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Bares são o chama para manutenção da efervescência cultural no Centro

A contar pelos novos empreendedores no ramo dos bares e do público que se renova, o Centro vai continuar como espaço preferido para a boemia cultural em Manaus

Por Evaldo Ferreira

06 Fev 2019, 12h51

Crédito: Evaldo Ferreira

O centro de Manaus, como a palavra já diz, sempre foi o centro de tudo, do comércio às fofocas, dos grandes eventos às festas. Com o crescimento da cidade e as pessoas se restringindo aos distantes bairros, a impressão é que o centro ficou esvaziado. Engano. O centro sempre fervilhou e a contar pelos novos empreendedores no ramo dos bares e dos eventos, e o público que se renova, o centro continuará sendo o que sempre foi.

Bar do Armando é um dos mais tradicionais do Centro

A tradição do pai

O Bar do Armando é um dos ícones entre os bares de Manaus, no Largo de São Sebastião. Fundado na década de 1970, teve o português Armando Soares, à sua frente por mais de 30 anos. Com a morte do luso, em 2012, sua filha Ana Cláudia assumiu o empreendimento e o melhorou.

“No começo foram anos muito difíceis, que depois se tornaram prazerosos. Desde então tem sido uma honra manter essa tradição iniciada pelo meu pai”, falou Ana Cláudia, hoje proprietária do Bar do Armando.

“Comecei a trabalhar aqui no bar mais ou menos um ano e meio antes do meu pai morrer. Quando ele partiu, tive que assumir e não teve outro jeito a não ser seguir a linha dele. Só com o tempo fui mudando, dando um toque pessoal, seguindo os novos tempos, porém, sem mexer no estilo dele”, esclareceu.

“Meu pai tinha dois garçons e todos, inclusive ele, faziam de tudo. Eu organizei. Agora tenho três ou quatro garçons, que atendem às mesas, e o caixa só recebe os pagamentos. Todos usam um jaleco idêntico ao que o meu pai usava”, revelou.

“Mudei o cardápio. Com meu pai era queijo bola, pernil, salame e bolinho de bacalhau. Estes continuam, mas acrescentamos frango a passarinho, batata frita, pasteizinhos, iscas de alcatra, iscas de calabresa e, idéias minhas, farofa de ovo e carne em conserva com farinha do Uarini, que fazem o maior sucesso”, garantiu.

“Temos música ao vivo todos os dias, com ritmos de bar, a partir das 18h. Nos dias 7 e 14 teremos o esquenta da Banda da Bica, que sairá dia 23. Sobre a polêmica a respeito da xenofobia na letra da marchinha, considero isso uma besteira. Intriga da oposição. Letras de marchinhas sempre mexem com alguém ou algo. Inclusive os paraenses podem vir aqui no dia da banda que receberão uma homenagem especial dos biqueiros”, adiantou.

“O segredo do sucesso foi manter a tradição de bar iniciada pelo meu pai, que sempre deu certo”, concluiu.

Carvajal Gomes arrendou o espaço tradicional da boemia manauara

Agradar a todas as tribos

O Caldeira completará 56 anos de existência, em 2019, e também está sob nova direção há sete anos, localizado na rua José Clemente, 237, esquina com a Lobo D’Almada. Na parede uma foto mostra o poetinha Vinícius de Moraes em visita ao bar na década de 1970, além da Calçada da Fama, com os nomes de outros artistas que estiveram no local.

“Eu era cliente do Caldeira até que um dia propus aos proprietários, arrendá-lo. Eles aceitaram e desde então estamos aqui”, falou Carvajal Gomes.

“Dei uma repaginada no visual do espaço, criei um cardápio e passamos a ter música ao vivo”, esclareceu.

“Nosso espaço, apesar de pequeno, é aberto a exposição de artes e fotografias, lançamentos de livros e CD’s. Abrimos todos os dias, menos na Sexta Feira da Paixão. No restante do ano, das 11h até a madrugada, estamos recebendo nossos clientes”, disse.

“No cardápio eu destaco o frango a passarinho e a moela empanada do Caldeira. Tem uns chefs que vêm aqui só provar essa moela”, riu.

O Bloco do Caldeira sai no dia 4 de março, com Márcia Novo, Stones Ramos e bateria da Aparecida.

“Acredito que nosso sucesso se deve ao variado de ritmos musicais que apresentamos, com pagode, chorinho, seresta, MPB, músicos autorais, que vêm aqui apresentar e lançar seus trabalhos. Isso fez com que nos tornássemos o point de todas as tribos. Aqui se reúnem coroas, clientes do antigo Caldeira, jovens, roqueiros, pagodeiros, lgbt’s, turistas, tudo democraticamente”, afirmou.

Curupira aposta na atratividade do despojamento

Espaço cultural é o forte

O Curupira Mãe do Mato segue a receita dos experientes Bar do Armando e Caldeira. É um misto de bar e espaço cultural, inaugurado em agosto do ano passado, na Sete de Setembro, 1710, próximo ao Parque Senador Jefferson Péres.

“Bar, espaço cultural e casa de shows”, falou Gabriela Pauchner, coordenadora cultural do Curupira. “Realizamos exposições com telas e fotografias e o espaço está permanentemente aberto para os artistas locais, principalmente os que estão começando e não encontram muitos lugares para mostrar seus trabalhos”, completou.

“DJ’s também se apresentam no Curupira, e se o artista quiser mostrar sua dança, ou sua performance, pode vir conversar. Nos dias das apresentações, é cobrado um valor, acertado com o artista, que é repassado para ele”, adiantou Cássio Aguiar, proprietário do Curupira.

“Abrimos de quarta a segunda-feira, a partir das 20h, sem hora para fechar e nosso forte são as bebidas, todas de fabricantes locais. Vendemos cervejas da Batuta, Mahy e Sarapó, esta, cervejaria de Novo Airão. Destacaria as cachaças saborizadas, com café, jambu, preparadas por mim mesmo, que sou químico”, avisou.

“Nossa cozinha é bastante eclética. Temos hambúrgueres, pasteis, entre vários outros pratos. Temos até alguns itens veganos”, adiantou.

“O Carnaval do Curupira começará no dia 15 e terá blocos praticamente todos os dias, culminando com o nosso Bloco Curupirado, no dia 6 de março. O segredo para atrair o cliente é procurar, na medida do possível, agradar a todos os públicos”, ensinou Gabriela.

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