado, no entanto, a atitude do governo de mandar investigar o andamento dos orçamentos do MEC que do ano de 2003 até o ano de 2018 cresceu de 30 bilhões para 130 bilhões ao ano, o que representa um aumento de cinco vezes o valor. No entanto, no mesmo período, a educação brasileira sofreu uma queda de qualidade vertiginosa, com nosso índice medido por organismos internacionais passando, no mesmo período de 6º. Lugar para 60º. Lugar.

Os gastos absurdos e os desvios não explicados do dinheiro público acontecidos nos últimos quatro governos, são absurdos e de uma gravidade que o povo brasileiro ainda não conseguiu entender. Muito pior é a gente assistir tristemente que nossos políticos ainda não aprenderam a serem efetivos representantes do povo e lutarem por seus interesses e necessidades. O bate boca entre Congresso, presidente da República e Ministro da Economia mostra claramente que o povo brasileiro ainda tem muito a aprender no que diz respeito a civismo. Começamos timidamente a lutar por nossos direitos, chegamos a ir à rua exigir mudanças, mas ainda não aprendemos a manter as cobranças e nos deixamos levar pela passividade  típica da nossa cultura, deixando que a coisa fique crítica para depois apenas reclamar.

A reforma da previdência já deveria ter sido feita há muito tempo, assim como a reforma trabalhista, reforma tributária e reforma eleitoral. Quem sabe se estas reformas tivessem sido feitas na hora certa, atendendo à evolução normal da sociedade ao invés de somente atender aos que apenas querem usufruir de direitos e vantagens sem dar nada em troca, não estaríamos com ânimos tão acirrados. Talvez não estivéssemos em um país que está perdendo o tempo em que deveria estar implementando reformas, porém apenas bate-boca sem sentido.

Veja Também

Artigo

O grande inimigo das empresas

08 Apr 2019, 13h07
Artigo

O livro, o jornal e a internet

08 Apr 2019, 12h15